7.6.09

A Bíblia, a fé e os provisórios castelos de areia

Ninguém precisou me ensinar a nadar. Criado em cidades litorâneas, como Rio de Janeiro, Santos, Niterói e Fortaleza, a praia se tornou um ambiente natural em minhas descobertas. Aprendi a nadar vendo os outros nadarem e querendo muito entrar mar adentro. Foi na praia que também aprendi uma linda lição, mas estranhamente difícil para algumas crianças. A beleza dos castelos de areia é sua curtíssima duração. Castelos de areia, por mais belos que sejam e por mais tempo que neles se gaste, desmancham na primeira alta da maré. Meus primos, os que não eram do litoral como eu, gastavam enorme tempo na construção de seus castelos e se revoltavam até as lágrimas quando desmoronavam. Na época, achava-os chatos e mimados. Hoje os compreendo, mas não os absolvo.

Querer dos castelos de areia o que não podem dar é construir amarguras. É o que hoje mais me incomoda no ambiente religioso. A pretensão de posse da verdade é nosso castelo de areia. Temos o livro infalível, a doutrina fundamental, o ambiente de pessoas superiores, uma fé a toda prova, a certeza imbatível da melhor religião, a segurança de um mundo controlado pela onipotente mão divina, nada acreditamos acontecer sem um propósito superior e nos esquecemos de que toda essa construção, por mais bonita e incrementada que tenha sido um dia, é feita de palavras que são sempre como a areia à beira do mar.

Meu ofício de pastor se parece muito com minhas aventuras nas tantas praias que freqüentei na infância. Ficava inconformado com os primos do interior, caprichosos e sem graça. É assim que vejo muitos crentes quando tem que lidar com o sofrimento. Sua amargura não se deve à perda simplesmente, mas ao desmantelamento de uma segurança que não passava de um castelo de areia inutilmente tão vigiado.

A graça dos castelos de areia é que toda vez que chegamos à praia podemos construir um novo. E assim que desmoronar, podemos fazer outros ou, melhor ainda, tentar outras brincadeiras neste espaço sempre tão aberto e inventivo. Talvez devêssemos aprender com os castelos de areia em nossas construções de fé. Porque da mesma forma que os castelos da infância são feitos de areia, nossa fé é feita de palavras. Não há nada de errado com os castelos, contanto que não nos esqueçamos que são construídos com a areia solta da praia e à beira do mar. Nada de errado com nossas apaixonadas construções de fé, contanto que não nos esqueçamos de que são feitas de meras palavras, esses signos tão impotentes e transitórios, articulados à beira da incontrolável e contingente vida humana.

A Bíblia, queridas crianças, é a palavra de Deus. É verdadeira. Digna de aceitação. É edificante. E as crenças? São bonitas. Nasceram com contundência em resposta às mais variadas dúvidas. Fizeram de nós pessoas esperançosas e fiéis. Mas são feitas de palavras. Nossos conflitos de interpretação. Nossas tensões entre o que lemos e o que faz sentido na prática de todo dia. Nossa necessidade de ressignificação da fé. Nossa modéstia em propor explicações. Nosso assombro diante das tragédias. Nossa ânsia por novas respostas. Tudo isso é nossa experiência com a precariedade das palavras. A fé à beira do mundo que experimentamos novo a cada dia é como o castelo de areia e a próxima onda que ameaça desmancha-lo.

Qual a graça de se construir castelos de areia se são sempre tão provisórios? Por que ter esperança se nossas expressões de fé são tão precárias e passageiras?

A graça dos castelos é que eles não duram para sempre. E porque não duram para sempre não temos que desperdiçar tudo o mais na imensa praia para ficar tensos e vigilantes ao seu lado. E se a água fria e espumosa do mar e a vastidão da praia para correr e os outros meninos aos berros convidando para o futebol e as pranchas e bóias esperando para sangrar as divertidas ondas do mar e o homem do picolé oferecendo suas delícias frias não bastarem para nos arrancar dos castelos já construídos, a próxima onda vai livrar-nos deles e nos obrigar a sermos livres.

E as nossas expressões de fé? Também.

Elienai Jr.

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Triângulo de força

Na esperança de melhorar suas performances nesta temporada, os dois pilotos em atividade que mais pontos conquistaram na F-1 apelaram para inovações curiosas.

Enquanto Rubens Barrichello circula pelo paddock de Istambul com três adesivos em partes diferentes do corpo, Fernando Alonso anda com meias pretas que se parecem com as sociais, de náilon.

No caso do piloto brasileiro, a novidade é uma tecnologia desenvolvida por uma empresa norte-americana em forma de holograma e que promete proporcionar mais força, equilíbrio, flexibilidade e bem-estar.

A explicação é que esse holograma emite frequências encontradas na natureza e que, em contato com o corpo, reagem de maneira positiva.

Para melhorar sua ação, Barrichello tem usado duas pulseiras do "Power Balance", uma em cada pulso, e um adesivo colado em seu colar. "Isso cria um triângulo de força e potencializa os efeitos", explica ele. "É impressionante como tenho me sentido bem mais forte e flexível quando me exercito", completa o piloto da Brawn.

Já Alonso, que causou gargalhadas no paddock ao surgir com as meias pretas combinadas com uma bermuda xadrez e uma camiseta da Renault ontem, afirma que sua intenção é melhorar a circulação nas pernas.

Além das meias pretas, que servem para descansar os músculos, o espanhol ainda tem em sua gaveta pares brancos, que recuperam as pernas após exercícios físicos, e vermelhos, usados durante atividades físicas.

"Sei que sou muito bonito, posso usar o que quiser", brinca o espanhol.

fonte: Folha de S.Paulo
dica do Luciano Cavani

A receita da infelicidade

Vi ontem a pré-estreia de A Mulher Invisível, o novo filme do Selton Mello e da Luana Piovani. É uma delícia de comédia romântica. Roteiro engraçado, direção criativa do Cláudio Torres, acabamento de cinema americano. As pessoas riam muito no cinema, o que sugere um sucesso de bilheteria.

Uma frase me chamou atenção logo nos primeiros minutos. O marido chega em casa com flores e encontra a mulher de mala pronta. “Nossa vida é boa, gostosa, tranquila, mas eu preciso de perigo”, diz ela. “Mulher, pra ser feliz, não pode estar feliz”. Essa é a frase.

Antes que alguém diga, digo eu: é só uma frase de efeito, uma tirada cômica sem conseqüências. Mesmo que o roteirista de A Mulher Invisível seja mulher – Adriana Falcão – não se deve imaginar que esse rompante de Nelson Rodrigues revele alguma coisa sobre a alma feminina.

Mesmo assim, quero falar sobre a ideia por trás da frase: a de que as mulheres não convivem direito com o amor assegurado. Ou, dito de outra forma, elas não lidam bem com homens que gostam demais delas. Pelo menos no início da relação.

Estou tentado a acreditar que às mulheres, mais que aos homens, se aplica a frase de Groucho Marx: não entro em clubes que me aceitem como sócio.

Outro dia, conversando com uma amiga no bar, sugeri que fosse assim. Ela negou. Pedi que me contasse como foi com o marido ela. Aí veio: eles saiam, mas ele não se definia. Ela não sabia se era ou não era namorada. Sofreu com a indefinição, por meses. Às vezes ele ligava, outras vezes não. Sumia e voltava. Um dia ela pôs o cara na parede: ou a gente namora, ou você vai embora. Ele ficou. Estão juntos. Felizes.

Esse enredo não é exatamente uma exceção.

Tenho um amigo – todo mundo tem um - que costumava maltratar as mulheres, embora fosse um perfeito cavalheiro. A técnica de cativeiro era simples, e de forma alguma premeditada.

Depois de uma ou duas transas perfeitas, quando a moça estava de pernas bambas e coração mole, ele avisava: não se apaixone, eu não estou disponível. Não quero namorar, amo outra mulher, preciso do meu espaço, ele dizia. Tudo verdade, tudo sincero, tudo às claras, e o efeito era o contrário do que ele (supostamente) pretendia: as moças alucinavam. Na impossibilidade de ter, queriam.

Na impossibilidade de estar com ele, não desejavam mais ninguém. Ficavam obcecadas. Ele deixava as mulheres histéricas e, paradoxalmente, felizes.

O contrário dessa história é a do babão. Todas as mulheres falam dele. É o sujeito meloso que telefona, presenteia, cuida, se declara repetidas vezes. Isso sufoca, dizem as moças. É como se esse homem estivesse fora do seu lugar natural, digo eu. Ele não cria dificuldade. Ele não causa dor nem confusão. Ele não serve.

Uma passada de olhos na literatura vai mostrar que desde Julien Sorel, de O Vermelho e o Negro, os grandes sedutores são homens incontroláveis, quase inacessíveis, a quem as mulheres se submetem felizes. E seu oposto é o homem apaixonado que corteja inutilmente a heroína.

Esses clichês devem ter alguma correspondência na realidade. Sua existência sugere que a cultura feminina idealiza um macho arisco e conturbado. E uma fêmea expectante, insegura. Será assim? Não sei. Mas sei que as minhas amigas, sistematicamente, parecem sofrer com homens que não as desejam. E dão pouca atenção aos homens que sonham com elas. Se a minha amostragem não é muito ruim, é a receita perfeita da infelicidade.

Ivan Martins, no site da Época.

Bronha fatal

O ator americano David Carradine, encontrado enforcado na quinta-feira (4) em seu quarto de hotel em Bangcoc, talvez tenha morrido devido a um ato sexual que terminou em tragédia, indicou nesta sexta (5) a Polícia tailandesa.

"Uma corda estava presa em torno do seu pescoço e uma outra em seu órgão sexual. As duas estavam ligadas uma à outra e penduradas no armário", declarou o general Worapong Siewpreecha da Polícia Metropolitana de Bangcoc.

"Nestas circunstâncias, não podemos estar seguros de que tenha cometido um suicídio, pois ele pode ter morrido (em um acidente) de masturbação", afirmou.

David Carradine, de 72 anos, herói da série de TV "Kung Fu" e da sequência cinematográfica "Kill Bill", de Quentin Tarantino, foi encontrado enforcado, nu, em seu quarto de hotel na quinta-feira de manhã em Bangcoc, onde a Polícia, inicialmente, mencionou um possível suicídio.

fonte: G1
dica do Rodolfo Ortiz

Deus Zubiriano

Deus, experiência do homem em Xavier Zubiri

Tese de Mestrado em Filosofia defendida por Jaathas Soares Bello na Pontíficia Universidade Católica do Rio de Janeiro

A presente Dissertação de Mestrado consiste na análise do problema filosófico deDeus na obra do espanhol Xavier Zubiri (1898-1983). Em sua compreensão dainteligência humana, Zubiri descobre a realidade não como o existente ou oalém da intelecção, mas como a formalidade na qual as coisas ficamatualizadas na inteligência. Assim, o homem se realiza na realidade, que temum caráter de fundamento último, possibilitante e impelente, e à qual o mesmose encontra religado pelo poder do real. Mas a realidade não é nenhuma dascoisas reais, e nos lança a buscar e inteligir o fundamento do poder do real, arealidade absoluta na qual se funda a realidade das coisas reais: Deus. Assim, oproblema de Deus não é um problema que o homem poderia ou não se propor,mas uma dimensão de nossa realidade: a dimensão teologal.

Clique aqui para o texto completo [pdf]

Pai bandido

A polícia de Santa Catarina procura um homem, já condenado pela Justiça do Paraná por assalto, visto em um vídeo caseiro em que ensina duas crianças - o próprio filho, de 4 anos, e uma sobrinha, 3 -, a roubar.

No vídeo, uma boneca é usada para representar uma vítima e um revólver de brinquedo é colocado nas mãos de uma menina de 3 anos. A criança é sobrinha do homem procurado, que é também suspeito de liderar uma quadrilha que sequestrou por 32 horas uma mulher e o filho dela, de 3 anos, depois de serem levados de um hotel na cidade de Penha, litoral norte de Santa Catarina. Leia +.

fonte: G1

Com um grão de sal

It ain't necessarily so, pérola do George Gershwin.
Aqui vc confere a tradução (tosquíssima).
via blog Amarelo fosco

6.6.09

As minhas ansiedades caem

As minhas ansiedades caem
Por uma escada abaixo.
Os meus desejos balouçam-se
Em meio de um jardim vertical.

Na Múmia a posição é absolutamente exata.

Música longínqua,
Música excessivamente longínqua,
Para que a Vida passe
E colher esqueça aos gestos.

Fernando Pessoa

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O pó e o espelho

Vou contar uma extravagância: guardo vários estojos de pó compacto.

Desde a meninice. Não deixava minha mãe jogar fora.

Caixinhas redondas azul, preta, marrom, vermelha.

O pó da maquiagem se esfacelava, ela fazia menção de colocar no lixo e tomava para mim.

Não duvido que não tenha pensado que seria gay. Ela penava sérias preocupações com meu destino sexual. Acredito que ainda tem.

O que seu menino faria com aquilo? Estaria se pintando em segredo? Passando batom? Brincando de menina?

Lembro que me vigiava, me olhava de canto, espiava minhas gavetas, lustrava minha sombra pelos corredores.

Não roubei nenhuma peça de seu guarda-roupa, não botei nenhum sutiã para ver como se ajustaria em meu peito. Eu resgatava a base pelo simples motivo de que tinha um espelho dentro do estojo. Limpava seu conteúdo, retirava as sobras e a esponja e me banhava com o brilho esférico e prateado.

Além da possibilidade do reflexo portátil, ideal ao bolso, partia do princípio que descartar espelho daria azar. Muito mais grave do que quebrar.

Salvei minha mãe de desastres. Só não a salvei de ser minha mãe.

Homem tem atitudes suspeitas e superstições incontroláveis. Gosta de brigar por mais que desminta e alerte que não suporta discussões. A provocação é uma prova de intimidade. A gente agride apenas quem é capaz de nos perdoar.

Ao contrário do que as mulheres insistem em comentar, o homem não é linear - tentamos preservar essa reputação para não nos complicar. Não fará testes para conferir se é amado ou se é gostoso ou se transa bem ou se vem sendo correspondido, justo porque não aceita o fracasso. Colaria as respostas invertendo a página.

Ele não pergunta toda hora se ela realmente o ama, o que não significa que não é inseguro. Não cria beiço durante o desaforo por pura falta de prática, logo desliza na careta.

Os testes masculinos são de outra ordem. Daquilo que posso chamar de terrorismo psicológico.

Quando sua namorada se arruma para sair, por exemplo.

O homem fica enervando, apressando, controlando o tempo, segurando a maçaneta, não é?

A mulher demora uma hora para escolher a roupa após experimentar todas as possíveis combinações da estação outono-inverno. Coloca batom, blush, rímel, seca os cabelos, arruma as dobras do tecido, dança abraçada ao armário, deita, senta, retoma um casaco, troca a saia. E finge não ouvir seu namorado recordando do atraso.

E o homem não cansa de avisar do compromisso em poses ansiosas. De pé na sala, sentado em meia cadeira, debruçado na mesa. Bufando. Teimando. Arfando.

O exame não é esse jogo previsível de cobrança. Surge na saída, num golpe fatal da paciência.

No momento em que ela confirma que está pronta, ele - que até agora a empurrava para rua - começará a empurrar de volta ao quarto com estranhas carícias. Com beijos mais longos. Pegará a cintura dela com ardor e firmeza. Fechará a porta com os pés.

Ela não compreenderá a mudança de atitude. Poderá lamentar:

- Não estamos atrasados?

- Sim, bem atrasados, ele responderá com uma calma histérica.

A epopéia da produção será desmanchada em segundos. Com a violência implacável dos lábios e a curiosidade indiscreta das mãos.

Se ela deixar, o homem vai concluir que é o mais amado, o mais gostoso, o mais correspondido e somará os pontos a seu favor de todas as revistas femininas nas bancas daquela semana.

Não que deseje transar naquele instante, de repente nem tem vontade. É birra, carência.

Ele somente quer testar sua mulher. Homem é ambicioso no amor, diferente do que dizem por aí. Chega a ser ganancioso.

Quer que sua mulher se arrume para ele e se desarrume e se arrume outra vez. Para cobrar novamente o atraso.

O homem é o espelho no estojo. Não nos jogue fora.

Fabrício Carpinejar
arte: Rauschenberg

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Censura é uma merda

Desculpe a expressão, mas não consigo encontrar outra definição: censura é uma merda. A polêmica em torno dos livros didáticos recolhidos recentementes indica uma falha de caráter, de que não nos livramos.

Censurar implica que um grupo que tem o poder de escolha decide o que outros podem ler. Tal decisão subjetiva esboça que sabemos o que é melhor e pior, o que é certo e errado, seguindo nossa visão de mundo e crenças, sem nenhum dado científico. Afinal, há provas de que um palavrão na infância torna o indivíduo menos capacitado?

Aqueles que deliciaram na infância com os poucos palavrões de MEU PÉ DE LARANJA LIMA se tornaram seres com problemas? E os que leram FELIZ ANO VELHO na pré-adolescência, livro que narra as primeiras experiências sexuais e com maconha de um universitário, que abusa de gírias e expressões coloquiais, tiveram o futuro estragado?

Livros com palavrões para crianças podem ou não? Merda é palavrão? Coco pode? Soltar pum, xixi, meleca, caca? Bem, recolheram MANOEL DE BARROS, por conter o palavrão "boceta" em 1 poema. O poema é ruim? A palavra é gratuita?

A Secretaria da Educação de Santa Catarina recolheu o livro AVENTURAS PROVISÓRIAS, do premiado escritor Cristóvão Tezza, distribuído para o ensino médio da rede estadual, que possui um trecho considerado... “erótico”.

"A tua grande fraqueza -me disse Mara na cama, a primeira vez, quando eu broxei vergonhosamente mesmo depois de baixar a calcinha dela com os dentes e chupá-la como um pêssego maduro, na boca um gostinho de sal molhado- é que teu orgulho te castra".

O livro também possui expressões como "porra", "me fodendo a troco de bosta" e "caralho". Realmente, Tezza não o escreveu para ser lido por crianças. Mas elas nunca ouviram ou leram isso? CENSUREM! Ou troquemos “foder” por “fazer amor”, “boceta” por “bo-bo-leta”, “perseguida”, “vagina”, “pau” por “pipi”, “pênis”, “varinha”? Leia +.

Marcelo Rubens Paiva

me lembrei de alguns lances interessantes. alguns setores do rebanho defendem a educação em casa p/ evitar contato dos filhos c/ os "valores mundanos". resta saber se proibirão tv e internet. a prática tem vários adeptos nos estados unidos, inclusive brian mclaren, num momento de ortodoxia pouco generosa.
por fim, avaliar a criança em função da "boca limpa" tb ocorre em outras plagas. ronaldo disse que o filho deve ser criado na espanha pq lá "ele não fala nenhum palavrão; é um doce de menino, praticamente um europeu".

É preciso recomeçar a viagem

"A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o viajante se sentou na areia da praia e disse: “Não há mais que ver”, sabia que não era assim. O fim da viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já."

José Saramago, via O Caderno de Saramago

Talento passado em cartório

Nestas plagas, amigo, mesmo quando o filho é adotivo, o talento é hereditário. O sucesso aqui é como um latifúndio, um imóvel, passa-se em cartório. Claro que se a tua cria levar jeito para as artes, mesmo as ludopédicas, melhor ainda. Futuro asseguradíssimo.

Seja no Eixo midiático das modas e imposturas -a ponte Rio-São Paulo-, no Recife assombrado de Gilberto Freyre, na Fortaleza de Nossa Senhora de todas as Assunções ou na Belo Horizonte dos velhos arraiais, currais D´El Rei e dos novos mandatários.

Como um Pêro Lopes, um Duarte Coelho ou um Martim Afonso das velhas Capitanias, vale o brasão heráldico no frontispício ou na fachada. Nada como um século atrás do outro para reafirmar a nossa gloriosa tradição de um batismo bem composto.

Sabes com quem está falando?

Um bom sobrenome, amigo, acende automaticamente o foguetório da glória e da fama. Disso já sabia o velho Pestana, músico frustrado, ainda no século XIX, protagonista do conto “Um homem célebre”, de Machado de Assis. Faltou-lhe uma marca sanguínea mais decente, o que levaria aos píncaros –seu sonho era ser um Schumann, um Mozart. Jamais, porém, para o seu desgosto-mor, o artista passou de um festejado autor de polcas e outras chulas modinhas da praça.
Coitado!

Do mundo de Machadão às telenovelas, com um bom batismo vai-se ao longe, avança-se sempre umas seis casas sem carecer da sorte no jogo de dados ou nos lances cruéis do destino e do acaso.

A não ser que o amigo se contente em ser apenas uma celebridade-miojo, daquelas que fervem e viram gases de três a cinco minutos.

Seja qual for o ramo de atuação, recomendo um mantra sagrado nos Tristes Trópicos: eu tramo, tu conspiras e nós assinamos embaixo.

Faça você um biscoito fino ou um pão bolorento para as massas.

Na falta total de um bom sobrenome, colar, grudar mesmo em quem ostenta uma marca sanguínea impoluta pode ser uma ótima idéia. Ser da “turma”, de alguma forma, é adquirir, sob módica bajulação diária, um parentesco distante.

Eu tramo, tu conspiras e nós assinamos todos embaixo. Feito! Aí é só mandar o motoboy reconher a firma em cartório.

Mais fácil do que empurrar bêbado ladeira abaixo.

“Se liga”, amigo, nas técnicas modernas de alpinismo social e cultural da nova era. “Fazes por ti que eu te ajudarei”, eis o eco bíblico que bafeja o teu cangote montanha arriba.

Só não caia nessa lorota de que as coisas mudaram, tão-somente porque temos um Silva na cumeeira do poder da República.

Nas artes é diferente. Entre agora mesmo naqueles sites que pesquisam árvores genealógicas e descubra o caminho das pedras, uma boa ligação sanguínea com a elite cultural moderna. O que conta é a sua defesa, a sua narrativa, afinal de contas todos fomos filhos do mesmo casal de macacos um dia. Se Darwin é por nós, quem será contra nós nestas hereditárias e bravíssimas capitanias?

Xico Sá, na revista Continuum.

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Situation Comedy

Faz muito tempo que me pergunto por que o Brasil não faz sitcoms. Nunca nos faltaram bons humoristas na televisão: de Ronald Golias a Hermes e Renato, passando por Regina Cazé, Bussunda, Andréa Beltrão, Jô Soares, Pedro Cardoso, Chico Anísio; dava pra fazer dois times de futebol com nossos comediantes e ainda sobrava uma meia dúzia do lado de fora, comendo churrasco e fazendo embaixadinhas. Por que será então que, nos últimos quarenta anos, esse pessoal fez filmes e sketchs, novelas e paródias, fez humor político e palhaçada, foi da macaquice mais tosca à metafísica, mas nunca, ou quase nunca, aventurou-se pelo formato que, nas últimas duas décadas, representou o que de melhor se produziu em humor, no áudio-visual?
Anteontem, ao acordar e ver um post it colado no espelho do banheiro da minha irmã, entendi finalmente a razão. “Lembrar de levar o bolo!!!”, dizia o post it, com a letra do Corey, meu cunhado. Fazia uns três dias que Corey vinha falando do bolo. Era para Mrs. McCoy, professora de biologia na escola em que ele trabalha. Todo começo de ano, a escola faz um sorteio e cada funcionário fica encarregado de organizar uma “festinha” para outro, na sala dos professores. Levar o bolo era uma coisa séria. Se ele se esquecesse, seria uma grande mancada com a Senhora McCoy. Ia pegar mal lá no trabalho. Além de tudo, a senhora McCoy já tinha sido dona de uma empresa de catering, não era qualquer bolo que resolveria o problema. E nos dias em que passei em Poughkeepsie (estou agora num banco da ferroviária, esperando o trem para Manhattan), enquanto não estava dando aula ou explicando alguma coisa para seu cunhado brasileiro, Corey Gorey, professor de inglês e roqueiro, estava pensando no tal bolo.

Eis o paradoxo que os americanos vivem: para que a máquina funcione azeitadinha e ninguém atrapalhe a vida do outro, para que o republicano do Texas possa caçar e a Dominatrix de Nova York possa vestir-se de látex e o barrigudo do Iowa possa participar da corrida americana de salsichas sobre uma pista de ketchupe, sem que um atrapalhe o outro, todas as esferas da vida foram normatizadas. Não há degrau do comportamento humano ou possível situação do cotidiano para a qual eles não tenham desenvolvido um método de ação, um protocolo destinado a economizar tempo, dinheiro, neurônios e conflitos. E é do atrito entre as pulsões individuais e a opressão dessa microfísica do proceder que surge o sitcom. Ele é o happy hour, a válvula de escape que torna possível acordar no dia seguinte, estampar o sorriso na cara e levar o bolo da senhora McCoy.

Como eles fazem isso? Ironizando, subvertendo, escrutinando as mini-regras do cotidiano com as lentes do humor. No primeiro episódio de Seinfield, uma conhecida pede para hospedar-se na casa de Jerry. Ela quer fazer sexo? Ele deve colocar um colchão para ela na sala ou esperar que durmam juntos, na cama dele? Qual o procedimento padrão quando uma conhecida pede para hospedar-se na sua casa? Que sinais ela emitiu? Como analisá-los? Jerry e George passam todo o episódio discutindo o assunto.

Nós, no Brasil, não fazemos sitcom pois não existem as regras cotidianas a serem subvertidas, discutidas, ridicularizadas. Afinal, se ninguém sabe ao certo o que se deve e o que não se deve fazer nem nas maiores instituições, imagina nas festas de aniversário da firma! Ainda estamos tentando passar a reforma política e discutindo se um deputado pode ou não pode dar passagens pagas com dinheiro público para seus familiares, que pressão pode haver em torno da obrigação de se levar ou não um bolo de aniversário?

Se a espontaneidade nas relações é melhor ou pior do que o bolo pré-agendado da Mrs. McCoy para o futuro da nação é uma discussão cabeluda na qual não me atrevo a entrar. Mas, para o humor televisivo, não há dúvida de que a segunda opção foi muito mais frutífera.

* * *No dia 19 estréia aqui Whatever works, o filme novo do Woody Allen. No papel principal (aquele que chamamos de “papel de Woody Allen”) está Larry David, o cara que, ao lado de Jerry Seinfield, criou o melhor sitcom de todos os tempos. Há uma matéria interessante sobre os dois e o humor judaico nos EUA na revista New York dessa semana.

* * *Alguém pode argumentar que Os Normais era um bom Sitcom. É verdade. E talvez a chave para ter funcionado tenha sido focar os conflitos em torno de um casal, não de amigos ou colegas de trabalho. Afinal, entre um homem e uma mulher, mesmo na mais esculhambada das sociedades, sempre existem regras - e onde há regra, há humor.

Antonio Prata

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Páscoa com samba

Em vez de ovo de páscoa, teve ovo cozido colorido!
fonte: Genizah

5.6.09

Jornalista desempregado (243)

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mais uma da série infindável de khadas do g1.
colaboração: carlos roberto santos e francisco salerno neto

Hoje é sexta-feira (27)



a prova de que um vexamezinho vale a pena ;-)

O ataque dos clones


Marco Feliciano já colocou em prática o seu mais ardiloso plano: ele está fabricando clones, cópias fiéis de sua pessoa para dominar as igrejas evangélicas. Pude comprovar esse rumor ontem em minha igreja.

Ao chegar à casa do Senhor, ajoelhei-me tranquilamente e orei agradecendo a Deus por mais uma oportunidade de estar em sua casa adorando-o. Quando fui sentar deparei-me com o pregador que tinha sido convidado. Ele tinha cabelos mais ou menos compridos, um anel de grau na mão, vestia um terno preto e por baixo um casaco da mesma cor, no lugar da camisa com gravata. Logo imaginei: "lembra bastante o Marco Feliciano". Mas não dei muita atenção.

Quando ele assumiu o púlpito tomei um choque ao ouvir as suas primeiras palavras, num berro estridente: "Te prepara que hoje a tampa da chaleira vai voar". Estarrecido preparei-me para o pior.

Acompanhei, ao longo daqueles difíceis minutos a perfomance desse clone do Marco Feliciano. Ele imitou o célebre pregador com perfeição, na entonação da voz, na alternância entre voz pausada e acelerada, na gesticulação, etc.

Ele usou de vários bordões e estratégias:

"Levanta o dedo profeta" "Crente tem de cuspir fogo" "Se você crê nisso levanta a mão" "Se você ficar de boca fechada vai voltar mais vazio" "Enche, enche, enche..." "Quem quer se cheio?"

O problema é que os crentes da minha congregação não reagem a qualquer tipo de pregação. Eu mesmo, quando prego, me sinto como um garimpeiro procurando ouro, dá trabalho para extrair glórias e aleluias.

Não pude perceber nenhuma reação positiva na igreja. Acho que a maioria percebeu o caráter teatral da sua pregação abundante em gestos e berros, mas pobre em palavras.

Ele é mais um desses jovens (ele tem só 18 anos) que escolheram "viver da fé". É um pregador itinerante que parece sobreviver da venda de seus DVD´s, pois os ofereceu no fim do culto.

Sinceramente, eu tenho pena desses indivíduos. Sinto muita tristeza pelo fato de eles terem escolhido esse caminho. É claro que ninguém peca pelo fato de desejar ser um pregador bem sucedido, mas escolher como paradigma a figura do Marco Feliciano é a mais infeliz das escolhas.

Além disso, eu percebi que se trata se um jovem ainda muito inexperiente como crente, como cidadão e como pregador. Deu uma vontade tremenda de aconselhá-lo. Pensei em pedir para ele voltar para a sua terra, estudar, buscar uma profissão, etc. Ele tinha vindo de Minas e estava indo para a Bahia pregar também.

Mais trágico do que isso é o fato de as próprias igrejas estimularem o surgimento desses tipos de pregadores. São os próprios crentes que alimentam seus sonhos irreais. É o próprio sistema evangélico quem está fabricando esses clones do Marco Feliciano.

Cristiano Santana em seu blog [via Púlpito Cristão]

sinistro pensar que o Felicity tem o poder da multiplicação não de pães e peixes, mas de si mesmo. #medo

Mussum tomando leite?


saudades desse humor da tv brasileira...

Resposta "na lata"

Aconteceu na PUC-RS.

Uma professora universitária estava acabando de dar as últimas orientações para os alunos sobre a prova final que ocorreria no dia seguinte.
Finalizou alertando que não haveria desculpas para a falta de nenhum aluno, com exceção de um grave ferimento, doença ou a morte de algum parente próximo. Um engraçadinho que sentava no fundo da classe, perguntou aquele velho ar de cinismo:
-Dentre esses motivos justificáveis, podemos incluir o de extremo cansaço por atividade sexual?
A classe explodiu em gargalhadas, com a professora aguardando pacientemente que o silêncio fosse restabelecido.
Tão logo isso ocorreu, ela olhou para o palhaço e respondeu:
-Isto não é um motivo justificável. Como a prova será EM FORMA de múltipla escolha, você pode vir para a classe e escrever com a outra mão ou…, se não puder sentar-se, poderá respondê-la em pé…

fonte: Blog Recebi por e-mail

The "new " wall


Esqueçam a parte da opinião do autor do vídeo alegando ser esse o modo de operação da ICM. O intuito é refletir sobre esse modo de praticar a fé e como a grande maioria das igrejas evangélicas de hoje assim procedem, sufocando todas as possibilidades de viver uma fé genuína, livre e destemida, a começar do "tipo" de evangelho que pregam (ou impõem!).

Quem se atreverá a acordar desse sono e letargia espiritual para viver o Evangelho em sua plenitude, saindo do script eclesial?
Obs.: as legendas NÃO correspondem à letra da música original, pois a letra exposta neste vídeo é uma paródia, embora referente ao tema original da música (da excelente banda Pink Floyd).

Recordar é morrer


David Miranda ganhou notoriedade em 1976, quando 21 pessoas morreram na inauguração de um templo no Rio de Janeiro, por causa da queda de uma laje. Ele sumiu e só depois sete advogados o apresentaram. Ele foi absolvido no processo, no qual era acusado de homícidio culposo.

O antigo púlpito tinha uma redoma de vidro a prova de balas, porque na década de 90 uma pessoa deu vários tiros em David Miranda que estava no púlpito e um dos projéteis apenas ficou grudado em sua face e não penetrou. Para os crentes isso foi um milagre, porém para os descrentes a munição era velha.

Fonte: Tese de Mestrado "Igreja Pentecostal "Deus é Amor": origens, características e expansão.

Por que as multidões se perdem?

Neste mal encenado espetáculo que se tornou a Igreja evangélica brasileira, nas quais alguns púlpitos mais se parecem com picadeiros de circo, uma pergunta me persegue: o que leva milhões de pessoas às reuniões de “poder”, aos congressos de "fogo”, às campanhas e vigílias de “unção” destes famigerados estelionatários da fé, lobos adornados com as rústicas peles de um cordeiro?

O quê os mantêm deslumbrados com tais líderes cegos mesmo após suas excrescências lhe mancharem a fronte e suas vestes se rasgarem?

Alguns fatores podem explicar o porquê e gostaria de compartilhá-los com você (mesmo que você os conteste ou os ignore).


1. A frouxidão moral do brasileiro médio

Mas em Teu nome curamos enfermos e expulsamos demônios... Afastai-vos de mim pois não vos conheço!

Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil divaga sobre este aspecto de nossa personalidade nacional nos termos do homem cordial. Ele chega a dizer que “a uma religiosidade de superfície, menos atenta ao sentido íntimo das cerimônias que ao colorido e à pompa exterior, quase carnal em seu apego ao concreto e em sua rancorosa incompreensão de toda verdadeira espiritualidade; transigente, por isso mesmo que pronta a acordos, ninguém pediria, certamente, que se elevasse a produzir qualquer moral social poderosa.” (grifo meu)

Este aspecto produz nossos ”rouba mas faz” e conseqüentemente o “evangelho do rouba mas faz”, o evangelho da moral frouxa em que líderes pecaminosos (ainda que haja uma rigidez moral em relação a desvios sexuais como adultérios) permanecem amados e respeitados no seio das igrejas.

Ele desvia dinheiro da igreja? Duvido! Deus faz milagres através dele...Ele tem carros importados na garagem às custas das nossas ofertas? Digno é o obreiro do seu salário...É o dom da prosperidade sobre ele pois nós somos cabeça e não cauda (ainda que quem esteja proferindo palavras como essa ainda ande a pé...).


2. A tendência natural de todo ser humano ao caminho mais fácil

O caminho largo conduz à perdição. O caminho estreito é o que conduz à salvação.

Em qualquer nação, era ou civilização, demonstrado está que o espírito do homem o conduz ao conforto próprio. Parece-me expressar uma tendência natural de auto-sobrevivência que nos impele àquilo que parece mais simples e que exija menos esforço. Nos últimos dias comecei a refletir sobre este aspecto de nossa natureza dentro da igreja, ao vislumbrar um caso que me parece muito sintomático e que tem assolado à Igreja brasileira (neste caso, até internacional).

Um senhor ao final da reunião procurou pelo pastor para relatar de sua dor e sofrimento em relação à doença de sua filha (crônica e humanamente incurável). Para nós pastores e líderes faz-se muito mais confortável fazer a oração da fé, determinar a cura, dizer ao pai que tome posse da benção e despedi-lo em paz. Ele precisa disso talvez mas ele precisa de muito mais. Nosso verdadeiro evangelho implica tomar sobre nós uma carga um pouco maior, uma cruz; implica caminhar ao lado daquele pai, chorar com ele, suportá-lo em sua dor, derramar azeite sobre suas feridas, bálsamo sobre seu corpo já inerte pela dor da filha. Viver um evangelho maniqueísta neste sentido (de um Deus neo-pentecostal que sempre cura ou de um Deus tradicional que nunca cura) é muito mais confortável e muito mais fácil. Relacionar-se com um Deus que não tem respostas imediatamente conclusivas neste caso é muito mais uma questão de fé e não somente da razão. Isto é cristianismo, o cristianismo do copo de água ao sedento, da oração na casa da viúva, do copo de vinho para Timóteo, da visita ao Paulo encarcerado e à beira da condenação, do choro ao lado de Jó.


3. A falta de Educação formal
Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.

Uma pesquisa realizada pela ONG Ação Educativa, em parceria com o Instituto Paulo Montenegro (ligado ao Ibope) indicou que apenas 25% dos brasileiros com mais de 15 anos têm pleno domínio das habilidades de leitura e de escrita. Isso quer dizer que 1 em cada 4 brasileiros consegue compreender totalmente as informações contidas em um texto e relacioná-las com outros dados.Segundo o levantamento, 38% dos brasileiros podem ser considerados analfabetos funcionais. Quando o estrato estudado é aquele em que as pessoas tinham apenas três anos de estudo, o percentual de analfabetos funcionais chega a 83%. Mesmo entre as pessoas com quatro a sete anos de estudo, pouco mais da metade atinge os níveis básico e pleno de habilidade de leitura e de escrita. Os demais também podem ser considerados analfabetos funcionais. (Fonte: Folha de S. Paulo).

Um povo cego que sempre se verá guiado por outros cegos. Neste dantesco inferno deixamo-nos guiar por quaisquer que sejam os Virgílios. Prosperam em nossa terra líderes que não consegue interpretar a verdade explícita das Escrituras (ou não querem), que lêem textos sem acentos encontrando assim mensagens divinas guiando um povo que ouve o que quer e não o que precisa.

Dói-me perceber que em alguns casos a falta de uma educação formal, básica, que nos afastaria das condições de analfabetos funcionais. O impacto desta tragédia social em nossas igrejas se reflete em heresias, desvios de conduta, extorsões, crimes contra a palavra e contra os homens, acobertados por leituras deturpadas da palavra que conduzem milhões ao abismo. Antes que este artigo seja taxado de elitista, ressalto que o resgate da cidadania dentro das igrejas em grande parte também é responsabilidade das...


4. Elites cristãs subdesenvolvedoras

Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é o que o SENHOR pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus.

As elites evangélicas brasileiras em sua grande maioria se ausentaram de seu papel enquanto sal da terra e luz do mundo e sua omissão tem custado caro. Enquanto ficamos discutindo se arminianistas ou calvinistas estão certos, se pentecostais ou tradicionais (debate que não faz sentido para a multidão descrita logo acima) o espaço já foi preenchido por outras palavras, outras mensagens, outros líderes.

Nosso evangelho resumido às nossas reuniões, às nossas palavras, à nossa fé, deveria estar somando-se ao evangelho das obras, ao evangelho da ação, ao evangelho maltrapilho feito para os pobres, os doentes, os já excluídos pelo Estado que, se não foram acobertados pelo tráfico, pela criminalidade ou pela prostituição o serão por estes líderes evangélicos. Neste diapasão nosso discurso perde a força que deveria ter pois este “evangelho” da heresia, da frouxidão moral, da falta de educação está literalmente salvando vidas, ainda que por interesses escusos enquanto o nosso...bem, o nosso...

Que Deus tenha misericórdia de nós.

Marcos Paulo Sabiá, em seu blog. [via Bereianos]

Despetalando a última flor do Lácio (86)

Por quantas pessoas o erro da placa abaixo passou despercebido?


Relação nasal

A jovem norte-americana Rachel Welch, de 21 anos, disse que só vai dar o primeiro beijo depois de se casar. Segundo a emissora de TV NBC, ela e o noivo Todd Ritter trocam afetos um pelo outro esfregando os narizes, mais conhecido como 'beijo de esquimó'

Rachel e Ritter, que se conheceram em um grupo de jovens há dois anos, ficaram noivos em dezembro e vão se casar em julho.

Ela disse que não nunca beijou ninguém porque queria que o "primeiro beijo fosse um presente especial" para seu futuro marido.

Ritter, que já beijou outras jovens no passado, disse que respeita a opção de sua noiva

fonte: G1
dica do Francisco Salerno Neto

com perdão pelo tom escatológico, seria a coriza uma espécie de ejaculação nasal? rs
well, duas opções p/ brasileiros bv (bocas virgens) no orkut (sem trocadilho):

alguém poderia me explicar as aspas na segunda comu?

Nome escroto

fonte: Bobagento

Bate, coração

Tristimunho


A voz de Deus salvou do voo 447 da Air France o pastor missionário da Assembleia de Deus em Paris, Gláucio Oliveira, 29 anos. O religioso já tinha reservado um lugar no avião que caiu no Oceano Atlântico, quando recebeu, na última quinta-feira, uma ‘ordem’ para não prosseguir com a viagem. O recado foi dado por uma amiga. Jussara Gonçalvez, 37 anos, participava de um grupo de orações e foi chamada pela colega Renata Carnevale, 30, que dizia ter recebido uma mensagem do Senhor. “Não deixe o varão viajar, a cova dele está aberta. Ele vai morrer”, afirmou Renata. Chorando muito, Jussara ligou na mesma hora para o pastor. Assustado, Gláucio não confirmou a reserva: “Eu ia de TAM no sábado, mas, desde que um amigo, também pastor, morreu num acidente da empresa, eu só voo de Air France, que considerava o melhor avião do mundo. Mas Deus me enviou a Renata, que recebeu a revelação de que, se eu entrasse naquele avião, minha cova estava aberta. Nós só nos vimos uma vez, ela nem sabia que eu ia viajar. Por isso, quando a Jussara me transmitiu a mensagem, fiquei apavorado. Orei a Deus e senti no coração que não devia ir. Ele foi fiel a mim, porque sempre lhe obedeci”. Renata, a mulher que salvou a vida do pastor, está de cama desde a manhã de segunda-feira, quando soube da queda do avião. Por telefone, ela confirmou ter recebido uma mensagem de Deus: “Não foi visão, eu apenas entreguei um recado do Senhor”

Fonte: Jornal Meio-Dia Edição de 3/06/2009
Via: Bereianos


Compartilho da mesma opinião do Ruy, do blog Bereianos. O pastor com cara de nerd (nada contra!), com a "Bíblia Pentecostal" numa mão, a passagem na outra e o sorriso de quem ganhou sozinho na Mega-Sena, é a cara do mundo-cão gospel. Acredito que sem dúvida, Deus o livrou dessa tragédia. Os propósitos só Ele sabe. Mas essa reação extravagante do menino aí da foto é o oposto do que se esperaria de alguém com o status que possui na igreja. Essa matéria e a foto podem ser considerados uma falta de compaixão para com as famílias das vítimas da tragédia. Só fomenta a aversão e o ódio aos cristãos crentes, por claramente trepudiar com esses testemunhos sobre o sofrimento alheio, promovendo a odiosa categorização entre os "filhinhos-de-papai" de Deus e o resto das pessoas, o que absolutamente não é verdade. Muitos vão chiar chamando-me de incrédulo, que não conheço os mistérios de Deus, mandando me converter, e tudo mais... até confesso que preciso mesmo de lapidação em muitas coisas (quem é obra acabada d´Ele neste mundo?), mas não perdi a compaixão pelos que sofrem, e a atitude do sujeito ai em cima na foto em nada lembra o equilíbrio e a misericórdia que deveriam marcar a diferença entre os discípulos de Cristo e aqueles que seguem o curso deste mundo. Ainda mais sendo um pastor e missionário...

4.6.09

Humor de quinta (108)

Aê galera.

O ritmo de festa em família continua e por conta disso tô fora de Sampa. Nos próximos dias o ritmo de postagem vai diminuir e na outra semana retornaremos à programação (a)normal. =)

Se eventualmente seu comentário demorar um pouco p/ ser liberado não precisa surtar nem me mandar assistir ao reality show da Record. rs

A edição de hj contou c/ a participação de vários leitores: Judith Almeida, Lourdes David, Fernando Vieira Pinto, Francisco Salerno Neto e Vinicius Patricio. Muuuito obrigado!

Aproveito tb p/ registrar meu carinho e gratidão aos meus companheiros de subversão. Vi que vários deles já programaram muuuita coisa legal p/ os próximos dias.

big abraço (frio do lado de fora e o coração fervendo de alegria).

Vem ni mim



Explicação prática de como funciona o Twitter (ou qualquer outra rede social), via @Obamis.

O nerd de hoje é o cara rico de amanhã...


... garota, escolha já o seu nerd! ;-)

Uma dica importante para todas as garotas que procuram o homem ideal!

Incompreensível

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Agora é hora de alegria

Melhores momentos da Maisa no Top 5 do CQC em 2008. Aqui tá liberado! =)

Mulheres são de Vênus (91)

Um casal estava dormindo profundamente como inocentes bebês. De repente, lá pelas três horas da manhã, escutam ruídos fora do quarto. A mulher se sobressalta e, apavorada, sussurra para o homem que dorme a seu lado:

- Aaaaaiiiiiii, deve ser o meu marido!!!

O homem se levanta rapidamente e, ensandecido, pula pelado pela janela e cai em cima de uma planta com espinhos. Em poucos segundos, todo machucado, ele volta irritado e diz à mulher:

- Sua louca… teu marido sou eu!!!

- É?!?!? E pulou a janela por quê?

(Consciência pesada é um problema sério!)

Flecha ligeira

Os chefes índios (da América do Norte) estavam reunidos dentro da tenda fumando o tradicional cachimbo da paz…

De repente entra uma índia muito bonita e grávida na tenda. Um dos chefes, no melhor estilo índio americano, dá um trago na erva, levanta uma das mãos e fala:

— How!

No que, prontamente, um outro chefe responde:

– How I know, who I don´t!

Ela sabe usar seus conhecimentos...

Minha irmã (a mãe) estava à porta do quarto e viu a cena: Léri (2) deitadinha na cama da Vic (7), tomando uma mamadeira de suco, e a Vic fazendo cafuné no rostinho dela, dizendo muito suavemente:
- Olha a testinha dela… Olha o olhinho dela… Olha a bochechinha dela… Olha a boquinha dela… Olha as papilas gustatórias ocupadas com o suquinho dela…
Seja lá onde ouviu isso, ela sabe mesmo usar seus conhecimentos científicos.

Não despreze seu cão!

Um cão rejeitado é capaz de tudo!

Pra frente, Brasil

Taí o logotipo da Copa de 2014... =)

Homens são de marte (124)

Um homem tinha três namoradas e não sabia com qual delas deveria se
casar.
Resolveu, então, fazer um teste para ver qual estava mais apta a ser sua
mulher.
Tirou R$ 15 mil do banco, deu R$ 5 mil para cada uma e disse:

- Gastem com o que quiserem.

A primeira foi ao shopping, comprou roupas, jóias, foi ao
cabeleireiro,salão de beleza, etc..

Voltou para o homem e disse:

- Gastei todo o seu dinheiro assim para ficar mais bonita para você,
para lhe agradar.Tudo isso porque amo você.

A segunda foi ao mesmo shopping, comprou roupas para ele, um CD
player,uma televisão tela plana, dois pares de tênis para jogar basquete,
tacos de golfe e filmes pornô.

Voltou para o homem e disse:

- Gastei todo o seu dinheiro assim para lhe fazer mais feliz, lhe
agradar.Tudo isso porque amo você.

A terceira pegou o dinheiro e aplicou em ações..

Em três dias duplicou o investido, retornou os R$ 5 mil para o homem e
disse:

- Apliquei o seu dinheiro e ganhei o meu. Agora posso fazer o que quiser
com o meu dinheiro.

Tudo isso porque eu amo você.

Então o homem pensou,

Pensou....

Pensou...

Pensou.. ....

Pensou.....

Pensou....

Pensou....

Pensou....

Pensou....

Pensou..

Pensou....

(homens demoram para pensar....)

Pensou....

Pensou....

Pensou.

Pensou.....

Pensou....

Pensou ..

Pensou....

Pensou.

Pensou....

Pensou....

Pensou .....

Pensou....

Pensou.

Pensou...

Pensou....

Pensou ....

Pensou....

Pensou. ......

Pensou. .....

Pensou....

Pensou .. .....

Pensou.... ........

Pensou. ..........

Pensou.... .......

Pensou.... ......

Pensou ...

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Pensou. ......

Pensou....

Pensou..

Pensou ...

Pensou....

Pensou.

Pensou....

Pensou....

Pensou ......

Pensou....

Pensou....

Pensou....

Pensou....

Pensou .....

Pensou...

Pensou.

Pensou....

Pensou....

Pensou ...

Pensou....

E escolheu aquela que tinha a bunda maior!!

Homem é tudo igual mesmo!

Quem te viu, quem TV

3.6.09

Contingência e o vôo 447


O mundo está em choque. De novo a contingência mostra sua cara na tragédia do vôo da Air France. Vale lembrar: contingência significa que os acontecimentos não são sempre necessários. Quando ocorre alguma coisa sem uma razão que a explique ou justifique. Contingência gera imprevisto; fatos que escapam à engrenagem da causa e do efeito. Um avião cai porque o mundo é contingente, não porque tenha sido vítima do destino ou de um plano de Deus.

Diz-se no senso comum que as pessoas só morrem quando chega a hora. Caso isso fosse verdadeiro, o destino reuniu em uma aeronave as pessoas que deveriam morrer naquele dia. Isso daria à fatalidade um poder apavorante. Impossível pensar que gente de mais de trinta países entrou no vôo 447 sem saber que obedecia a uma força cega, que determinava aquele como o último dia de suas vidas.

Igualmente, acreditar que Deus permite a queda do avião porque tem algum propósito, soa esquisito. Cada pessoa, com histórias, projetos, sonhos, foi arrancada da existência para que se cumprisse qual objetivo? Um objetivo macro? Isto é, para que a humanidade aprendesse ou se arrependesse? Isso faria com que as biografias fossem descartáveis, desprezíveis. O Divino Oleiro, sem precisar se explicar, afogaria tanta gente para conduzir a macro história para o fim glorioso? Sim? Mesmo que exista esse deus, eu não o quero.

Também, algumas pessoas aceitam que Deus tem um plano para cada morte individual. Verdade, ele é Deus, tem todo o poder e é capaz de reunir, em um só lugar, quem deveria morrer. Mas também é bom. Então todos os passageiros foram eleitos para cumprir qual bem? Satisfaz pensar que o bem de ceifar tantas vidas, mesmo sem nenhum sentido do lado de cá, está garantido na eternidade? (Deus sabe o que faz?!?!) Como explicar tal conceito para pais, filhos e parentes desolados? Todos acorrentados à trágica realidade que lhes roubou de seus queridos.

A idéia de que Deus tem um plano para cada morte se esvazia diante dos números. Um avião caiu, mas o que dizer dos incontáveis acidentes de todos os dias? O que dizer das balas perdidas que aleijam transeuntes? E dos erros médicos ou dos acidentes de trânsito? Recentemente uma senhora de nossa comunidade caiu da laje da casa em construção. Ela fotografava a obra para que a filha ajudasse com as despesas do acabamento. Quebrou a coluna e ficou paraplégica. A última explicação que se poderia dar é que Deus tinha um plano em deixá-la paralítica.

Jesus nunca cogitou o mundo sem contingência. Pelo contrário, não atrelou a queda de uma torre aos desígnios divinos; não disse que a cegueira do homem era consequência causal das ações interiores, dele ou de seus pais; advertiu que os seus discípulos enfrentariam tempestade, aflição e morte.

Contingência é o espaço da liberdade, portanto, da condição humana. Sem contingência nos desumanizaríamos. A consciência do risco de adoecer e da imprevisibilidade da morte súbita é o preço que pagamos por nossa humanidade.

O desastre do avião mostra a inutilidade de pensar que o exercício correto da religião e a capacidade tecnológica mais excelente sejam suficientes para anular a contingência. Nossa vida é imprecisa e efêmera. Portanto, vivamos intensamente. Cada instante pode ser o último – Carpe Diem!

Soli Deo Gloria

Ricardo Gondim
Texto original em seu site

Um voo trágico nos faz repensar a vida

“Com sorte, você atravessa o mundo. Sem sorte não atravessa a rua”
(Nelson Rodrigues)

Ontem foi um dia diferente para todos nós. Um dia mais duro. Em que se acorda com a notícia de que um avião sumiu no oceano com 228 pessoas a bordo. Famílias, casais enamorados, oito crianças, um bebê, passageiros mal-humorados, outros de bem com a vida, os que tossem, os que roncam e os que não dormem. Gente que ia e gente que voltava. O avião saíra do Rio, ia para Paris, e desapareceu do radar na altura de um de nossos paraísos, o arquipélago Fernando de Noronha. Tempestade em “zona de convergência intertropical”, raios, trovões, pane elétrica, nuvens espessas – as chamadas cumulus nimbus – e o sumiço nas águas. Ou no céu. Uma das hipóteses é que o Airbus A330 da Air France tenha se desintegrado no ar antes de cair no Atlântico.
Meu filho de 22 anos, candidamente, me disse, sentado a meu lado em frente ao computador.
“Mãe, da próxima vez que você viajar, sei lá, olha antes a meteorologia”.
Faço muito essa rota, sempre pela Air France. Vivi em Paris como correspondente vários anos.
Eu respondi: filho, quando tem que ser…
Há gente que passa a vida inteira sem viajar de avião por medo. E pode acabar atropelado na calçada. Vamos morrer todos um dia e, como diz um amigo meu, o psicanalista Luiz Alberto Py, “é mais saudável sentir medo do provável que do possível”. Possível tudo é. Nunca senti medo de voar. Costuma me bater uma calma até estranha quando me sento no avião. Lembro uma vez, quando viajava com meu ex-marido físico (cujas mãos ficam suadas ao voar) e ele me disse: “Não, Ruth, você está de provocação. Vai começar um capítulo do livro na hora de aterrissar?”
Há dois anos, fiz um vôo de asa-delta, saltando da Pedra da Gávea, com um instrutor. Sobrevoei um vulcão no Chile com um Cessna, em dia de ventania, vendo a lava fumegante. Fiz várias “loucuras”, como descer de helicóptero militar numa zona minada em Angola em tempos de guerra, ou andar num carro dirigido pelo inglês Nigel Mansell no circuito de Interlagos com a pista molhada. Não me lembro de ter sentido medo, apenas adrenalina. O jornalista costuma ser, sim, um pouco irresponsável com a própria vida. Mas a vive com paixão.
Esses passageiros que iam para Paris não faziam nenhuma loucura. Como ouvi ontem de um especialista, é mais fácil morrer voltando de táxi para casa do aeroporto, depois de perder o avião por alguma eventualidade. Cerca de 85 mil aviões comerciais decolam por dia no mundo. Este não chegou ao destino.
Entre os 58 brasileiros que embarcaram no Galeão, havia, como em todos os voos, gente nascida em vários estados, de todas as idades, para quem Paris significava trabalho, prazer, volta para casa, ou simples escala de conexão. A jovem Ana Carolina, de 28 anos, trabalhava em comunidade carente no Rio com crianças e jovens envolvidos com violência armada. A família gaúcha Chem – cirurgião plástico, psicóloga e filha executiva – ia para a Grécia passar um mês de encantamento. Havia um oceanógrafo. O maestro que iria reger em Kiev, na Ucrânia. Uma cantora e dançarina. Professores universitários, engenheiros, executivos. Um deles, da Vale, ia a Paris receber um prêmio. Um Orleans e Bragança, descendente de dom Pedro II. Um casalzinho em lua de mel – a cerimônia tinha sido no sábado. Também estavam no voo 447 alguns brasileiros que voltavam para a Europa após visitar as famílias no Brasil. Mais e mais fragmentos de vida vão surgir e nos entristecer esta semana.
A tragédia do Airbus A330 não apenas nos enche de dor. Ela nos confronta com nossa fragilidade. Dá medo sim. De sumir, de deixar de existir para quem amamos sem ter tempo de mandar um SMS, e de fechar precocemente a agenda da vida quando ainda há tanto a fazer. Mesmo os jovens, que se julgam imortais, imunes a quase tudo, sentem um aperto. Num momento assim, quem brigou faz as pazes. Quem se lamenta por frivolidades dá um tempo. Há uma celebração interna por estar vivo. E me invade uma tremenda vontade de continuar aproveitando tudo com intensidade.
Como dizia nosso grande cronista Nelson Rodrigues, “sem paixão não dá nem pra chupar um picolé”.
Você é apaixonado pela vida? Ainda tem tempo.

Ruth de Aquino, no blog Mulher 7 x 7.
dica do Henrique Neiva

A manteiga como afrodisíaco

Nos bastidores da novela Poder Paralelo, da Record, desenrola-se uma inusitada "guerra do sexo". De um lado está o autor Lauro César Muniz, apoiado pelo diretor Ignácio Coqueiro e pelo elenco. De outro, os bispos que dirigem a emissora, ligada à Igreja Universal do Reino de Deus. Sob a justificativa de que a história é "adulta", Muniz carregou na pimenta. A cúpula da Record reeditou capítulos à revelia do noveleiro, para extirpar cenas de nudez e falas de conteúdo sexual explícito.

Recentemente, Muniz irritou-se com o corte de uma sequência em que o delegado Téo (Tuca Andrada) fazia comentários sobre a calcinha da namorada. O caldo entornou de vez há dez dias, quando a atriz Paloma Duarte abandonou a gravação porque fora suprimida uma cena com insinuações de lesbianismo. Diante da revolta dos artistas, chegou-se a um meio-termo: a cena foi gravada com menos cortes do que a emissora gostaria. Deverá ir ao ar nesta segunda-feira.

Na cúpula da Record, há uma certa divisão entre bispos pudicos e liberais. Tudo indica, porém, que na decisão de tesourar cenas ousadas o que prevaleceu não foram considerações teológicas, mas razões comerciais (nas quais as duas facções concordam). Os bispos temem que o sexo afugente os espectadores, supostamente de perfil conservador, das classes C, D e E, seu público-alvo.

A maneira como a direção da emissora promoveu os cortes foi desastrada. Tudo foi feito à revelia do núcleo criativo da novela, que agora incorporou um espírito de desforra: o sexo está mais presente do que nunca, ainda que apenas à contraluz. Mas também não há por que tachar os bispos de censores neste episódio. Os pedaços ceifados não fazem falta à narrativa.
O espectador foi poupado de frases como "a gente está no cio", digna de uma canção de Wando. E, mesmo com os cortes, ainda vão ao ar diálogos como o que se viu na última terça-feira: numa alusão à cena famosa do filme Último Tango em Paris, um personagem sugeriu à sua patroa o uso de manteiga numa relação sexual. Precisa mais?

fonte: Veja

Michael Feliciano


O famigerado Felicity (um dos inúmeros apelidos carinhosos dados ao Marco Feliciano por alguns blogueiros) em sua trajetória metrossexual.

P.S. qualquer semelhança é mera coincidência ou vice-versa (rs)

[via a imagem no Púlpito Cristão]

Jornalista desempregado (242)


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colaboração: Ana Rafaela

Devemos ser mais sutis

– Minha idéia – disse o roteirista – é explorar uma espécie de diferente de totalitarismo. Algo insidioso e sutil, que evite por inteiro aqueles discursos dramáticos de ditador diante de uma multidão cega. A idéia na verdade é ocultar até o final a identidade do ditador.

– O problema é que todas as histórias de totalitarismo já foram contadas – observou o diretor, com cautela. – Nos nosso dias, depois da morte das ideologias, o público do ocidente desenvolveu um faro apuradíssimo para populistas e cafajestes. Quando o seu ditador começar a abrir as asinhas qualquer espectador será capaz de farejá-lo a quilômetros de distância.

– Hitler começou com alguma sutileza. Ele não aboliu as instituições imediatamente, mas criou organizações paralelas aparentemente inofensivas que acabaram engolindo as entidades oficiais.

– Hitler começou incendiando o edifício do Parlamento e anulando os direitos civis. Não há muito de sutil nisso.

– Devemos então ser mais sutis.

– Isso sem dúvida – o diretor puxou do bolso o maço de cigarros.

– Na Alemanha de Weimar a postura geral em relação à República era de desconfiança e ressentimento – disse o roteirista, inclinando-se para a frente. – As pessoas sentiam falta da segurança da monarquia e da autoridade unânime do Kaiser, e desconfiavam com a mesma intensidade da democracia que os vencedores lhes haviam aplicado goela abaixo. Eram gente acostumada a obedecer e venerar uma única figura carismática, e puderam assim sem qualquer trâmite abraçar a retórica de Hitler.

– Precisamente – o diretor puxou um cigarro, segurou entre os dedos e passou a batê-lo gentilmente na superfície da mesa. – Hoje em dia vivemos no extremo oposto do espectro. O que os alemães de Weimar desconfiavam da democracia, nós desconfiamos do totalitarismo.

– A não ser que, como na Alemanha de entre as guerras, as circunstâncias encontrem o ditador certo.

– Não, não. Tarimbados como estamos, nem mesmo a crise atual bastará para cairmos na armadilha de um Mussolini. Os direitos civis são agora religião, a única coisa sagrada que resta. O sujeito que quiser aboli-los será o primeiro a ser abolido. Fale uma palavra contra a democracia nesse seu roteiro, e você vai ver.

– E faz sentido que tenhamos criado esses mecanismos, porque historicamente foram as ações populares que restauraram periodicamente o equilíbrio de sistemas e governos doentios. Pense na Revolução Francesa, nas revoltas pela abolição…

– A própria Resistência – o diretor acendeu o cigarro e puxou um trago solene.

– Exato. As ações populares servem para equilibrar os governos, mas este é um processo cujos extremos não conhecemos. Imagine um mundo em que a participação dos cidadãos torne-se tão pulverizada que passe a reverter os pratos da balança.

– Não estou entendendo – o diretor reclinou-se para trás, equilibrando no encosto da cadeira o braço do qual pendia o cigarro. – De que mundo estamos falando?

– Imagine um mundo – prosseguiu o roteirista – em que o cidadão espere que o respeito que lhe prestam não seja um bem a ser adquirido pela sua postura pessoal, mas um serviço dos outros que cabe ao governo fazer cumprir. Um mundo em que a proliferação de direitos individuais acabe cerceando o bem comum, ao invés de promovê-lo.

Uma ruga de compreensão e assombro formou-se na testa do diretor.

– Num mundo assim – ele disse, – os pais processam a polícia pelos delitos dos filhos.

– Isso mesmo – celebrou o roteirista. – Uma sociedade litigiosa. Numa sociedade dessa natureza todos se tornam delatores potenciais de todos, precisamente como, digamos, no totalitarismo soviético. A diferença é que o que motivava um delator soviético era o fato de que todos os direitos haviam sido subtraídos de todos; numa sociedade litigiosa o que motiva o delator é que todos os direitos foram outorgados a todos. O negativo é agora positivo.

– E portanto mais atraente.

– E portanto irresistível. A vigilância é onipresente, não porque o governo está em todo lugar, mas porque o povo está.

– Se o meu direito termina onde começa o direito do outro – o diretor apagou o cigarro no canto da mesa, – onde há apenas direitos todos são plenamente cerceados por eles. Nada acontece.

– Nada acontece que não seja potencialmente litigioso – corrigiu o roteirista. – Ou seja, todos apelam continuamente para que o governo garanta os seus direitos.

– E o papel do povo numa democracia, que era policiar os excessos do governo, é revertido. O governo se vê obrigado a julgar os excessos do povo.

O roteirista recusou-se a acrescentar alguma coisa.

– Meu Deus – disse o diretor, puxando novamente o maço de cigarros do bolso.

– Precisamente – disse o roteirista.

Paulo Brabo, no site A bacia das almas

... é só ler de novo!

Maracutaias apostólicas (42)

Renascer na terra do Senhor do Bonfim

A Igreja Renascer em Cristo – aquela do casal Hernandes, que foi preso nos Estados Unidos com dinheiro até dentro da Bíblia e cujo fiel mais célebre é Kaká – está mandando para a Bahia o seu principal braço político, o deputado federal Bispo Gê Tenuta. Consolidada em São Paulo, onde tem mais de 180 templos, a Renascer focará agora a expansão para o Nordeste, a partir da terra do Senhor do Bonfim.

fonte: Veja

episódios recentes na vida do bispo agá.

- lauro jardim disse na veja que o gê não iria concorrer a reeleição e que a bispa sonia seria candidata a deputada federal p/ obter foro especial. a igreja desmentiu.

- o ford focus da esposa dele pegou fogo na garagem. a hipótese de atentado foi descartada.

- após o desabamento do tetao da sede da igreja ele pediu desculpas pelas agressões de fiéis contra jornalistas.

- contratou os filhos do casal apostólico e outros parentes desocupados deles como funcionários-gasparzinho em seu gabinete. os oito receberam + de R$ 1 milhão sem exercer qq atividade.

- homem de fé, bispo gê viu seu patrimônio crescer 248% nos quatro anos de mandato. um verdadeiro exemplo de prosperidade apostólica.

- nas eleições de 2006 ele concorreu sob o número 2512 e usou o criativo slogan "lembre do natal". melhor lembrar de um pouco +. =)

O que a gente faz fala muito mais do que só falar (5)

Veja como entrar em contato com os projetos sociais apresentados na série 'Os Evangélicos'

Caso você queira saber mais sobre os projetos sociais apresentados na série de reportagem 'Os Evangélicos', o site do Jornal Nacional disponibiliza abaixo os contatos:

Projetos apresentados na primeira reportagem:

Missão Evangélica Caiuá, em Dourados (MS)

A missão tem cinco escolas e dois hospitais no meio da mata, um hospital voltado para atender crianças desnutridas. Nas escolas, eles ainda recebem reforço alimentar.

Contatos: reverendo Benjamin Benedito Bernardes - (67) 3421-4197 Presbítero Clineu Aparecido Francisco - (11) 9148-3044

Assembleia de Deus - projeto com músicos (RJ)

A igreja Assembleia de Deus tem um projeto de música completamente voltado para seus fiéis. Todas as igrejas possuem escolas de música, professores, instrumentos e aulas diárias. Boa parte desses alunos acaba integrando o próprio coral da igreja.
Contatos: Ester - (21) 2187-7070 / (21) 8844-0148 Luis Carlos - (21) 9521-0754

Projeto apresentado na segunda reportagem:

Igreja Evangélica Metodista - Projeto Viaduto do Pedroso (SP)

O Viaduto Pedroso foi transformado em um espaço para atender moradores de rua. Por ano, são aproximadamente 19 mil atendimentos. Tem cozinha, dormitórios separados para homens e mulheres, leitos para bebês e suas mamães. Os moradores de rua passam a noite no albergue. Durante o dia, são oferecidos cursos profissionalizantes, como marcenaria, e consultas médicas.
Contatos: Pastora Joana Meireles e Eula Gomes da Silva, secretária da pastora - (11) 2813-8600 / (11) 2813-8630.

Projetos apresentados na terceira reportagem:

Igreja Evangélica Batista – Projeto Reame, em São Gonçalo (RJ)

Crianças encaminhadas pelos conselhos tutelares são acolhidas e, com a ajuda de mães sociais, são levadas para escolas da comunidade, participam de aulas de música e esporte. Médicos e psicólogos voluntários também contribuem.
Contatos: Fernando Brandão – (21) 8702-5971 / (21) 2107-1831. Gislaine Monteiro Freitas – (21) 2702-0044 / (21) 9912-8598

Centro Adventista de Desenvolvimento Comunitário (Cadec), no Rio de Janeiro

Os trabalhos estão concentrados em quatro áreas: educação, reforço alimentar, geração de renda e inclusão digital. São mais de 500 pessoas atendidas, entre crianças e adultos. O Cadec está numa comunidade de Guaratiba há quatro anos. Todas as atividades são gratuitas.
Contatos: Pastor Jairo – (21) 2199-3551 / (21) 8121-7048 Cadec – (21) 3108 2591 Pastor Walmor – (21) 8214-3797 / (21) 2199-1009 Pastor Artur – (21) 8269-5779 / (21) 2131-7848

Projeto apresentado na quarta reportagem:

Fundação Luterana de Diaconia - Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor (CAPA) - São Lourenço do Sul e Pelotas (RS)

Comunidades do Rio Grande do Sul - assentados, indígenas, quilombolas, agricultores familiar - aprendem o cultivo de produtos orgânicos e formam cooperativas para comercializar toda a produção.
Contatos: Susanne Buchweitz - (51) 3225-9066 / (51) 9107-2511
Rocheli Wachholz - (53) 9122-4491 / (53) 3272-3930 / (53) 3027-1895

Fonte: Jornal Nacional
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