Mostrando postagens com marcador quadrinhos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador quadrinhos. Mostrar todas as postagens

17.4.10

Jovens Santos



Imagem do ilustrador Julio Shiiki (acima) e o manga "Jovens Santos" que virou um sucesso no Japão graças à aparência do personagem, que lembra um Buda do subúrbio e divide o apartamento com outro que é Jesus Cristo

Japão é um dos poucos países que consegue congregar tantas tendências ao mesmo tempo, de encontros românticos com namoradas virtuais e homens herbívoros a fotos de mulheres grávidas. Nos últimos meses, as mulheres japonesas estão gastando milhões de ienes comprando livros, revistas, gravuras e estátuas do Buda.

Mas não qualquer Buda. As japonesas estão dispostas a gastar desde que a figura em questão seja o Bosatsu danshi, ou menino Buda, uma criatura iluminada que “tem um rosto bonito, pele macia, corpo delgado, mas não muito feminino e um olhar penetrante”. A descrição apareceu na revista feminina An-an e só reforçou a onda nada espiritual pelo “homem ideal”.

A tendência vem desde o ano passado, mas ganhou força com exposições e lançamentos com imagens desse Buda. Uma exposição no Museu Nacional de Tóquio, “National Treasures, The Ashura Exhibition”, que contava com uma estátua do deus do caos Ashura foi uma sensação. Próximo da descrição desse homem ideal, bastou isso para que um milhão de pessoas fossem à exposição, que teve ingressos esgotados, e comprassem mais de 15 mil estátuas a R$ 60 em duas semanas. Agora, essas estátuas são vendidas por mais de R$ 200 nos sites de leilão online.

Calendários com imagens do jovem Buda são vendidos por suas “propriedades calmantes”. Até uma artista de manga, Hikaru Nakamura, vendeu mais de 320 mil cópias de “Jovens Santos”, uma história em quadrinhos que tem Buda como um jovem solteiro que mora nos subúrbios de Tóquio – levando até o prêmio de melhor manga de 2009. Mais do que os ensinamentos divinos de Buda, as japonesas encontraram um modo de consumir o novo visual em uma indústria que está gerando milhões de ienes.

Fonte: Época

A história de Jesus no estilo mangá já foi publicado no Brasil, chama-se Mangá Messias. Quem acha que Jesus hoje não moraria no Japão, mas sim na Inglaterra, deve conferir esse post.

25.3.10

Conselho de Pavarini...

clique nas imagens p/ ampliar
fonte: Karapuça Zine

... é como diz o velho adágio, se fosse bom era vendido! =)

2.3.10

Islamismo criativo

O momento em que a estudante Neda Soltan, caída no chão de asfalto em Teerã, revirou os olhos para o alto e começou a sangrar pela boca e pelo nariz tornou-se o símbolo maior dos protestos que se seguiram às fraudulentas eleições de junho de 2009 no Irã. Foi naquela época que a HQ Zahra’s Paradise, idealizada por um escritor iraniano e um cartunista árabe, começou a ganhar forma. A história fictícia trataria da busca de uma mãe, Zahra, por um filho, Mehdi, desaparecido durante as manifestações.

Não só a agonia da jovem teve influência, mas também o modo como as imagens chegaram ao público, postadas horas depois do ocorrido no YouTube e linkadas ao Facebook e ao Twitter para, só então, repercutirem nos meios tradicionais.

Em vez de esperar dois anos até a finalização e a publicação de uma graphic novel de 160 páginas, a editora norte-americana First Seconds resolveu seguir o exemplo do iraniano que jogou as cenas na rede e, do papel, o projeto migrou para a internet. O primeiro capítulo foi ao ar na sexta-feira passada, em página na internet, e novos episódios serão publicados todas as segundas, quartas e sextas-feiras pelos próximos 18 meses, quando, enfim, ganharão versão impressa.

É a maneira certa de chegar ao público, acredita o editor da HQ, Mark Siegel, numa época em que a realidade não se dissocia das novas mídias. "Quando o que aconteceu em Teerã foi tuitado e postado em blogs, o mundo teve a possibilidade de ver coisas que regimes repressivos como o dos aiatolás em geral escondem", diz Siegel ao Estado, de Nova York. O método permite também que a trama, que avançará no tempo até coincidir com os dias finais da publicação on-line - prevista para agosto de 2011 -, seja adaptada ao desenrolar dos fatos. Embora o fim esteja definido, as reviravoltas no governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad e do líder supremo Ali Khamenei podem levar a HQ a ganhar contornos inesperados.

Os autores de Zahra’s Paradise assinam os quadrinhos apenas com os primeiros nomes, Amir e Khalil. Com familiares na região em conflito, temem represálias. Embora a autora iraniana Marjane Satrapi tenha aberto portas com sua HQ Persépolis - cuja trama se passa em 1979, pré-Revolução Islâmica -, a situação é diferente. "Ela deu uma voz nunca antes imaginada à geração dela naquele lindo trabalho autobiográfico. Nossos quadrinhos são fictícios, mas, ao mesmo tempo, tratam da história de todo mundo. A maior dificuldade é que diz respeito ao momento presente", diz Amir por telefone ao Estado, com sua fala que, suave e cuidadosa, chega a beirar o inaudível.

Amir é também jornalista, documentarista e ativista de direitos humanos. Antes de se estabelecer nos Estados Unidos, passou temporadas no Afeganistão, no Canadá e na Europa. Khalil, de origem árabe, faz cartuns desde muito jovem, embora Zahra’s Paradise seja sua primeira graphic novel, e também tem obras como ceramista e escultor. Os dois têm certo reconhecimento nos EUA - mas a HQ eles só assinarão com seus nomes completos caso a situação mude bastante no Irã. Leia +.

Fonte: O Estado de S.Paulo


Instrumento de resistência e libertação, a arte mudou de forma na era da internet. Essa HQ mostra bem que o mundo de hoje não espera por super-heróis, só pela verdade.
Blog Widget by LinkWithin