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7.5.10

Parabéns, mamãe...



Agora só falta a versão gospel da "homenagem"...

5.5.10

A sociedade atual é pedófila

No primeiro dia da 48ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o arcebispo de Porto Alegre, dom Dadeus Grings, instaurou uma grande polêmica ao falar sobre as denúncias de pedofilia contra padres. Presidente da comissão responsável pelo tema principal da reunião -- a missão da Igreja no mundo -, Dom Dadeus disse que "a sociedade é pedófila". Para ele, o abuso sexual de crianças e adolescentes é mais frequente entre médicos, professores e empresários do que entre sacerdotes.

- A sociedade atual é pedófila, esse é o problema. Então, facilmente as pessoas caem nisso. E o fato de denunciar isso é um bom sinal - disse.

Dom Dadeus, de 73 anos, criticou a liberalização da sexualidade por "gerar desvios de comportamento", entre os quais a pedofilia. Para ele, assim como homossexuais conquistaram mais espaço e direitos, o mesmo poderá ocorrer com pedófilos.

- Quando a sexualidade é banalizada, é claro que isso vai atingir todos os casos. O homossexualismo é um caso. Antigamente não se falava em homossexual. E era discriminado. Quando começa a (dizer) que eles têm direitos, direitos de se manifestar publicamente, daqui a pouco vão achar os direitos dos pedófilos - disse.

O arcebispo foi escalado pela CNBB para conceder a primeira entrevista coletiva da conferência, com outros três bispos. Dom Dadeus deixou claro que o abuso sexual de crianças e adolescentes é crime e deve ser punido. Mas admitiu que a Igreja tem dificuldade de cortar a própria carne, ao lidar com denúncias contra religiosos. Segundo ele, punições internas são adotadas, mas denunciar os casos à polícia é mais complicado. - A Igreja ir lá acusar seus próprios filhos seria um pouco estranho.

Dom Dadeus disse que, na Alemanha, apenas 0,2% dos abusos sexuais contra crianças foram praticados por sacerdotes. Ele crê que os casos de pedofilia viraram um calcanhar de Aquiles e estão servindo para quem quer atacar a Igreja e valores como a castidade:- Há uma anomalia na sociedade humana e que deve ser corrigida. Agora, não é justo dizer que só a Igreja que tem. Não é exclusividade da Igreja. A Igreja é 0,2%.

Conhecido por suas posições conservadoras, o arcebispo afirmou que a homossexualidade é inata apenas em pequena parte dos gays. Na outra parte, segundo ele, a opção sexual é resultado da educação recebida:

- Nós sabemos que o adolescente é espontaneamente homossexual. Menino brinca com menino, menina brinca com menina. Só depois, se não houve uma boa orientação, isso se fixa. Então, a questão é: como vamos educar nossas crianças para o uso da sexualidade que seja humano e condizente?

Indagado sobre a afirmação de dom Dadeus de que a sociedade é pedófila, o arcebispo do Rio, dom Orani Tempesta, porta-voz da 48ª Assembleia, reagiu: - É uma afirmação complicada, tem que ter dados para verificar isso.

Para dom Orani e o bispo de Araçuaí (MG), dom Severino Clasen, os abusos envolvendo padres são parte de problema que atinge diversos segmentos.- Isso nos frustra e machuca muito - afirmou dom Severino. - O que nos envergonha é também o que nos leva a ter esperança de novos tempos.

Em carta enviada à CNBB, o presidente Lula pediu orações aos bispos para que o brasileiro tenha "a luz e a sabedoria" para escolher seu sucessor . Lula mencionou o seu alto índice de popularidade e disse que reflete o fato de que o povo cada vez mais participa de um "banquete antes restrito a minorias". Lula citou a "grave crise política e ética" em Brasília, referindo-se ao escândalo do mensalão do DEM.

Fonte: O Globo

Não sei o que é pior, ouvir o bispo dizer "só 0.2%" ou o Lula falando em "crise ética". Em que mundo eles vivem?

4.5.10

Que falta de sacanagem!

Primeiro vamos ao vídeo que inspirou este post, volto logo em seguida:



Isso que você acabou de assistir (ou que já havia assistido em algum outro lugar) virou hit no You Tube, Trending Topic no Twitter e sensação na internet, merecendo os seus 5 minutos de fama. Sim, porque nesse mundo virtual de celebridades efervecentes, os 15 minutos foram diminuídos para 5, caso contrário não caberia todo mundo.

Vou fazer uma pausa pra você poder parar de rir de tanta coisa ridícula junta. Pronto, melhor? Então vamos falar o mais próximo de "sério" que é possível sobre esses pré-adolescentes e adolescentes de hoje em dia.

Já dizia Nelson Rodrigues que o jovem tem "todos os defeitos do adulto e mais um: o da imaturidade". Concordo com ele e acrescento: alguns adultos continuam adolescentes mesmo depois de velhos.

Mas eles não são o assunto, o assunto hoje são os adolescentes propriamente ditos, esta geração tão bem representada nesse vídeo. Já tive essa idade e quem me lê, se não morrer antes ou se não estiver me acompanhando através de uma sessão espírita, também já teve ou terá. Lá pelos 12, 13 anos começamos a descobrir o mundo. Tudo é novidade, portas, janelas e zíperes começam a se abrir à nossa frente e, na ânsia pela liberdade necessária para tantas descobertas, viramos pequenos e insuportáveis rebeldes. Era assim no tempo dos nossos avós, foi durante o nosso tempo e assim será enquanto o sol brilhar.

Curtimos ouvir bandas de rock no último volume, nos trancamos no quarto, sofremos paixonites, só andamos em turma, tudo isso é comum, o que não é comum é a imaturidade extrema, a idiotice estratosférica, o linguajar de silvícola e a comunicação escrita digna de babuínos treinados que essa "galera" atual exibe com o orgulho de uma besta quadrada babando sua saliva asinina.
Escrevem como imbecis, comportam-se como imbecis e nem pra demonstrar rebeldia conseguem sair do circuito MTV. Podem me chamar de saudosista, podem falar o que bem entenderem, mas a turma que foi adolescente junto comigo tinha sim, ídolos roqueiros, enchia salas de espetáculo, andava atrás deles, mas era diferente.

Basta pegar uma letra, qualquer letra de qualquer música, da Legião Urbana, Plebe Rude, Camisa de Vênus, Paralamas do Sucesso, Titãs, Ira! e comparar com essas bandinhas cultuadas agora como Restart, NX Zero, Hori e o escambau, e teremos quase certeza que as mulheres grávidas de 1995 pra cá sofreram os efeitos de algum tipo de radiação. Leia +.

Marcos Vinícius, no blog Contra a Correnteza.

acrescentando parênteses ao que já dizia Renato Russo: "vamos celebrar a estupidez (adolescente) humana..."

2.5.10

“Eu sou maconheiro, com muito orgulho, com muito amor”

Minc critica "guerra às drogas" em passeata no Rio

O deputado estadual (PT-RJ) e ex-ministro do meio ambiente Carlos Minc criticou a "guerra às drogas, na tarde deste sábado, durante uma passeata pacífica em prol da legalização do consumo e cultivo da maconha.

A manifestação aconteceu na Avenida Vieira Souto, em Ipanema, Rio de Janeiro, e contou com 3.000 pessoas, segundo a organização do evento. A Polícia Militar estima 1.500.

Liderados por um carro de som e pelos trompetes e saxofones da banda Orquestra Verde, os participantes seguiram do Jardim de Alah até o Arpoador. “Eu sou maconheiro, com muito orgulho, com muito amor” foi um dos gritos mais repetidos pelo grupo. “Ei, polícia, a maconha é uma delícia” também foi ouvido diversas vezes na avenida.

“A política de drogas atual não é democrática, não é preventiva, não é eficiente", declarou Minc durante a marcha. "As pessoas não consomem menos drogas, os traficantes não estão menos poderosos”.

“A maconha pode ser legalizada e o consumo ser descriminalizado. São essas políticas que enfraquecem os traficantes”, completa o deputado.

Para o sociólogo Renato “Cinco” Athayde, um dos organizadores da passeata, a proibição do consumo e cultivo da maconha é uma política defasada. “Nós apoiamos a legalização, e não a liberação. São coisas diferentes. Legalização pressupõe regularização. É a descriminalização, com o objetivo de restabelecer o controle. Os recursos usados nesta guerra brutal contra o tráfico podem ser melhor aplicados, como na prevenção do vício, na redução de danos, do tratamento dos viciados”, argumenta.

A maioria dos participantes da marcha era adulta, mas alguns idosos e até crianças também estavam lá. “É a luta contra a ignorância. A maconha é uma planta como qualquer outra e a gente tem que tem o direito de fazer o que quiser com ela, desde que não cause mal a ninguém”, opina Felipe Viana enquanto caminhava com seu filho carregado no ombro.

Cerca de 40 policiais garantiram a segurança do evento, que transcorreu sem maiores incidentes. O único registro de ocorrência foi o flagrante de um jovem que pichava um banco no canteiro central. Ele foi retirado da passeata pela polícia e teve seu material apreendido.

Daniel Milazzo, no UOL.

1.5.10

Fé 1 X 1 Ciência

Ninguém deixa Charles Darwin em paz. Mesmo 151 anos após a publicação de "A Origem das Espécies", ainda há quem argumente contra sua teoria da evolução natural. Mesmo no Brasil, o movimento do Design Inteligente, que se opõem ao darwinismo, está ganhando espaço. A Universidade Presbiteriana Mackenzie, de São Paulo, promove o "III Simpósio Internacional Darwinismo Hoje" para contrapor os dois temas. Para o final de 2010, o Núcleo Brasileiro de Design Inteligente, em Campinas, prepara seu primeiro congresso sobre o assunto.

Os partidários do Design Inteligente acreditam que algo, seja um Deus ou até mesmo um extraterrestre, seria o responsável pelas criações da maioria dos seres na Terra, em oposição ao darwinismo, que responsabiliza o mecanismo de seleção natural pela evolução dos seres vivos, inclusive o homem.

Pesquisas feitas no mundo inteiro constatam que, quanto maior a renda e o grau de instrução das pessoas, mais elas acreditam no darwinismo. Porém, nos Estados Unidos, acontece o contrário. Segundo um levantamento de 2008, 44% dos americanos são criacionistas. Isso significa que quase metade da população americana acredita que Deus criou os seres literalmente como está descrito na Bíblia. Por isso, o Design Inteligente é chamado por seus críticos de “criacionismo disfarçado”, uma tentativa de dar um verniz científico a uma crença religiosa.

No Brasil, de acordo com uma pesquisa Datafolha desde ano, 59% das pessoas creem que o homem resulta de milhões de anos de evolução, mas que esta foi guiada por um ente supremo, ou seja, instintivamente, misturam as duas teorias. Apenas 8% acreditam que a evolução acontece sem interferência divina.

"Não negamos a evolução de seres unicelulares, pequenas mutações ou diferenças entre espécies como, por exemplo, entre as mesmas flores", afirma um dos organizadores do simpósio do Mackenzie, o doutor em literatura e pastor Mauro Meister. No entanto, ele e o pesquisador da Universidade de Idaho, nos Estados Unidos, Scott A. Minnich acreditam que as algumas lacunas na Teoria da Evolução de Darwin podem ser explicadas por esse conceito.

"As lacunas são questões ainda não completamente explicadas pela Teoria da Evolução", conta o biólogo da Universidade de São Paulo (USP), Atila Iamarino. "Isso porque é muito difícil que todos os organismos que documentariam a evolução pela qual passou uma espécie sejam preservados como fóssels e ainda sejam encontrados depois", completa.

Minnich, em entrevista ao iG, afirmou com convicção: "O Design Inteligente não é baseado em qualquer religião, mas, sim, na observação da natureza". E cita um exemplo de lacuna: "Parte das células é impelida por uma espécie de máquina molecular, como se fosse uma turbina", conta o americano, que acredita que esse sistema seja sofisticado demais para não ter sido concebido por “alguém”. Como não foram encontrados os ancestrais desse sistema, os partidários do Design Inteligente usam esse e outros detalhes como base para sua hipótese. "O principal problema do Design Inteligente é montar sua teoria em cima de falhas na Teoria da Evolução", explica o biólogo e pesquisador da Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), Henrique Paprocki. Exatamente por isso, o Design Inteligente é visto por muitos como uma linha de pensamento filosófico ou religioso.

"O Design Inteligente é como dizer que o céu é azul porque alguém o deseja assim, não explica nem acrescenta", acredita Iamarino. Mesmo assim, o biólogo conclui que, de certa maneira, o Design Inteligente pode ajudar a evolução da biologia: "Ele pode apontar áreas que não são tão estudadas ou que explicamos com poucos detalhes que, posteriormente, se revelam muito importantes. Acaba sendo um 'editor', checando os locais que ainda precisam de mais estudo". "Design inteligente é ter fé, é crer. Ciência é evidência", finaliza Paprocki. Leia+

Fonte: IG

No debate fé X ciência marque coluna do meio. Os números da Datafolha apresentados no artigo dizem muito sobre a perspectiva dos brasileiros sobre o assunto.

30.4.10

Do megafone ao Twitter

Um saco de maçãs, doze caixas de leite desnatado, um cacho de bananas, um saco de pão francês, uma caixa de suco de abacaxi, queijo minas, ricota, biscoitos, um saco de limões e alguns galões de água. Foi com este "arsenal" que cerca de 50 estudantes ligados ao movimento "Fora Arruda e Toda Máfia" enfrentaram quase 24 horas de ocupação da nova sede da Câmara Legislativa do Distrito Federal – encerrada na noite desta quinta-feira.

O objetivo do protesto era político: impugnar a eleição indireta que elegeu o governador Rogério Rosso (PMDB), transformar o novo prédio em espaço cultural ou uma escola de ética, fazer auditoria nas contas da construção do prédio, entre outros pontos. Mas tudo isso regado a leite desnatado?

E quanto ao estigma que marcou a atuação do movimento estudantil na época da ditadura militar (1964-1985), profundamente arraigado no fenômeno da contracultura? Por onde andam sexo, drogas e rock'n'roll? O perfil "geração saúde" do atual movimento estudantil inclui gel de cabelo, camisas com mensagens bem-humoradas, sandália de dedo nacional que faz sucesso na Europa, logotipo do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra pregado em alguma peça de roupa e uma rejeição incomensurável aos rótulos de "consumista" e "indiferente".

Itens, outrora, pouco comuns. No lugar do Twitter, o megafone. No do notebook, o mimeógrafo. Ex-presidente do Grêmio do Colégio de Aplicação da UERJ entre 1968 e 1969, o deputado Chico Alencar lembra que este último aparelho, que servia para imprimir panfletos, ganhou o apelido de "cachacinha" entre os estudantes da época da ditadura, por funcionar a base de álcool.

"Mas não era cachaça de verdade, era álcool mesmo", recorda Alencar. "Havia um controle muito rígido nos congressos, para não dar razão aos órgãos de repressão. Mas nada era proibido. O pessoal fazia muito amor, debaixo das mesas, atrás dos armários". O deputado define o movimento estudantil atual como "multifacetado", que "se revela uma força contestadora, que combina combatividade com irreverência, menos nitidez ideológica e mais humor". Porém, risca no chão a seguinte linha:

"Por um lado, (a nossa luta) era mais fácil porque naquela época enfrentávamos um inimigo monolítico, muito definido, que era a ditadura. Agora o horizonte utópico é mais nebuloso, se mobiliza mais pelo imediato, não tem discurso da revolução socialista como nós tínhamos. Mas essa pluralidade ideológica não desmerece em nada esse movimento".

A estudante de direito da Universidade de Brasília (UnB), Talitha Mendonça, 24 anos, uma das lideranças na ocupação da Câmara do DF, explica que o movimento estudantil "vive um momento histórico diferente". Para ela, não tem "como querer que (o movimento atual) tenha a mesma cara do movimento anterior". "Talvez naquela época fosse necessário aquele tipo de comportamento para quebrar com as barreiras. Hoje estamos muito mais preocupados em fazer com que as pessoas questionem ou critiquem", pontua Talitha. "A responsabilidade em relação à postura é diferente. Não tem como fazer uma festa num espaço publico".

A estudante lembra, no entanto, que a diversidade está presente nas manifestações no DF. Segundo ela, a ocupação anterior, na sede atual da Câmara, marcou o movimento: houve uma reorganização, então desmobilizada, no que vem sendo chamado de "coletivos". "Existem diversos tipos de coletivos, com revindicações distintas. A política ainda funciona por meio de partidos, mas em Brasília a ideia de poder popular está muito mais forte. Ficou claro que as reivindicações do coletivo têm mais força".

O sociólogo e pesquisador da Universidade de Brasília, Marcello Barra, que acompanhou a manifestação, arrisca: "Hoje ainda há jovens que são herdeiros de geração hippie. Mas, neste meio tempo, surgiram outros grupos, o que provocou uma diversificação muito grande na ação da juventude".

Para Barra, acontecimentos históricos, como fim do mundo dividido entre Estados Unidos e União Soviética, tornaram "menos claros" os caminhos a serem tomados pela militância estudantil - o que, segundo o sociólogo, influi no comportamento dos jovens. "Com o maior número de oportunidades a seguir, fica mais difícil saber quem é quem na política", reforça. "O jovem continua entrando na militância com a convicção política de transformação, mas acaba encontrando outros modos de manifestação na vida social".

Fred Raposo, no Ig Jovem.

28.4.10

O império de (P)Edir Macedo (89)

A Igreja Universal do Reino de Deus é acusada de ter enviado para o exterior cerca de R$ 5 milhões por mês entre 1995 e 2001 em remessas supostamente ilegais feitas por doleiros da casa de câmbio Diskline, o que faria o total chegar a cerca de R$ 400 milhões. A revelação foi feita por Cristina Marini, sócia da Diskline, que depôs ao Ministério Público Estadual (MPE) e confirmou o que havia dito à Justiça Federal e à Promotoria da cidade de Nova York. O criminalista Antônio Pitombo, que defende a igreja e seus dirigentes, nega as acusações.

Cristina e seu sócio, Marcelo Birmarcker, aceitaram colaborar com as investigações nos dois países em troca de benefícios em caso de condenação, a chamada delação premiada. Cristina foi ouvida por três promotores paulistas. Ela já havia prestado o mesmo depoimento a 12 promotores de Nova York liderados por Adam Kaufmann, o mesmo que obteve a decretação da prisão do deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), nos Estados Unidos - ele alega inocência.

Os doleiros resolveram colaborar depois que a Justiça norte-americana decidiu investigar a atividade deles nos EUA com base no pedido de cooperação internacional feito em novembro de 2009 por autoridades brasileiras. Em Nova York, eles são investigados por suspeita de fraude e de desvio de recursos da igreja em território norte-americano.

Ela afirmou aos promotores que começou a enviar dinheiro da Igreja Universal para o exterior em 1991. As operações teriam se intensificado entre 1995 e 2001, quando remetia em média R$ 5 milhões por mês, sempre pelo sistema do chamado dólar-cabo - o dono do montante entrega dinheiro vivo em reais, no Brasil, ao doleiro, que faz o depósito em dólares do valor correspondente em uma conta para o cliente no exterior. Cristina disse que recebia pessoalmente o dinheiro.

Outro lado

O advogado Antônio Sérgio Altieri de Moraes Pitombo, que defende a Igreja Universal e seus dirigentes, diz que já esperava o surgimento de um “fato novo” por parte do Ministério Público Estadual. “Todas as vezes que são impetradas medidas judiciais contra a ilegalidade na investigação são criados fatos e manchetes para perturbar a neutralidade do julgamento”, assinalou o criminalista.

“Não é necessário ressaltar que a palavra de um delator deve ser tomada com muita reserva. A defesa vai adotar as medidas pertinentes para evidenciar a verdade, que muitas vezes não está ainda nos autos.” Procurado, o advogado dos doleiros, Alberto Tichauer, não foi localizado para falar sobre o depoimento de seus clientes.


Parece que a IURD continua espalhando lixo por aí. Não entendeu? Clique aqui.

Marina, você já é bonita com o que Deus lhe deu (8)



Marina Silva é a primeira entrevistada em "O povo quer saber", quadro do CQC.
dica do Marcos Florentino

27.4.10

O evangelho segundo Lula

Sentindo-se solitário e triste na escuridão do final dos tempos, disse Lula: “Fiat Dilma!” E Dilma se fez. E Lula viu que estava razoável, contratou um instituto de beleza e outro de opinião, e viu que com ele ninguém podia, e resolveu separar os bons dos maus e a luz das trevas, para uma nova batalha celeste. E acalmou seu rebanho indócil e arregimentou profetas de outras colônias para sua nova missão; chamou os anjos mensaleiros, convocou os santos antigos e ungiu velhos inimigos convertendo-os à Guerra Santa pelo báculo Lulista. “Vai ser fá cil!”, bradou ele na Assembleia do Purgatório, e os anjos abraçados fizeram “Hurra! Hurra! Hurra!” E Lula viu que isso era muito bom e foi descansar.

E no segundo dia Lula resolveu desenterrar o Príncipe das Trevas, o satânico FHC, e viu que isso era bom; e lançou contra ele a Voz do Senhor, e separou as águas puras das impuras, o Bem do Mal, o Fim e o Início dos Tempos, e decidiu que o inimigo era FHC, e não o Can didato; e viu também que o Candidato não saía da moita, e augurou tempestades nas hostes dos inimigos, aflitos de indecisão, e viu também que isso era muito bom, e foi descansar.

No Terceiro Dia, o Senhor Lu la viajou pelos quatro cantos da Terra para levar sua palavra e re fazer o mundo; e ganhou muitos adeptos, santinhos autografados e fotografias na primeira página, e ele viu que isso, sim, era muito bom; e resolveu comprar avião de guerra, mas sem dizer, dizendo, de quem compraria; e ele viu que isso era bom, e tocou o barco pelos oceanos até que a água baixasse; e mandou uma pomba de paz com uma camisa da Seleção para o Irã, que soltou mísseis em regozijo, e um grande abraço para Cuba, que não soltou ninguém, porque os passos do Se nhor Lula são inescrutáveis e os fiéis abrem caminho, e isso, ele viu, é muito bom.

No Quarto Dia o Candidato das Trevas levantou-se da tumba e proclamou-se o primeiro da lista, aquele que sucederia ao Senhor; e sua voz foi ouvida e um murmúrio correu entre os pastores e homens do povo, e seu nome subiu nas pesquisas; e vendo Lula que isso era realmente muito ruim, arregimentou o Profeta Ciro para combatê-lo; e o Profeta Ciro subiu ao monte e bradou, sacudindo o cajado, que o Candidato Inimigo era mais feio por dentro do que por fora, e o Senhor Lula cofiou a barba pensando se aquilo era mesmo bom; e teve sonhos intranquilos.

No Quinto Dia, decidiu Lula tirar o Profeta Ciro do caminho, e com retórica divina convenceu a seita de Ciro a colocá-lo para escanteio; e o Conselho do Lim bo deliberou pela Palavra do Senhor, e Ciro foi despojado de sua mitra e seu microfone, e condenado a passar 40 dias e 40 noites no deserto, e Lula viu que isso era ótimo; e encerrando a Obra em cinco dias, mandou Dilma fazer milagres e andar sobre as águas, abriu uma cervejinha e foi descansar, à espera do Dia do Juízo Final.

Cristóvão Tezza, na Gazeta do Povo.

23.4.10

Marina, você já é bonita com o que Deus lhe deu (7)

Para The Economist, Marina Silva tem " princípios demais " para eleição

A revista britânica The Economist traz na sua última edição um perfil da senadora Marina Silva (AC), pré-candidata do PV à Presidência, nas eleições de outubro. Na reportagem"Uma outra Silva", Marina é apontada como uma candidata com"princípios demais"para concorrer numa eleição no Brasil.

"Ocasionalmente, desponta um político que parece ter princípios demais para ser atirado em uma luta de cães eleitorais em uma democracia gigante. Marina Silva, a candidata do pequeno Partido Verde nas eleições presidenciais do Brasil em outubro, é esse tipo de candidata. O que lhe falta em termos de máquina partidária, ela tenta cobrir com força ética", destacou o texto.

A revista, observou que a disputa não será fácil, ao lembrar que a senadora registrou apenas 10% de intenções de voto em uma recente pesquisa. Mesmo assim, não considera o desempenho tão ruim, já que avalia que os eleitores brasileiros não enxergam a salvação do planeta como uma prioridade.

A reportagem ainda traça uma biografia de Marina, ao ressaltar a infância pobre e marcada por doenças no Acre, além do início na vida política ao lado do ambientalista Chico Mendes e depois na fundação do PT com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

The Economist também chama atenção para derrotas que Marina sofreu enquanto foi ministra do Meio Ambiente do governo Lula e aponta qual será a principal bandeira da campanha da candidata verde no pleito.

"O tema principal da campanha da senhora Silva é a responsabilidade moral de tornar uma economia de ponta com baixo carbono como exemplo para outros países em desenvolvimento."

fonte: Valor Econômico [via UOL]

18.4.10

Cristo humilhado e acuado por pichadores


Cristo humilhado, acuado e preso por andaimes da recuperação

O menor versículo da Bíblia expressa a humanidade de Cristo, ao saber da morte de seu amigo Lázaro, que depois foi por ele ressuscitado: "Jesus chorou" (João 11:35).

Uma arte sobre fotografia do Cristo Redentor vertendo lágrimas de pedra, na capa da revista "Veja" desta semana, foi profética. O símbolo internacional do Rio e uma das sete maravilhas modernas foi atacado por vândalos que picharam até frases como "Cadê Patrícia?", em alusão ao caso da engenheira Patrícia Amieiro, desaparecida, que teria sido morta por PMs na Barra da Tijuca. A pergunta é justa, mas a pichação do Cristo é de uma atrocidade, que poderia ser considerada crime de lesa-pátria. É o retrato mais infame do ponto que chegou a prática nefasta de pichadores e suas inscrições ególatras, que sujam a paisagem urbana, desrespeitam os direitos dos cidadãos. Jesus chorou de novo. Eu amo a arte do grafite, mas detesto os hieróglifos dos pichadores que infelizmente ainda são tolerados por artistas do spray. Num pequeno documentário que fiz sobre o dilema entre pichação e grafite - ainda em fase de finalização - pude perceber como alguns grafiteiros tentam passar a mão na cabeça dos pichadores.

Depois de ter ficado isolado por mais de 25 quedas de barreiras nas estradas de acesso, no Corcovado, o Cristo amanheceu pichado, também em consequência da incompetência dos responsáveis pela proteção do monumento. A imagem publicada na primeira página do GLOBO doi na alma de cariocas apaixonados pela cidade e por seu maior cartão postal, prestes a completar 80 anos. O close na cabeça do Cristo, cercada por andaimes da obra de recuperação, transmite um momento de fraqueza da estátua que, para alguns credos, representa a imagem do filho de Deus. Temos a nítida sensação de um Cristo - em sua condição de homem - humilhado, acuado, preso por andaimes, silenciado pela marca vil dos infames, no cume do morro, a 800 metros do nível do mar.

A Polícia Federal vai investigar o ataque ao Cristo. Estou na torcida que descubra e enquadre dentro da lei os irresponsáveis que praticaram esse crime contra a cultura e a cidade do Rio de Janeiro.

Enquanto não houver punição rigorosa para todos os pichadores, sejam pobres da periferia ou jovens de classe média, essa violência vai continuar sendo mais uma ameaça permanente nas cidades.

A capa de "Veja", publicada no domingo: lágrimas do Cristo por causa das chuvas

Jorge Antonio Barros, no blog Repórter de crime.
foto do alto: Genilson Araújo (O Globo)

14.4.10

"Vou te ligar, com certeza" significa apenas "Gosto muito de você"

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O Indireto Afetivo na Linguagem do Carioca

No Rio de Janeiro contemporâneo há uma figura lingüístico-afetiva que pontua as relações sociais entre cariocas, ou entre um carioca e um estrangeiro. Trata-se – e todo carioca ou qualquer pessoa que já esteve no Rio o reconhecerá – do famigerado
diálogo:

— Rapaz, há quanto tempo!
— Pois é, que bom te ver!
— Poxa, a gente tinha que se falar mais!
— É mesmo, vou te ligar.
— Mas liga mesmo, pra gente se ver, botar o papo em dia.
— Não, pode deixar, vou ligar com certeza.
— Beleza, então. Adorei te ver!
— Eu também, te ligo então. Um grande abraço!

Isso ou variações.

Pois para muitos cariocas, que já estão mais do que familiarizados com o diálogo, e talvez sobretudo para os não-cariocas, que constataram perplexos o encaminhamento futuro dessas promessas, essa figura lingüística acaba por se configurar como uma situação de constrangimento. Afinal, todos sabemos que não haverá telefonema algum. Todos, literalmente, a começar pelos próprios personagens da conversa. E a fórmula do constrangimento, já se disse, é precisamente esta: todos sabem que todos sabem e entretanto ninguém o pode admitir. Curiosas sutilezas sociais. O que impede que se desencubra o não-dito do diálogo é que esse não-dito é sentido como uma mentira: não haverá telefonema, um não ligará para o outro, e vice-versa. Assim, o não-dito é mantido e desenvolvido, cria-se uma conversa sustentando a sua tensão. Está configurada a situação constrangedora.

Mas o que faz com que a situação seja por muitos experimentada como constrangedora é justamente o entendimento desse não-dito, dessa promessa que sabemos sem fundos ("te ligo, com certeza"), como sendo uma mentira. Fulano disse que ia ligar, mas não ligou: mentira, portanto. Pior: fulano assegurou que ia ligar, enfatizou, sublinhou a promessa com todas as inflexões e entonações da convicção. Mentira ainda mais grave, gravíssima.

Entretanto, tudo muda se pensarmos o recalcado do diálogo, o não-dito, não como uma mentira, mas como um modo indireto da verdade. Assim, o horizonte em que a promessa passa a ser verdadeira não é mais a sua efetivação posterior, mas o que, dentro dela, vibra afetivamente: "te ligo" passa a significar "gosto de você", "vou ligar com certeza" traduz-se por "gosto muito de você", e assim por diante, a intensidade afetiva aumentando à proporção das entonações e expressões de segurança. Fernando Pessoa dizia que "a linguagem pode mentir, mas a voz não". Ora, nesse fragmento de carioquês a verdade está na voz, no afeto que nela pulsa e se manifesta explicitamente. Mas, cabe então a pergunta: por que engajar esse afeto em uma promessa sem fundos, que se sabe não será cumprida? Por que comprometer sua verdade associando-o a uma efetivação que não ocorrerá?

A origem dessa curiosa figura sócio-lingüístico-afetiva é uma outra figura: uma sutil transformação da amizade que costuma se dar numa das curvas impostas pelo tempo a determinadas relações. Essa transformação ocorre quando uma amizade intensa passa de um estado de intimidade diariamente atualizada – conversas freqüentes, presença física constante, confissões, vidas em permanente comunicação – para um estado de amizade em que a distância se interpõe e dispersa as trajetórias dos amigos, porém algo da intimidade da outra configuração resiste a essa nova forma e se mantém intenso, incólume à distância. Esse "algo da intimidade" se transforma em um afeto constante que, adormecido e escondido pela distância, emerge efusivamente na presença do amigo. Afeto a distância. Quase-intimidade que se evidencia, para deleite dos amigos, a cada vez que o acaso propicia um encontro. Mas, em geral, os movimentos divergentes das trajetórias de vida são irreversíveis, na medida em que atingem o processo de subjetivação de cada um dos amigos: estes já não são mais os mesmos, pensam e sentem de forma diferente, são outros, não podem ter a cumplicidade que tinham antes, não da mesma forma. O que resiste, o afeto, é resultado de uma intimidade de tal modo condensada que, por excesso, atingiu como que uma existência própria, interpessoal, portanto imune às mudanças de vida dos amigos.

Perde-se a intimidade, já não se sabe tão bem da vida do outro, mas fica, incorruptível, o afeto, que vem à tona nos encontros fortuitos. Pois, justamente, é essa consciência (que pode ser apenas intuída, porém claramente) da perda irreversível da intimidade, da impossível recuperação da amizade, que virá a produzir o diálogo de que estamos tratando. O afeto é verdadeiro, é uma positividade, mas há em sua formação uma perda, uma impossibilidade: a da intimidade perdida. Isto é, telefonar seria um erro, seria apostar na improvável recuperação do estado antigo da amizade. Doravante a amizade é isso: o afeto efusivo, a alegria dos encontros fortuitos – que entretanto tenderia a perder a efusão se se tentasse um movimento restaurador. O recalcado do diálogo, o não-dito, se forma nesse ponto: é que seria duro demais trazer à tona o núcleo de perda e de impossibilidade que se encontra na formação de um afeto tão positivo, tão efusivamente manifestado. Opta-se por escondê-lo, e para tanto faz-se necessário mascará-lo com a promessa da restauração: "Vou te ligar." Quanto maior a consciência ou a intuição — da impossibilidade, e de quanta perda ela encerra, maior a necessidade de mascaramento: "Vou te ligar, com certeza."

Assim, curiosamente, quanto maior a mentira, maior a verdade. A verdade do afeto não se subordina à efetivação da promessa, mas se manifesta, de forma indireta, através do prometido: "Vou te ligar, com certeza" significa apenas "Gosto muito de você". O não cumprimento da promessa significa a consciência (mesmo que intuitiva) da impossibilidade de restauração da amizade, e o recalcado do diálogo é o mascaramento protetor de um afeto delicado. Pois a verdade nua e crua, desprotegida, poderia ser muito... constrangedora: "Rapaz, há quanto tempo! Veja, gosto de você, fomos muito íntimos, mas hoje somos bem diferentes, não acredito que possamos retomar a antiga cumplicidade, por isso vamos apenas gozar desse momento de alegria fortuita, sem fazer promessas que não poderemos cumprir." Logo o constrangimento também surge de um excesso de dizer, e não apenas de um não-dito gritante. Na verdade, nosso famigerado diálogo carioca só se torna constrangedor se sua verdade nuclear – o afeto incorruptível – não for forte o suficiente para sustentar, à base de cumplicidade, a tensão do mascaramento. Quando o mascaramento é bem-feito, o diálogo transcorre sob intensa e efêmera efusão afetiva – e somente na despedida passa por nós a brisa de uma melancolia.

De: BOSCO, Francisco. Banalogias. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.

11.4.10

Esquerda, volver

Plínio de Arruda Sampaio e Marina Silva: esquerda cristã marca presença nas eleições presidenciais


A escolha de Plínio Soares de Arruda Sampaio (histórico militante leigo da ação popular católica) para ser o pré-candidato à Presidência da República pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), durante conferência nacional realizada sábado, 10/4, no Rio de Janeiro, significa o ingresso de mais um representante da esquerda cristã, ao lado da evangélica Marina Silva (PV), na disputa pelo comando do governo federal. Plínio, que completa 80 anos em julho deste ano, é um intelectual e ativista político que militou em movimentos leigos da igreja. É um respeitado intelectual de esquerda católica e um defensor da Teologia da Libertação entre o laicato. A representante do PV também não nega suas origens libertárias. No evento em SP, além de elogiar os candidatos paulistas e o pré-candidato carioca Fernando Gabeira, Marina ressaltou ter aprendido muito com o ex-bispo católico e teólogo da libertação, Leonardo Boff (“meu grande amigo”).

No domingo, 11, Marina discursou durante o lançamento da pré-candidatura de Fábio Feldmann ao Governo do Estado e Ricardo Young ao Senado pelo Partido Verde, e se declarou feliz com “o movimento que estamos fazendo até aqui”, referindo-se à mudança de partido e sua candidatura em nível nacional: “o Brasil é mais que um plebiscito em torno do passado e de biografias”. O Brasil precisa de um processo político e um debate “em torno dos desafios que temos pela frente”. Segundo a pré-candidata, é preciso estar unido em torno de propostas e projetos, não de personalidades. “Não basta dizer que temos que estar unidos. Vai estar unido em torno do quê? Precisa estar unido, não em torno de quem, mas em torno dos desafios do Brasil. As ideias de Plínio podem ser lidas na tese que propôs ao PSOL.

Marina falou sobre a tragédia no Rio de Janeiro e criticou as autoridades: “há 20 anos que cientistas e ambientalistas estão dizendo que as chuvas demorariam mais a chegar e, quando chegassem, viriam de forma torrencial. Sempre dissemos que os mais humildes seriam os mais atingidos. Hoje chegamos ao extremo dos eventos e da omissão”.

O atual candidato do PSOL à Presidência foi candidato ao Governo de SP em 2006, ficando em quarto lugar, com 1,29% dos votos (93.000). Ele e Marina têm poucos chances de vitória nas eleições deste ano. Mas as ideias de Marina (como nesta entrevista detalhada da pré-candidata do PV) e as teses do PSOL, apresentadas para discussão na conferência que o nome de Plínio nacionalmente, trazem uma visão de Brasil bem diferente daquilo que habitualmente recebemos na grande mídia e pode servirm, ao menos, de reflexão e contra-ponto para comparação. Vale a leitura.

Lenildo Medeiros, na Agência Soma.

Esperemos que na pauta da campanha o debate "evangélicos X católicos" passe longe.

Número de brasileiros que buscam a cura apenas na religião chega perto de 100 mil

Há quase 100 mil pessoas no Brasil que, quando ficam doentes, não procuram um posto médico, nem clínica, nem hospital. Preferem se entregar a religiosos que oram ou rezam por sua cura, ou a curandeiros que dizem receber espíritos pra operar milagres e restaurar a saúde dos que acreditam. Segundo a pesquisa “Um Panorama da Saúde no Brasil – acesso e utilização dos serviços, condições de saúde e fatores de risco e proteção à saúde 2008″, divulgada neste 31 de março pelo IBGE e pelo Ministério da Saúde, 97 mil brasileiros costumam procurar seu “serviço de saúde” em cultos religiosos quando precisam de atendimento.

Obviamente, este não foi o dado destacado pelos divulgadores oficiais, até porque o número de pessoas envolvidas nesta observação é muito pequeno se comparado com o universo de 139,9 milhões que costumam buscar outro tipo de serviço de saúde. Mas não deixa de ser curioso perceber este número tão expressivo, em termos absolutos, daqueles que costumam, exclusivamente, preferir receber uma oração ou mandinga espiritual do que procurar um profissional. E esse número ficaria ainda maior se incluísse aqueles que declararam que costumam buscar outro tipo de atendimento profissional, mas que não deixam de ir também nos cultos de curas.

A tabela que traz a informação religiosa, intitulada “Características de saúde dos moradores – Tabela 2.9: Pessoas que normalmente procuravam o mesmo serviço de saúde quando precisavam de atendimento de saúde, por tipo de serviço normalmente procurado, segundo os grupos de idade, o sexo e as classes de rendimento mensal domiciliar per capita – Brasil – 2008″, chama de “outros” a opção dos 97 mil brasileiros. Mas, nas explicações finais do relatório, o texto dá um detalhamento maior ao tópico, deixando clara a que tipo de escolha se refere: “outro tipo de serviço (curandeiro, centro espírita etc.) – quando a pessoa tem o hábito de procurar o mesmo serviço que presta atendimento de saúde informal (culto religioso voltado para a cura divina, terreiro de umbanda, centro espírita, pajelança, curandeiro, rezadeira, curiosa, benzedor, pai de santo, entidade espírita, pessoa que presta alguma atividade de atenção à saúde sem ter formação profissional nesta área etc.)”. O relatório ressalta que está excluída desta opção “o serviço prestado por profissional de saúde que atende em consultório, clínica ou posto de saúde mantido por culto religioso”.

Dos que buscam culto religioso ou curandeiro, 50 mil são mulheres, sendo 26 mil com mais de 40 anos. Quando considerado ambos os sexos, 45 mil têm mais de 40 anos e 60 mil tem rendimento menor que um salário mínimo. Os outros serviços de saúde relacionados na pesquisa, e o número de pessoas que buscam neles o atendimento, são: Posto ou centro de saúde (79.422.000, o mais procurado), Consultório particular (26.851.000), Ambulatório de hospital (17.073.000), Pronto-socorro ou emergência (7.088.000), Ambulatório ou consultório de clínica (5.877.000), Farmácia (2.148.000), Ambulatório ou consultório de empresa ou sindicato (1.008.000) e Agente comunitário de saúde (320.000).

Leia a íntegra do estudo Um Panorama da Saúde no Brasil do IBGE e Ministério da Saúde.

Lenildo Medeiros, no site da Agência Soma.

Ajudando as vítimas dos deslizamentos no Rio

Enquanto os governos do Rio de Janeiro ainda tentam resgatar sobreviventes dos deslizamentos de terra causados pelas fortes chuvas, igrejas e organizações evangélicas se veem assustadas devido à proximidade da tragédia e se esforçam para socorrer as famílias. Elas abrem suas portas para abrigar as vítimas, arrecadam alimentos, donativos e material de saúde.

É o caso da Igreja Presbiteriana Betaninha, em Niterói (a cidade mais atingida). Em um comunicado por e-mail, a igreja destaca que as doações são de “extrema urgência”. “Por isso, anotem e levem as doações até nossa igreja, que em seguida repassará ao posto oficial da prefeitura”, diz a mensagem. Missionários da organização Jovens com uma Missão (Jocum) trabalham sem parar no morro do Borel, localizado no bairro Tijuca, na zona norte do Rio, para encaminhar desabrigados e assisti-los em suas necessidades básicas. A Igreja Batista Itacuruçá, também localizada no Borel, está arrecadando doações.

Já o Exército de Salvação montou equipes de emergência para atuarem em alguns bairros do Rio e em Niterói (mais precisamente no morro do Bumba, um antigo lixão onde moram cerca de 200 pessoas). O Exército de Salvação está também convocando os cristãos para que se unam em oração no próximo domingo (11/04) em favor dos seus funcionários e voluntários que estão ajudando as vítimas. “Deus pode usá-los para serem meios de conforto e esperança para aqueles que não possuem mais nada para servir de apoio”, diz o major Teófilo Chagas.

Em carta publicada na internet, o teólogo Ariovaldo Ramos confessa que em situações como esta é difícil receber consolo. “Não há consolo possível. Nessa hora, retoma-se a coragem, fertiliza-se a esperança, e a gente retoma a vida, mas consolo… difícil!”

A Igreja Batista do Rio Comprido, em Santa Teresa, Rio, que também sofre com os deslizamentos, começou a acolher pessoas e arrecadar donativos. “Desde ontem temos mantido contato direto com a comunidade e a igreja abriu seu templo para acolher desabrigados. Os membros da igreja abriram suas casas e acolheram muitas pessoas, tanto para dormir, quanto com alimentação. Conseguimos edredons, mas não colchões para todos”, relata o pastor Clemir Fernandes.

A Rede SOS Global, especializada em emergências como essa, lançou a campanha SOS Rio e montou uma base de socorro em São Gonçalo, onde 40 casas foram destruídas. A coordenação está arrecadando medicamentos, fraldas para bebê e geriátricas, leite, material de limpeza e de higiene pessoal, além de cobertores. Toda a ajuda será canalizada pelos departamentos de missões de duas igrejas parceiras da rede em São Gonçalo.

O temporal que provocou a tragédia no Estado do Rio começou no final da tarde de segunda-feira (5). A capital e a região metropolitana praticamente ficaram paralisadas na terça-feira. Somente nesse dia, choveu mais do que o esperado para todo o mês, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Os números mais atuais da Defesa Civil do Estado informam que a quantidade de desabrigados em municípios das regiões metropolitana, Baixada Fluminense, Baixada Litorânea e Serrana é de 3.262, enquanto que o total de desalojados já soma 11.439 pessoas. Somente na capital, são cerca de 5 mil desabrigados.

Ajude a ajudar
• Exército de Salvação: www.exercitodesalvacao.org.br
• Rede SOS Global: newsletter@sosglobal.org.br
• JOCUM Borel: www.jocumborel.org.br

Veja como fazer doações para vítimas das chuvas no Rio de Janeiro
• http://noticias.uol.com.br

Lissânder Dias, no site da Ultimato

9.4.10

Piscina cheia de ratos

Assista à entrevista de Guilherme de Pádua no programa do Ratinho




Condenado por assassinar a atriz Daniella Perez, em 1992, Guilherme de Pádua reapareceu nesta quarta-feira na televisão após um longo período de reclusão. Entrevistado pelo apresentador Ratinho, no SBT, Guilherme relembrou o episódio e reclamou do comportamento da opinião pública, que até hoje, segundo ele, não lhe deu uma segunda chance. O bate-papo foi marcado pelo constrangimento, já que Ratinho e Guilherme divergiram em diversos momentos.

“Era um grito na minha garganta. Quem me processou foi o povo. No mundo natural, não sou ninguém. No mundo sobrenatural, sou uma pessoa abençoada. As pessoas adoram chutar cachorro morto e pisar em quem está caíndo. As pessoas precisam de Jesus em suas vidas”, disse o ator, que hoje é evangélico.

Perguntado por Ratinho sobre o verdadeiro motivo do assassinato da atriz, Guilherme de Pádua se recusou a responder às perguntas, alegando que estava sofrendo ameaças via Twitter. “A Justiça não errou. Uma vida foi perdida”, disse ao opinar sobre a decisão do júri.

No fim do programa, Ratinho perguntou se ator já havia pensado em pedir perdão à mãe de Daniella, a autora de novelas Glória Perez. “Acho que ela não quer me ouvir”, respondeu. Nesse momento, Ratinho surpreendeu e disse que se estivesse no local de Glória não perdoaria Guilherme.

Famosos criticam programa do Ratinho

Durante a polêmica entrevista várias celebridades criticaram, via twitter, o apresentador Ratinho pelo espaço cedido para Guilherme de Pádua.

Bruno Gagliasso, Ana Lima e Glória Perez twitaram sobre a entrevista e consideraram a postura do apresentador apelativa.

“Divulgar “versões fantasiosas” de assassinos julgados é crime. Passível de processos criminais e civeis!” – escreveu a autora de novelas Gloria Perez, mãe da vítima Daniela Perez.

#parte2   #parte3

fontes: O Dia / YouTube [via O Verbo]

putz, haja plasil p/ aguentar 2 vídeos de programas sensacionalistas na sequência. a piscina televisiva está cheia de ratos e, como alertou o p(r)o(f)eta "suas ideias ñ correspondem aos fatos".

optei por postar pq o tema provoca uma série de reações controversas na minha cabeça e, embora bastante incômoda, a reflexão é necessária.

algumas considerações ligeiras:

1- compreendo a dor e sou solidário a glória perez. ver o assassino da sua filha pagando de bom moço na tv revira feridas que só a graça de deus poderia cicatrizar;

2- o problema é que essa mesma graça é associada ao causador da tragédia familiar. tanto tempo de caminhada cristã ñ foi suficiente p/ o cabra adquirir um mínimo de sabedoria e ao menos evitar ser usado p/ polêmicas inúteis em busca de 2 ou 3 míseros pontos de audiência?

3- guilherme pagou seu crime de acordo c/ as frouxas leis brasileiras. salvo engano, parece que trabalha c/ artes na igreja da lagoinha. o ar impassível (beirando a arrogância) foi representação artística? para quem?

4- impossível ñ lembrar o recente episódio dos jogadores do santos. propalada c/ vigor por muitos pa$tore$, a "lei da semeadura" de fato funciona. essa é a qualidade de crentes resultantes de sementes que vicejam em alguns solos neopentecostais. uma alma ganha torna-se pedra de tropeço p/ inúmeras outras abrirem o coração. antipropaganda eficiente ao erguer muros de preconceito e de intolerância contra os cristãos.

lembrando as palavras de gandhi: "eu não rejeito seu cristo. eu amo seu cristo. apenas creio que muitos de vocês cristãos são bem diferentes do vosso cristo".

O chifre do papai tá sendo bem polido?


Apresentador do programa RP2 da TV Vila Velha se irrita com críticas de aluno de Jornalismo da UEPG no blog 'Crítica de Ponta'. Zeca faz ameaças e ofensas no ar.


Este é o post que deixou o apresentador transtornado. Recomendo a leitura das centenas de comentários deixados lá e no YouTube.

O programa 'RP2', que vai ao ar pela TV Vila Velha, do sistema a cabo de Ponta Grossa, é um dos exemplos do que há de mais sensacionalista na mídia dos Campos Gerais. Apresentado pelo 'repórter policial' Zeca, RP2 procura os acontecimentos que envolvem escândalos policiais, dando lado à violência geralmente explicita, além de outros assuntos tratados com uma linguagem exageradamente coloquial.

Não se sabe ao certo se o programa quer realmente ser levado a sério, pois trata os assuntos com parcialidade e, por vezes, não parece manter respeito com os indivíduos citados nas matérias.

No decorrer do programa, é notável a “mobilidade” com que o apresentador trata os temas pautados, passando uma impressão de que nada do que se fala está certo ou pré-estabelecido. Imagens de bêbados, ladrões, prostitutas e traficantes dividem a atenção com reportagens sobre os mais diversos tipos de acidentes. Quanto pior o acontecimento parece maior o esforço para registro e transmissão.

Ficam na tela os rastros de uma tentativa de jornalismo policial e investigativo, talvez distorcidos pela de audiência. O programa jornalístico fica, assim, comprometido por abordagens nem sempre, de fato, jornalísticas.

Lucas Nobuo Waricoda, no blog Crítico de ponta.
dica do Mauricio Boheme

Dá engulhos assistir a uma barbaridade dessas e ver até onde chega a baixeza desse simulacro de apresentador. Felizmente, programas do tipo ñ conseguem + alcançar a audiência que tiveram no passado, vide as sucessivas tentativas de "ressuscitar" a ratazana que inspira esse destemperado senhor.     

Lucas faz parte da Igreja Presbiteriana do Brasil em Itapeva. É compositor e vocalista da Banda Siga o Mestre.

2.4.10

Cristãos devem apoiar Marina Silva, diz evangélico

Saudada como "nossa irmã Marina", a senadora Marina Silva (PV-AC) selou ontem o primeiro apoio de uma igreja evangélica na corrida presidencial. Em visita a Garanhuns (PE), ela foi recebida com festa num colégio presbiteriano, onde se reuniu com 20 pastores e fez um discurso de forte teor religioso.

Após o evento, o reverendo Silas Menezes, número dois da hierarquia da igreja, disse à Folha que os "cristãos sérios" devem apoiar sua candidatura ao Planalto.

"Ela é a candidata mais indicada para nos representar. A parte séria dos cristãos vai se inclinar para Marina", afirmou Menezes, vice-presidente do Supremo Concílio presbiteriano. "Ela terá mais votos do que as pesquisas dizem. Só precisa se tornar mais conhecida."

"Não devemos declarar apoio oficial, mas recomendamos que nossos fiéis olhem para os domésticos da fé", disse o pastor Marcos André Marques. Marina será convidada para um encontro com a cúpula da igreja nas próximas semanas.

Em 2002, a denominação sustentou a candidatura presidencial do ex-governador do Rio Anthony Garotinho, que é presbiteriano. A igreja contabiliza 1 milhão de fiéis no país e exerce forte influência sobre outros ramos evangélicos.

Marina se converteu à Assembleia de Deus há 13 anos e é a única evangélica na disputa para suceder o presidente Lula.

O bispo católico de Garanhuns, dom Fernando Guimarães, também foi convidado para o ato de ontem. No entanto, ele não discursou.

Marina reclamou de preconceito contra evangélicos: "Vejo pessoas tentando associar fé cristã a conservadorismo. Quem quiser ser dogmático e conservador não use a Bíblia como referência. Quem quiser ser machista ou discriminar, que o faça por sua conta".

Em outras ocasiões, ela já se queixou de uma suposta tentativa de rotulá-la como conservadora e defensora do criacionismo. Marina diverge do PV em questões sensíveis aos evangélicos, como descriminalização do aborto. Anteontem, prometeu não fazer uso político da religião. "Não vou usar o púlpito como palanque e não vou satanizar ninguém. O amor que Deus tem por mim, Ele tem por Dilma, Serra e Ciro."

Na cidade natal de Lula, a senadora deixou de lado as críticas para elogiar o presidente. "Quando vinha do aeroporto, pensei: "Puxa vida, aqui nasceu o menino Lula". Ele já foi uma criancinha e virou presidente. Para mim, é uma emoção muito grande estar aqui", discursou. À noite, Marina assistiu à encenação da Paixão de Cristo em Nova Jerusalém.

Bernardo Mello Franco, na Folha Online.
dica do Carlo Carrenho

Um em cada 4 brasileiros crê em Adão e Eva

Para 59%, ser humano é resultado de uma evolução guiada por Deus; somente 8% não acreditam em interferência divina

Um de cada quatro brasileiros acredita em algo parecido com o mito de Adão e Eva. Para eles, o homem foi criado por Deus há menos de 10 mil anos. Esse dado consta da primeira pesquisa Datafolha que investigou as convicções da população sobre a origem e o desenvolvimento da espécie humana.

A maioria das pessoas crê em Deus e Darwin. Para 59%, o ser humano é o resultado de milhões de anos de evolução, mas em processo guiado por um ente supremo. Apenas 8% consideram que a evolução ocorre sem interferência divina.

A crença no mito de Adão e Eva despenca à medida que aumentam renda e escolaridade. Quando se acrescentam dinheiro e instrução, a proporção dos darwinistas puros mais do que dobra do menor para o maior estrato. Entre os que acatam a evolução sob gerência divina, o aumento é mais modesto: fica entre 15% (renda) e 20% (escolaridade).

O Datafolha ouviu 4.158 pessoas com mais de 16 anos. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais.

Os 25% de criacionistas da Terra jovem (que atribuem menos de 10 mil anos a nosso planeta de 4,6 bilhões de anos) surpreendem porque o fundamentalismo bíblico, em que as Escrituras são interpretadas literalmente, não faz parte das tradições religiosas do Brasil.

A Igreja Católica, ainda a mais influente no país, jamais condenou a evolução. Pelo contrário até, o Vaticano vem já há algumas décadas flertando discretamente com o autor de "Origem das Espécies".

Em 1950, o papa Pio 12, na encíclica "Humani generis", classificou o darwinismo como "hipótese séria" e afirmou que a igreja não deveria rejeitá-la, embora tenha advertido para o mau uso que os comunistas poderiam fazer dessa teoria. Em 1996 foi a vez de João Paulo 2º declarar que a evolução era "mais do que uma hipótese".

Também entre evangélicos, a literalidade do Gênesis, o livro da Bíblia que relata a criação do mundo e do homem, está longe de unânime. Na verdade, só algumas poucas denominações como adventistas e Testemunhas de Jeová pregam abertamente contra a evolução.

Boa parte das demais se limita a apontar "problemas" no neodarwinismo, tentando reservar algum espaço para Deus, que pode ter papel mais ou menos ativo. Ele pode ser desde o demiurgo, que se limitou a criar o mundo com todas as suas leis (incluindo a seleção natural), e retirou-se até o "Deus ex machina" que interfere o tempo todo, projetando bichos, atendendo a preces etc.

Em tese, qualquer uma dessas posições se encaixa na afirmação de que Deus e evolução atuam juntos. Ela funciona como um guarda-sol que abriga desde católicos estritos a deístas, passando por entusiastas do "design inteligente", que nada mais é do que criacionismo com pretensões científicas.

Teologia intuitiva

Como os adeptos de religiões que defendem a literalidade do Gênesis não chegam nem perto de 25% da população, é forçoso reconhecer que a boa parte das pessoas que abraçaram a hipótese de Adão e Eva o fez seguindo suas próprias intuições, sem prestar muita atenção ao que afirmam suas respectivas lideranças espirituais.

Essa impressão é reforçada quando se considera que a adesão ao criacionismo bíblico se distribui de forma generosa entre todos os credos. Umbandistas (33%) e evangélicos pentecostais (30%) ficam um pouco acima da média nacional, mas católicos comparecem com 24% e evangélicos não pentecostais, com 25%.

Outros países

Uma nota curiosa vai para os que se declaram ateus. Entre eles, 7% também se classificam como criacionistas da Terra jovem e 23% como partidários da evolução comandada por Deus.

Os resultados obtidos no Brasil contrastam com os colhidos nos EUA, mas se aproximam com os de nações europeias. Entre os norte-americanos, a proporção de criacionistas bíblicos chega a 44%. Os evolucionistas com Deus são 36%, e os neodarwinistas puros, 14%. Esses números foram apurados em 2008 pelo Gallup, numa pesquisa que vem sendo aplicada naquele país desde 1982 e que serviu de modelo para a sondagem do Datafolha.

Em relação à Europa, o Brasil se encontra mais ou menos na média. De acordo com uma pesquisa de 2005 do Eurobarômetro, que aferiu o número de pessoas que rejeita a evolução, os criacionistas por ali variam de 7% (Islândia) a 51% (na islâmica Turquia), com a maioria dos países apresentando algum número na casa dos 20%.

Hélio Schwartsman, na Folha de S.Paulo.

31.3.10

Peruca de Cristo

Ladrões furtaram uma igreja, em São José dos Campos, no interior de São Paulo, e levaram até o cabelo da imagem de Jesus Cristo. O furto aconteceu na madrugada desta quarta-feira (31). O ladrão também levou castiçais, um incensário, microfones, dinheiro e as hóstias consagradas da Igreja Nossa Senhora das Graças.

A aposentada Neuza Aparecida foi uma das primeiras a chegar à igreja, para a Via Sacra, às 5h. Ela não acreditou quando viu tudo revirado. “Fiquei sem palavras, tudo mexido, sentei no banco e fiquei quieta, muito triste isso”, conta.

Os ladrões escalaram um portão e forçaram a porta da sacristia. Arrombaram o cofre onde estavam guardados R$ 85 de ofertas. Furtaram seis microfones, cabos de som, castiçais e um incensário de bronze. O bando também levou a peruca de uma das imagens que seria usada nesta noite.

“Normalmente, pensam que o dinheiro está guardado na igreja, e se aproveitando dessa situação eles adentram às igrejas, a gente sabe que alguns meliantes estão agindo dessa forma, um desrespeito com órgãos religiosos, e a gente vai intensificar o policiamento”, afirma o tenente Marcelo Leite.

Após o furto, as celebrações da Semana Santa foram canceladas na igreja Nossa Senhora das Graças.

Fonte: G1
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