27.8.06

Se gritar pega ladrão

Eri Varela, advogado há mais de 20 anos do ex-governador Joaquim Roriz e candidato a deputado federal pelo PMDB, aproveitou ontem a inauguração do seu comitê de campanha no Setor Comercial Sul para divulgar fita de áudio de1 minuto e 54 segundos gravada por ele mesmo.

O conteúdo da fita é explosivo. Registra uma conversa que Varela teve por telefone com Roriz no meio da semana passada. Os dois baixam o caceta no deputado José Roberto Arruda, candidato do PFL ao governo do Distrito Federal, e até recentemente aliado de Roriz.

Arruda lançou-se candidato depois de tentar, sem sucesso, obter o apoio de Roriz - mas apóia a candidatura dele ao Senado. E faz questão de pedir votos para Roriz em seu programa de propaganda eleitoral no rádio e na televisão. Roriz apóia a reeleição da governadora Maria de Lourdes Abadia (PSDB).

Até a semana passada, Abadia receiava que Roriz a largasse de mão e se juntasse a Arruda, líder disparado nas pesquisas de intenção de voto. Depois da divulgação da fita por Varela, tal hipótese está descartada. Varela não tornaria público seu diálogo com Roriz se Roriz não o autorizasse.

Na manhã de ontem, em comício na cidade-satélite de São Sebastião, Roriz se referiu a Arruda como "bandido" e "traidor". Na fita que Varela mostrou às mais de 500 pessoas que compareceram à inauguração do seu comitê, Roriz chama Arruda de "falso, vagabundo e mentiroso".

Roriz - Você viu o programa de ontem?
(Refere-se ao horário de propaganda eleitoral na televisão.)

Eri - Não, eu ouvi falar. Estava lá em São Sebastião captando votos...
(São Sebastião é uma cidade-satélite de Brasília.)

Roriz - (gargalhada)

Eri - Mas vou bater nesse cachorro, viu? Porque o que eu já ouvi o senhor chorando, certo? O que esse filho da pauta desse Arruda fez com o senhor... Ele vai apanhar de mim... Vou bater...

Roriz - É um vagabundo, né?

Eri - É um vagabundo, governador, nunca vi um cidadão tão falso...

Roriz - Falso, vagabundo, mentiroso, né?

Eri - É...

Roriz - Ele diz que vai votar em mim... Vai nada, vai votar num dos outros senadores...

Eri - Ele vivia chamando o senhor de coronel do cerrado, de ladrão, que o senhor roubava, tinha conta no exterior... Lembra que uma vez o senhor mandou processar ele?

Roriz - Lembro...

Eri - É um desgraçado. É o cara mais safado que existe nessa política de Brasília, viu?

Roriz - (ininteligível)... na outra ele ganhou e você viu o que o PT fez com os votos... É uma coisa impressionante...

Eri - Impressionante. Disseram que até me botaram no meio da confusão...

Roriz - Mas não foi ruim pra você não...
(Refere-se ao programa de propaganda do PT na televisão no meio desta semana que baixou o pau em Arruda.)

Eri - Não foi ruim não, né?

Roriz - Não. O que você falou sobre ele... Precisa apurar muita coisa... Tem muita coisa em aberto que ele é (ininteligível). Falou até de negócio... Falou até daquela questão de... daquela dúvida sobre INCRA, né?

Eri - Não é dúvida, não. Tá no depoimento que ele roubou o dinheiro do Incra. Tá tudo com o Sombra guardado. O processo... Temos tudo...
(Sombra é o codinome de um ex-assessor do ex-senador Luiz Estevão, cassado por envolvimento com o desvio de R$ 173 milhões para a construção da sede do Fórum da Justiça do Trabalho, em São Paulo.)

Roriz - Ele é muito malandro, sem-vergonha...

Eri - Ele é malandro, bandido...

Roriz - E se governador é uma desgraça...

Eri - Ah, isso é uma quadrilha...

Roriz - É, é quadrilha mesmo...

Eri - Uma quadrilha...

Roriz - Se organizaram para roubar o Estado...

Eri - É isso... Eu vou bater...

Roriz - Manda, manda brasa... Sem dó nem piedade. Eu não tô nem aí, viu? Manda brasa...

Eri - Mando. Tá certo, chefe. Um abraço.

Ouça aqui

2 comentários:

Anônimo disse...

O pior que é! Virou rotina, ouvir gravações de telefonemas, filmagens de falcatruas dos políticos. Nem assim criam vergonha na cara!

Anônimo disse...

Eri - Não é dúvida, não. Tá no depoimento que ele roubou o dinheiro do Incra. Tá tudo com o Sombra guardado. O processo... Temos tudo...
(Sombra é o codinome de um ex-assessor do ex-senador Luiz Estevão, cassado por envolvimento com o desvio de R$ 173 milhões para a construção da sede do Fórum da Justiça do Trabalho, em São Paulo.)

Pior nesse país, que o máximo é ser cassado. Devolver o dinheiro aos cofres públicos, necas! O "Lalau", entre outros estão em casa, com todo o dinheiro que roubaram e numa boa. E os governantes, ficam pensando como aumentar a arregadação para ter mais dinheiro, para efetuarem seus os desvíos. Que vergonha esse país!
Se fora bem administrado, estaríamos entre os países mais ricos do mundo! A população viveria descentemente, com saúde, educação e emprego.

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