
Catorze anos de Raimundos e dois de Rodox não mostraram tudo de que Rodolfo Abrantes seria capaz. Ele, que cultuava a "vida errada" e cinco anos atrás chocou os fãs e até seu amigo Digão (que conheceu em 1987) quando se tornou evangélico, lança agora seu primeiro disco solo, "Santidade ao Senhor", pela Bola Music --gravadora da igreja Bola de Neve, que há alguns anos vem aproximando uma legião de jovens ao culto evangélico.
Aos 33 anos (e dá-lhe referência bíblica), Rodolfo tem nas orelhas apenas um buraco deixado pelo expansor. Nada de piercings, ainda que continue a ostentar suas inúmeras tatuagens. Sua postura é outra, assim como seu som.
No disco solo de estréia, a fé de Rodolfo fica clara em versos como "Pai, me guia/ Por onde eu caminhar" ("Minha Prioridade), "Jeovah, Tua mão me cobre" ("Na Videira") e "Perfeito, Salvador/ Só Jesus Cristo vive sempre" ("Face a Face").
O som, um rock menos enérgico e criativo, flerta com elementos eletrônicos em "Santidade ao Senhor", torna-se emotivo em "Face a Face" e assume contornos de (brit)pop romântico em "Na Videira". Traços (difusos) do antigo Rodolfo só mesmo em "Minha Prioridade" e "Nação Santa".
Mas nada de inovação, forrocore ou qualquer rock mais pesado. Definitivamente, foi-se o tempo de "Esporrei na manivela".
fonte: Folha de S.Paulo























Um comentário:
Ai, quem me dera que o Caetano se convertesse, ou o Chico Buarque, qualquer um do Zimbo Trio, ou a Diana Krall, quem sabe a Jane Monheit, talvez assim tivéssemos música evangélica com qualidade instrumental e letras inteligentes. Não custa sonhar , né?
Postar um comentário