22.9.07

Guardar no eterno


Isso de mim que anseia despedida
(Para perpetuar o que está sendo)
Não tem nome de amor.
Nem é celeste
Ou terreno.
Isso de mim é marulhoso
E tenro. Dançarino também.
Isso de mim
É novo: Como quem come o que nada contém.
A impossível oquidão de um ovo.
Como se um tigre
Reversivo,
Veemente de seu avesso
Cantasse mansamente.
Não tem nome de amor.
Nem se parece a mim.
Como pode ser isso?
Ser tenro, marulhoso
Dançarino e novo, ter nome de ninguém
E preferir ausência e desconforto
Para guardar no eterno o coração do outro.

Hilda Hilst, escritora e poeta brasileira

Nenhum comentário:

Blog Widget by LinkWithin