16.8.09

A perseguição de um quase ateu

Conheci um blog muito legal, que vem somar na blogosfera cristã, com conteúdo pesado e uma qualidade enorme na flexão de ideias, e acompanhando os comentários de um dos posts, logo bati o olho em um que me chamou a atenção, por refletir tão exata e sinteticamente como tenho me sentido há aproximadamente um ano:
Há uma perseguição no meio das nossas igrejas. Todo aquele que não falar o que eles querem ouvir, mas insistir em falar o que está escrito na Palavra de DEUS está sendo perseguido.

Tão perseguido ao ponto de ver obrigado a ficar fora da igreja; pois partindo daquela pra outra, as coisas não mudam continuam a mesma.

Está muito difícil encontrar no Brasil uma igreja que pregue o verdadeiro evangelho, como está escrito na Palavra de DEUS.

Eu acredito que existe, mas são poucas.

Retirado dentre os comentários do post Que venha a perseguição! no blog Genizah
Há cristãos me perseguindo, excluindo-me conceitualmente dentro da minha família, dentro do meu já antigo rol de amizades, fora os que não me cumprimentam mais, os que fingem não ter me visto passar, os que tentam defender os que ouvem o que digo, com medo de eu os lavar a mente com minhas opiniões, e os que ainda têm contato comigo através da amizade com minha popular esposa.

Sei que ultimamente tem acontecido o mesmo com muita gente. Tantos têm cansado da vida mediocre que têm levado, tentando se fazer acreditar que serve à Deus servindo à sua igreja, seja cantando, seja orando em campanhas de oração, seja promovendo festas profanas disfarçadas, onde se gasta o que muitos fiéis estão precisando em suas mesas, seja limpando e ornamentando templos, seja trabalhando em seu emprego de pastor, seja se subordinando a pastores e apóstolos, intitulados pelo entendimento do homem ou por caros diplomas, na puxação de saco, considerando-os autoridades em suas vidas, seja depositando seu dinheiro em nome da convicção de benção financeira ou da maldição divina pelo "roubo" ao Senhor, seja simplesmente indo às reuniões e cumprindo as programações para aliviar a pressão da ciência de sua vida torpe durante a semana que se finda no início de uma nova, delongando o mesmo cíclo hipócrita. E é totalmente compreensível que não se sintam confortáveis nesse âmbito aqueles de quem falo, incluindo-me. Esse desconforto pode levá-lo a pensar e repensar sua participação nisso tudo, e pode ser que um dia sua paciência se estoure e decida abrir a boca e refutar as asneiras ditas em nome de Deus nessas igrejas; vai ver que todo desprazer que te incomoda era o mesmo que incomodava Jesus quando lidava com os religiosos sempre o perseguindo, e é bem provável que vão dizer que está sendo usado pelo diabo para levar desordem à igreja e que você não pode fazer bem o uso do entendimento para crêr; podem censurar sua necessidade de pensar; podem fingir que você não é mais "visível" e que nunca te chamou de irmão; mas também podem chover visitas em sua casa por um período; pode ouvir muitas declarações de amor que nunca ouviu e nunca sentiu; pode receber vários depoimentos de pessoas com aparentemente os mesmos pensamentos seus e vê-las os desmentindo numa situação ou em outra, em nome do desembaraço; pode até ter problemas conjugais, percebendo que a religião tende a dividir os pensamentos entre você e seu cônjuge, bem como os sonhos e os objetivos.

Sair da igreja e se aventurar em viver o Cristianismo no presente século pode lhe fazer sofrer sérias consequências, como pouco ilustrei, e como tenho sofrido. É uma mistura de contentamento e descontentamento. Por um lado você quer continuar na ilusão de que tinha muitos amigos e que Deus te atende à medida que você trabalha para a igreja, e por outro, sente alívio por, pelo menos, não se sentir mais tão fariseu e impostor como se sentia antes.

Meu único sonho hoje que merece alguma atenção é ser cristão verdadeiro; amar desavisadamente, sem alarde, já que a vida não parece ter muito sentido sem esse amor. Antes, estava ludibriado pela sensação de dever sempre cumprido, no que pensava ser servir a Deus. Hoje, estou ciente de que não faço o mínimo do que devo fazer para dar sentido na minha vida. Tomara que um dia o amor tome o lugar da religião no coração dos "fiéis" e apague as manchas e cicatrizes daqueles que teimam a voltar para o início de tudo, tornando-se "quase ateus" na tentativa de reaprender Deus e reacreditar nEle, agora com experiência própria e não mais de ouvir falar.

Lindoélio, no blog O's Lázaro's.

3 comentários:

CHICCO SAL disse...

Uma vez, refletindo sobre as coisas eclesiásticas - o sacerdotalismo, o clericalismo, a religiosidade, o paganismo e o hedonismo cristão, a babel cristã, etc - criei para mim um mnemônico, o Paradoxo Bangcoc.

Para quem não sabe, o verdadeiro nome de Bangcoc é "Krungthepmahanakhon Amornrattanakosin
Mahintharayutthaya Mahadilokphop
Noppharat Ratchathaniburirom
Udomratchaniwetmahasathan
Amonphiman Awatansathit
Sakkathattiyawitsanukamprasit" que, resumidamente, pode ser traduzida por "cidade dos deuses". Acredita-se que uma pessoa não consiga andar alguns poucos passos por lá sem que se depare com um templo consagrado a um dos seus deuses cultuados, estima-se que cerca de 1 milhão deles.

O Paradoxo de Bangcoc é esse: "gastamos fortunas construindo templos ao invés de edificar vidas".

É o que a religião cristã tem feito em todas as suas vertentes: construido templos e mais templos, quando deveríamos estar edificando vidas.

Abandonar, portanto, as formas culturalmente aceitas do cristianismo e tradicionalmente passadas de pai para filho, voltar-se apenas para Jesus Cristo, por mais difícil que seja, por mais que doa, ainda que venham as perseguições é mais que um ideal, uma ideologia, um movimento de restauração. É condição sine qua non para que todos que professamos essa fé voltemos a ter vida abundante, livre das cadeias e prisões de prédios construidos e denominados como igrejas. Não! Igreja somos nós!

Somos o corpo, a noiva, a igreja do Senhor, um corpo vivo constituido de pedras que vivem e não de pedras e tijolos mortos.

Precisamos sim da graça, mas muito mais é de coragem, coragem para não negar o Autor e Consumador de nossa fé.

Tá na hora, já passou a hora, de abandonarmos esse fermento farisaico, esse formalismo inócuo, e irmos para as praças, para as ruas... Mas não ir para evangelizar, antes ir para viver o que professamos.

Talvez assim possam nos reconhecer cristãos, possamos recuperar a verdadeira alegria de sermos feitos e chamados filhos de Deus, possamos cair na graça do povo.

É melhor ser considerado um ateu mas viver a fé, que afirmar ter fé e não viver por ela.

Eliézer disse...

Essa música do Carlinhos Félix nunca esteve tão atual quanto hoje para quem ousa a viver Cristo e não o cristianismo. Além de ser uma oração é um incentivo que não ficaremos sozinhos no Caminho-Jesus.

http://www.youtube.com/watch?v=yJ5qGN56z98&feature=related

Poquiviqui disse...

Perfeito!
Palavras como "ateu", agnostico", "questionador" aos ouvidos dos ditos cristaos sao quase como uma heresia. O cristao persegue ferozmente o questionador ao inves de ajuda-lo. Atacam-no, agridem-no de forma violenta em palavras e tentativas de catequese a forca, que eh uma coisa que um ateu, por exemplo, nao faria. Este tem a sua ideia e seus questionamentos e busca sempre o dialogo. Quem esta sendo cristao?

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