21.11.09

Álcool e literatura ou por que os escritores bebem?

"Beber fazia pessoas desinteressantes terem menos importância e, tarde da noite, não terem importância alguma". Lillian Hellman

"Só a luxúria e a gula valem alguma coisa". John Steinbeck

"Bebo exatamente o quanto quero, e um drink a mais". H.L. Mencken

Chame de arte, ciência ou alquimia. Seja o que for, a coquetelaria, ou como a chamam atualmente, a drinkologia, é uma atividade de firmes raízes no mundo anglo-saxão.

Os países latinos e/ou mediterrânicos da Europa, com sua tradição vitivinícola, se aprimoraram na sutileza e nos rituais de consumo dos seu produtos. O resto da Europa do norte foi fundo no desenvolvimento da cerveja, originária no Oriente Médio. E o coquetel moderno não existiria sem o desenvolvimento da destilação do álcool, que, inventada pelos árabes antes do século X, só se torna comum na Europa por volta do século XV.

O ciclo dos descobrimentos teve como fator fundamental a busca por especiarias, que passaram a ser usadas pelos monges nos mosteiros para a produção de licores, como o Benedictine. O comércio das aguardentes de cana, a cachaça e o rum, era um dos pilares do comércio colonial. Estava tudo ali. Álcool destilado, sabores exóticos de frutas e ervas, mas ainda assim faltava o ingrediente anglo-saxão!

As aventuras navais britânicas levaram às necessidades etílicas do seu povo, grande consumidor de cervejas e tradicional importador de vinhos da França e de Portugal, para lugares desprovidos de opções de qualidade. Daí que os porões dos navios transportassem rum, nem sempre de boa qualidade, para a ração diária da tripulação. A solução? Misturar com outros sabores.

Um dos mais antigos coquetéis é o grog, justamente a combinação destes dois produtos que fizeram a fortuna de britânicos, o rum e o chá. Aliás, o rum foi consumido por mim e por muitos outros, por muitas gerações, mais como leitura do que em sua forma líquida.

Explico: como Jorge Luis Borges, sou um apreciador de literatura anglo-americana de aventura do século XIX. E a menção ao rum é líquida e certa em qualquer livro que trate de tipos populares, seja em Melville, Stevenson ou Dickens. Os personagens sorviam litros e litros desta aguardente do Caribe.v A sofisticação de uma certa classe popular na Inglaterra e nos Estados Unidos, o aumento da mobilidade social e das viagens internacionais transformou gradativamente a taberna com estalagem no hotel com um bar. Bar este frequentado por gente de todo tipo que, se não bebia vinho de boa qualidade ou a popular cerveja, buscava ali alguma experiência etílica mais elaborada. Leia +.

Mauricio Tagliari, no Terra.

5 comentários:

Circulo Teológico disse...

Quando escrevemos focamos o nosso público, de acordo com os nossos costumes e com a nossa cultura. Observamos que os escritores brasileiros (pelo menos os mais tradicionais, como Jorge amado por exemplo), enfocam muito a MULATA (não gosto desse termo, pois muluta/mulato é um termo pejorativo que os portugueses usavam para destratar os negros e as negras. Vem da palavra mula). Por essa razão é que muito se fala em certos tipos de bebidas em muitos livro ingleses e americanos por exemplo.
Para encerrar, penso que literatura e alcool não combinam. Até porque, é impossível, quando alcolizado, interpretar e escrever um texto com coerência.

Pastor Afonso disse...

Sei também de "doutores" que bebem antes, durante e depois das cirurgias...aliais o que é que tem beber só um pouquinho né ? O beber, para os bêbados, não muda seu comportamento em nada....só piora né. Romanos 14:21 ...BOM É NÃO BEBER...

Anônimo disse...

Jesus foi chamado de beberrão porque ele não bebia...

Pastor Afonso disse...

Jesus também foi chamado de belzebu...logo ele era?

Walter Cruz disse...

Enquanto isso, vamos de Vinicius!

"O uísque é o melhor amigo do homem, ele é o cachorro engarrafado." (Vinícius de Moraes)

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