22.11.09

Um biólogo irado

O biólogo inglês Richard Dawkins, 68 anos, é sem sombra de dúvida o maior divulgador vivo da teoria da evolução. Seu primeiro livro, O gene egoísta (1976), inspirou uma geração de estudantes de biologia, enquanto o penúltimo, Deus, um delírio (2006), serviu como um poderoso argumento para elevar a autoestima dos ateus, incentivando-os a sair do armário

Com o seu novo livro, esplendidamente intitulado de O maior espetáculo da Terra - As evidências da evolução (Editora Companhia das Letras, 475 páginas, R$ 53), Dawkins faz uma defesa inabalável da teoria da evolução, formulada há exatos 150 anos por Charles Darwin, com a publicação de A origem das espécies (1959). O objetivo de Dawkins é justificar a validade da teoria ao público leigo – e avesso – à evolução. Sua meta é converter a massa ignara que, em nome de convicções religiosas, insiste em dar as costas ao princípio basilar das biociências, da genética e da medicina do século XXI.

Partir do princípio de que seu público-alvo é estúpido não seria um bom ponto de partida para o livro. No entanto, é precisamente isto o que Dawkins faz nesta sua cruzada científica evangelizadora. Ele inicia citando dois livros seus antigos, apenas para observar que, quando os escreveu nos anos 1980, “as pessoas eram, aparentemente, mais inteligentes” e ele não precisava argumentar que a evolução de fato aconteceu. “Não parecia ser necessário”, diz.

Estava enganado. Prova disso é a expansão, principalmente nos Estados Unidos, do criacionismo, movimento pseudo-científico que renega Darwin, e defende a necessidade de uma “inteligência superior” para justificar a complexidade da vida e do universo. Definido quem é o inimigo a ser enfrentado, Dawkins, já no primeiro capítulo, compara a sua tarefa à de um professor de história forçado a ensinar “um bando de ignorantes (...) À exceção daqueles lamentavelmente desinformados, é obrigação de todos aceitarem a evolução como um fato”.

Em cada capítulo, Dawkins destila ironia. “Este não é um livro antirreligioso”, afirma, antes de começar a bater sem dó nos dogmas religiosos. “Deus, é bom repetir o que deveria ser óbvio, mas não é, jamais criou uma asinha”, qualquer. Para Dawkins, os jovens criacionistas foram “iludidos até as raias da perversidade”. Tem-se a impressão de que Dawkins não consegue controlar sua ira. Ou melhor, desde que se aposentou em 2008 da Universidade de Oxford, Dawkins não tem mais porque refrear o seu ímpeto antirreligioso.

O maior espetáculo da Terra não é um mau livro – Dawkins não saberia escrever algo que fosse ruim. No entanto, pode-se perguntar por que ele perde tanto tempo tentando argumentar com os criacionistas. Todos nós sabemos que os criacionistas não são pensadores racionais. Eles são movidos por suas crenças, não pela lógica. Eis aí a justificativa da profissão de fé deste grande cientista. Dawkins não tem medo de ser politicamente incorreto. Não tem papas na língua. Não tem medo de criar polêmica nem chamar os criacionistas de imbecis. A única coisa que Dawkins teme é a ignorância.

fonte: Época

14 comentários:

Circulo Teológico disse...

Gostei!
muito bom esse post.
Os criacionistas são uns imbecis mesmo.

Jarbas disse...

dia desses ouvi o Pr Luiz Sayão dizendo uma coisa interessante. Quem apenas acha que o Papai Noel nÃo existe não fica escrevendo livro, artigos e nem dá entrevistas para ter certeza que ninguém acredite no Papai Noel. Mas a crença dos outros parece motivar o pessoal da turma do Dawkins e outros ateus. Por que tanto esforço para provar algo que eles não creem? certamente existem outras motivações por trás, inclusive a financeira e sobretudo a espiritual. Lembro apenas de Jo 3:19-21

Simplesmente Tininha disse...

Já vi ateu dizer que tem ódio de Deus e aí fico pensando: "Como pode ter ódio de Alguém que ele diz não existir?"
Por que se sentem tão incomodados se não acreditam na existência de Deus... parece até paranóia!!!

Claudia disse...

Militância é uma mer...

silas fiorotti disse...

Apesar de toda a militância atéia do Dawkins, não podemos negar que os criacionistas são uns imbecis mesmo. Os livros do Dawkins deveriam ser lidos por todos os evangélicos.

Paulo Comitre disse...

Quando vi o livro "Deus, um delírio" pensei: Como o cara pode gastar tanta tinta e papel para tentar provar a inexistência de algo? Se não existe pra que argumentar tanto?
Muitos xingam o Dawkins, mas creio que ele teve ter sofrido algo de alguém ligado à igreja, e por isso ele é tão hostil assim. Pude perceber que com outras religiões ele pega mais leve, e fala(malha) muito pouco dos politeístas!
Que Deus,mesmo sem ele acreditar, possa sarar o seu coração!!!

Francisco Mário disse...

Ele nos chama de imbecil!!! Mas vamos ver quem é imbecil. Imagine alguém que afirma que um computador e um relógio vieram de evoluções gradativas. Essa pessoa seria um idiota.

Richard Dawkins é o maior idiota da face da terra. Ele está irado porque cientistas renomados, inclusive da mesma universidade dele afirmam o contrário.


Ateu e um asno são a mesma coisa. A diferença é que um não fala e o outro fala. Pensar... os dois não fazem isso.

Francisco Mário disse...

Evolucionista é a pessoa mais idiota que vi na face da terra. Tenho pesquisado e visto que somente uma mente medíocre pode ser evolucionista.

A maioria dos evolucionistas só sabe por livros de biologia de ensino médio. São tapados e sem informação. Pode buscar se têm inteligência.

Gustavo K-fé disse...

Fico triste com os ataques aos ateus. Vários cristãos sentem prazer em malhar o Judas e a se sentirem mais felizes consigo por isso. D*us nos livre de pensar nas origens históricas e religiosas do ateísmo. E D*us nos livre de procurarmos juntos aprender sobre o D*us no qual os ateus não crêem. É melhor assim.

Isaac Marinho disse...

OlhaÊ!

"Todos os que não são capazes de discutir civilizadamente são tapados".

Criacionismo e evolucionismo não fazem das pessoas melhores ou piores. Por favor, parem de se ofender.

Se Deus criou tudo exatamente como é ou se as coisas evoluíram a partir de uma "sopa orgânica diluída", isso não muda o fato de sermos semelhantes. Teorias, conjecturas, especulações são tentativas de alcançar algum conhecimento, mas não são definitivas nem imutáveis (a própria proposta darwiniana "evoluiu"). Acredito que mesmo Darwin ficaria surpreso em ver os resultados que sua teoria gerou indiretamente, i.e., uma "nova religião".

Não dêem ao evolucionismo o status religião. Não dêem à religião o status de ciência. Cada coisa tem seu devido lugar. As teorias científicas não existem para negar a religião ou a existência de Deus (se existissem para isso, não serviriam de nada, pois se não se quer acreditar, basta não ter fé... =D), mas para dar explicações racionais aos fatos; afinal, a fé não é de todos (acho que é assim que se diz...).

A religião não existe para negar ou substituir a ciência, existe para unir os que têem uma fé comum; não me perguntem de onde vem esta fé nem para que serve, pois isto geraria outra discussão desnecessária; seria como discutir "de onde o homem veio e para que propósito ele existe". Uns diriam uma coisa e apontariam um propósito, outros diriam outra coisa e acrescentariam que não há propósito, e nenhum dos dois arrazoaria que ambos podem estar, em parte, errados ou, em parte, certos.

Se não são capazes de discutir sem se ofender, ofendam-se sem discutir. =D

Um abraço.

KelsonCM disse...

"Todos nós sabemos que os criacionistas não são pensadores racionais." Está faltando argumento, aí parte para a depreciação. É como um homem branco tentar se afirmar dizendo que mulheres negras não inferiores... apenas isso, "são inferiores" e mais nada a dizer.

Paulo Comitre disse...

Bom queridos "comentadores", creio que temos fugido do que a Bíblia nos diz. Claro que ficamos tristes quando vemos pessoas como Dawkins e tantos outros. Porém, alguns têm respondido, ao meu ver, errado. Têm xingado e usado palavras ofensivas. Não é isso que a Bíblia diz para fazermos. Em I Pedro 3. 15, 16 o Apóstolo diz que devemos responder aos que pedem razão da esperança que há em nós. Mas deve ser feito com mansidão e temor, para que que os que nos chamam de imbecis sejam envergonhados.
Portanto, não podemos usar os mesmo termos que eles usam. Se não os tratarmos com mansidão e amor, como poderemos ganhá-los para Cristo?
Fiquem na paz!!!

T. R. Freitas disse...

Sabe, tenho várias opiniões sobre religião e fé. Eu acho que ser um descrente é um luxo que poucos podem ter. Eu acho que Jesus provavelmente existiu, e seus ensinamentos são revolucionários, eu só não acho que ele transformou água em vinho, ou andou sobre a mar, e não acho que essa divindade idiota tira a moral das coisas que ele tentava ensinar. Acho que a maioria dos religiosos não entendem nada de religião. Eu tbm acho q ser ateu acaba espelhando a mesma certeza perigosa de que há um deus. Eu acho é que, eu não sei se há um deus, não há provas da sua existência ou nenhuma deidade. Porque a dúvida é que me faz procurar e pesquisar cada vez mais. Dúvida é que nos guia para a interminável busca à sabedoria. Dúvida é que nos incentiva ao conhecimento. E Dúvida é o que faz o Pelé sempre pedir testes de DNA antes de assumir alguma paternidade.

Coronel Venâncio Braga disse...

"A evolução é um bom exemplo daquela inteligência moderna que destrói a si mesma, se é que destroi alguma coisa. A evolução ou é uma descrição cintífica inocente de como certas coisas terrenas aconteceram; ou então, se for algo mais que isso, é um ataque contra o próprio pensamento. Se há uma coisa que a evolução destrói, essa coisa não é a religião, mas sim o racionalismo. Se a evolução simplesmente significa que algo positivo chamado macaco transformou-se lentamente em algo positivo chamado homem, então ela é inofensiva para o mais ortodoxo; pois um Deus pessoal poderia muito bem criar coisas de modo lento ou rápido, especialmente se, como no caso do Deus cristão, ele estivesse criado fora do tempo."

G.K. Chesterton (Ortodoxia)

O que eu vejo é que: uma discussão que se baseia, por um lado em argumentos que se dizem totalmente racionais e que se acham dignos da verdade por isso, e por outro lado argumentos totalmente baseados em um fé que tapa os olhos e ouvidos do mais simplório dos homens, essa discussão é tão inútil quanto correr atrás do vento.

Eu me abstenho de fazer críticas, mas o senhor Richard Dawkins merece, até onde eu conheço, o título de perversor da ciência, pois ele transforma a ciência no que ela definitivamente não deveria ser, ortodoxa!

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