13.12.09

A seleção natural moldou a religiosidade

A religiosidade é um comportamento moldado pela seleção natural e fez alguns grupos de seres humanos terem vantagens competitivas sobre outros há milhares de anos. O resultado disso é que hoje todos nós temos um instinto religioso, que nos faz querer acreditar em Deus. A polêmica tese está no livro The Faith Instinct (O Instinto da Fé em tradução literal, ainda sem nome oficial no Brasil), do jornalista britânico Nicholas Wade, repórter especial de Ciências do jornal americano The New York Times.

Nascido e criado no pequeno condado inglês de Buckinghamshire, Wade foi criado na Igreja Anglicana, mas diz que sua religião não influenciou a obra. Wade conta que escreveu o livro como jornalista e, portanto, tentou evitar a inclusão de qualquer experiência pessoal.

Como fez no livro de 2006 Before the Dawn (Antes do Amanhecer em tradução literal), no qual tenta reconstruir a ancestralidade do homem desde a dispersão pela África, há 50 mil anos, Wade usa descobertas recentes da arqueologia para tentar provar que o fato de ter uma religião – seguindo o chamado instinto da fé – está na base do sucesso dos seres humanos como espécie.

Nesta entrevista a ÉPOCA, Wade conta como chegou a essa conclusão e explica como a religião beneficiou a humanidade.

ÉPOCAO senhor se baseia em evidências arqueológicas que provariam que o comportamento religioso do ser humano existe há milhares de anos. Quais são as principais evidências?

Nicholas Wade
– Há uma série de evidências descritas no livro, como arenas para danças religiosas de 7 mil anos, templos de 1,5 mil anos. Essas evidências são persuasivas e mostram que a religiosidade é universal. Isso sugere que esse comportamento é muito antigo e já estava presente na população humana ancestral antes de ela se dispersar na África, 50 mil anos atrás.

ÉPOCAQuais são as vantagens evolutivas proporcionadas pela religiosidade?

Wade
– A religiosidade conferiu uma vantagem muito significativa a alguns grupos de humanos. Ela permitiu que determinados grupos permanecessem juntos, criassem uma ligação emocional e buscassem um objetivo comum. Uma vez que todos estivessem comprometidos com esse objetivo, eles poderiam chegar a um acordo sobre como se comportar em relação ao outro, definindo padrões morais, poderiam decidir como se defender contra inimigos. Era uma vantagem poderosa, e a seleção natural permitiu que os grupos com comportamento religioso sobrevivessem e florescessem.

ÉPOCAEntão a religião e a moralidade evoluíram em conjunto?

Wade
– São instintos diferentes. Nós vemos indícios de um comportamento pré-moral em animais, como por exemplo nos chimpanzés. Dois machos podem brigar, mas depois fazem as pazes e essa reconciliação traz benefícios ao grupo. A religião e a religiosidade funcionam de forma diferente. Uma coisa é saber o que é certo e outra é realmente fazer o que é certo. A religião força o comportamento moral. Leia +.

fonte: Época

2 comentários:

Ayres Filho disse...

“...todos temos o mesmo instinto religioso. E este instinto não é uma religião...”

Esta observação de Wade pode ser melhor entendida no “poema dos coraítas” (Salmo 42), onde o autor declara:

“Como a corça anseia por águas correntes, A MINHA ALMA ANSEIA POR TI, Ó DEUS. A MINHA ALMA TEM SEDE DE DEUS, do Deus vivo”.

Roberto disse...

E eu que pensava que essa idéia era original minha...

Ainda bem que não.

Já levei muita pancada por defender essa tese em debates onde haviam ateus.

Acredito piamente que toda a humanidade nasce com o instinto de procurar o Criador. Alguns seguem essa tendência, outros tentam ignorar... pra mim, são variantes gênicas.

Têm razão, afinal, os calvinistas por acreditarem que alguns são "predestinados". É a genética.

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