27.1.10

Liberdade de Imprensa ou Liberdade de Empresa?

Se, como afirmam as Escrituras, é o conhecimento da verdade que liberta, a situação do leitor brasileiro é de escravidão. Viajando pelo interior de 25 unidades da nossa Federação, encontrei 90% de suas emissoras de rádio nas mãos dos chefes políticos locais, o que foi agravado com o festival de concessões para a extensão do mandato do Presidente Sarney.

O controle da informação é total, assim como a “não-notícia” dos excluídos e dos divergentes. Igrejas, associações de moradores e sindicatos têm tentado romper o bloqueio com rádios comunitárias, que se tornam “piratas” diante das pesadas exigências legais, e terminam fechadas acusadas de interferir com o tráfego aéreo, quando a única coisa que sobrevoa esses municípios são os urubus...

Ao nível da imprensa dos Estados, sejam rádios e jornais, sejam afiliadas das grandes redes, o monopólio está solido nas mãos das oligarquias regionais e das famílias do mandonismo desde as capitanias hereditárias. Muitos de nós conhecemos bem seus métodos sutis ou truculentos de vetos a quem ou a que não se quer tornar conhecido.

A chamada “grande imprensa” nacional (televisão, revistas e jornais) é dominada por meia dúzia de famílias, representando interesses nacionais e/ou internacionais. Os escritórios das agências de notícias aqui representadas, colhe as matérias, envia para as matrizes no estrangeiro, que as editam e reenviam para aqui serem publicadas. A seleção do(a)s comentaristas políticos e econômicos implica em sua apologia das maravilhas do capitalismo e do império.

Em seu conjunto, a “grande imprensa” coloniza, distorce e manipula. Vivemos sob uma forma sofisticada de férrea censura, de anestesia intelectual e de perda de massa crítica, em uma uniformização do pensamento único.

Como concessionárias de um serviço público, com que critérios se dão e renovam essas concessões? Quais as normas? Quais os organismos reguladores? Como a sociedade pode se expressar nesse processo?

Somos contrários ao controle da mídia via partidos nos governos (que terminam por compartilhar das mesmas ideias e interesses), mas – e a Europa tem inúmeros exemplos – empresas públicas não-estatais podem ser controladas pelo conjunto diverso da Sociedade Civil, mais cidadãos e menos meros contribuintes, quando se quer construir uma nação e não um mercado.

Como patriotas temos um dever de resistência. Como cristãos temos um dever de denúncia profética. Pobre Brasil, onde a verdade é apenas a mentira travestida! Definitivamente, não temos liberdade de imprensa, mas liberdade de empresa.

Abre os olhos meu povo, mesmo que isso doa!

Robinson Cavalcanti, bispo anglicano.

Um comentário:

José Eduardo da Silva disse...

Antes de tudo gostaria de agrader por acompanhar meu blog, é uma honra. Mas falando um pouquinho...

Pobre Brasil mesmo. Modelos socialistas de fachada como o de Cuba, onde a censura vai além de todos os limites obrigando o povo amanter duas ou três emissoras no ar com conteúdo selecionado. Quem quiser ter uma mísera parabólica tem que ser estrangeiro, pois os ucbanos que se lasquem. Como diria meu tio: "igual mas diferente" faz os "senhores feudais" by terra braziles, que manipulam o meracdo, mantendo viva a emissora que desejam, ou fortes as que querem que sejam, e ainda manipulando notícias. Postei esses dias em meu blog um artigo (http://feitosparapensar.blogspot.com/2010/01/com-40-anos-de-experiencia-em-estudos.html) que fala sobre aquecimento global. Nele Luiz Carlos Molion questiona o que se propaga por aí sobre aquecimento global e derretimento de geleiras. Resumindo, pintam por aí um monstro de proporções maiores do que ele é, e não é de hoje que tenho visto alguns cientistas como Molion questionando as notícias que vendem as emissoras. O alarde é maior do que pode ser, mas porque a mídia não mostra nada disto, por não mostra a oposição. Fantasiam uma democracia através da multiforma de fazer notícias e entretenimentos para destrair muitos desapercebidos. Mudando o velho dito: "QUEM TEM BOCA...NÃO PODE FALAR". E por que? Porque quando quiserem editam o que for de proveito deles. Bem feito pra eles, ninguém mandou inventarem este tal de Blog, aqui "noís fala e eles escuta". Como diria o velho lobo Zagalo: vão ter que me engolir.

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