2.3.10

Alma em frangalhos

Infelizmente, é com o coração agonizante e alma em frangalhos que confesso: todo esse histórico de luta e de trabalho incessante em favor dos desprotegidos, daqueles que não tem um teto para morar, dos desempregados, dos injustiçados, não foi suficiente para garantir meu mandato parlamentar aqui na Câmara Legislativa.

Acabei vítima de uma conspiração política.

O turbilhão provocado pela chamada operação “Caixa de Pandora”, levada a cabo pela Polícia Federal, em fins de novembro do ano passado, foi crescendo como uma avalanche.

A forma como o tema foi levado à opinião pública, com imagens montadas e manipuladas ao sabor da conveniência dos poderosos de ocasião, teve o objetivo específico de desestabilizar meu trabalho parlamentar e impedir novos horizontes em minha carreira política.

Os vídeos, não oficiais e manipulados, foram divulgados como uma verdadeira overdose pela mídia, sem que eu pudesse responder com serenidade e equilíbrio ao massacre público de minha imagem como homem de Deus e parlamentar.

A chamada “Oração da Propina”, largamente divulgada, não passou de uma manipulação grosseira. Já que aquela prece aconteceu em setembro de 2009 e não em 2006, após o suposto recebimento de ajuda para a campanha política daquele ano.

Acontece que os meios de comunicação, com raras exceções, não teve o cuidado de verificar as datas, ler o conteúdo em detalhes, enfim, não houve uma preocupação com a verdade. Os fatos reais não apareceram. Surgiram meias verdades e conclusões definitivas, sem o respaldo do contraditório. Todos nós sabemos que uma mentira, divulgadas à exaustão, conseguiram penetrar nos corações e mentes a convicção de um crime que não existiu.

A tão comentada oração foi dirigida a uma pessoa, que, naquele momento, vivia grandes conflitos emocionais, um dilema íntimo.

O que eu fiz, na companhia de um colega parlamentar, foi uma oração que desse ao personagem o reconforto espiritual, o equilíbrio emocional. Registre-se que a oração foi feita a pedido do mesmo.

É importante lembrar que até mesmo Jesus Cristo, o Deus feito homem, não abandonou aqueles que cometeram crimes. “Atire a primeira pedra aquele nunca pecou”, diz a passagem bíblica. Jesus Cristo perdoou Maria Madalena, tida como pecadora e adúltera.

Assim, aquela oração não visava bens materiais, mas o reconforto de uma alma em conflito e angustiada pelos diversos problemas pessoais e administrativos que enfrentava naquele momento.

Os falsos moralistas, os invejosos de ocasião, os oportunistas de plantão, conseguiram impor meias verdades e um turbilhão de mentiras à mídia, de uma maneira brutal.

Tentaram, e, infelizmente, conseguiram colocar em xeque todo um trabalho voltado para o conforto da população, dos eleitores do Distrito Federal.

Tenho, contudo, a convicção dos fortes. A sabedoria dos humildes, a perseverança dos oprimidos e a vontade férrea de repor a verdade. E conseguirei. A história dirá, com a crueza dos fatos, que falo a verdade.

Diante desse massacre político e institucional, não me restou alternativa que não fosse a renúncia. Assim, renuncio ao mandato de deputado distrital.

Renuncio ao meu mandato para não ser submetido ao julgamento político previamente decidido. Buscarei provar na Justiça a minha inocência.

Mesmo tendo a convicção de que provarei minha inocência perdôo aqueles que, mesmo assim, diante da verdade, me crucificaram. Peço perdão e espero que, no futuro, possam entender que fui vítima de uma ação torpe voltada para cassar minha cidadania.

Agradeço aqui a Deus por tudo de bom que tem me dado tanto em minha vida pública quanto particular; ao meu pai e minha mãe, inspiradores e formadores de meu espírito cristão e do meu caráter; ao segmento evangélico pelo apoio recebido em dois mandatos; a população brasiliense e, em especial, minha equipe de trabalho, composta de pessoas profissionais e competentes.

trechos da carta de renúncia do deputado distrital Júnior Brunelli.

fonte: Correio Braziliense

entre suas realizações, o cara menciona a "isenção do pagamento do IPTU e da Taxa de Lixo" p/ templos religiosos. o irmão despachante poderia ter lembrado propostas de "interesse público" como os quase R$ 2 milhões que pediu p/ eventos relevantes como o Congresso das Mulheres Virtuosas.

num surto de modéstia, ele afirmou ter "a convicção dos fortes, a sabedoria dos humildes e a perseverança dos oprimidos". faltou mencionar a cara-de-pau daqueles que se valem da (literalmente) boa-fé do rebanho p/ depois conspurcar ainda + a sua maculada imagem. adeus.

4 comentários:

interpretanteimediato disse...

Ai, que dá uma angústia no estômago ao ver gente assim com tanto poder nas mãos!!!

Robson Madeira disse...

Desculpa aí amigo, mas como me disse um amigo policial certa vez:"Quem não deve não TREME..."

prjulio disse...

Deputado: Perdeu uma grande oportunidade de ficar calado e sair de fininho, irmão bundão!

Joelson disse...

É UMA PENA!
Caro irmão, fico triste por tudo isto que está acontecendo em Brasilia, e muito mais triste ainda por envolver um "cristão", filho de um Pastor. Não posso julgar você. Se você fala a verdade, Deus irá agir em seu favor. Se mente, associa-se ao pai da mentira. A misericórdia de Deus é a razão de não sermos consumidos.
Deus lhe abençoe.
Pr Joelson Santana
Feira de Santana - Ba.

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