22.3.10

O vício da internet

Três anos perdidos

“Desperdicei três anos da minha vida jogando Tibia, um game no computador cuja graça, para aficionados como eu, é ser infinito. Passava pelo menos seis horas por dia em frente à tela e, longe dela, não conseguia pensar em outra coisa senão na hora em que voltaria ao jogo. Foi uma época negra. Não saía de casa e perdi os amigos. Estava tão isolada que, por iniciativa própria, decidi restringir, por ora, o computador na minha vida. Esse processo de desintoxicação, imagino, deve ser tão sofrido quanto o daqueles que tentam largar o álcool. Você precisa reatar as velhas amizades e até se acostumar de novo à vida ao ar livre. O saldo é bom.”

Caroline Parreiras, 18 anos

É difícil perceber o momento em que alguém deixa de fazer uso saudável e produtivo da internet para estabelecer com ela uma relação de dependência — como já se vê em parcela preocupante dos jovens

Os jovens são, de longe, os mais propensos a extrapolar o uso da internet. Há uma razão estatística para isso — eles respondem por até 90% dos que navegam na rede, a maior fatia —, mas pesa também uma explicação de fundo mais psicológico, à qual uma recente pesquisa da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, lança luz.

Algo como 10% dos entrevistados (viciados ou não) chegam a atribuir à internet uma maneira de “aliviar os sentimentos negativos”, tão típicos de uma etapa em que afloram tantas angústias e conflitos. Na rede, os adolescentes sentem-se ainda mais à vontade para expor suas ideias. Diz o psiquiatra Rafael Karam: “Num momento em que a própria personalidade está por se definir, a internet proporciona um ambiente favorável para que eles se expressem livremente”. No perfil daquela minoria que, mais tarde, resvala no vício se vê, em geral, uma combinação de baixa autoestima com intolerância à frustração.

Cerca de 50% deles, inclusive, sofrem de depressão, fobia social ou algum transtorno de ansiedade. É nesse cenário que os múltiplos usos da rede ganham um valor distorcido. Entre os que já têm o vício, a maior adoração é pelas redes de relacionamento e pelos jogos on-line, sobretudo por aqueles em que não existe noção de começo, meio ou fim. “Hoje eu me identifico mais com Furyoangel, meu apelido na web, do que com meu próprio nome”, reconhece Marcelo Mello, 29 anos, ex-estudante de direito e gerente de uma lan house no Rio de Janeiro.

Desde 1996, quando se consolidou o primeiro estudo de relevo sobre o tema, nos Estados Unidos, a dependência da internet é reconhecida — e tratada — como uma doença. Surgiram grupos especializados por toda parte, inclusive no Brasil, como o da Santa Casa de Misericórdia, no Rio de Janeiro, e o do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, na Universidade de São Paulo. “Muita gente que procura ajuda aqui ainda resiste à ideia de que essa é uma doença”, conta o psicólogo Cristiano Nabuco de Abreu. O prognóstico é bom: em dezoito semanas de sessões individuais e em grupo, 80% voltam a níveis aceitáveis de uso da internet.

Não seria factível, tampouco desejável, que se mantivessem totalmente distantes dela, como se espera, por exemplo, de um alcoólatra em relação à bebida. Com a rede, afinal, descortina-se uma nova dimensão de acesso às informações, à produção de conhecimento e ao próprio lazer, dos quais, em sociedades modernas, não faz sentido se privar. Toda a questão gira em torno da dose ideal, sobre a qual já existe um consenso acerca do razoável: até duas horas diárias, no caso de crianças e adolescentes. Quanto antes a ideia do limite for sedimentada, melhor. “Os pais não devem temer o computador, mas, sim, orientar os filhos sobre como usá-lo de forma útil e saudável”, avalia a psicóloga Ceres Araujo. Desse modo, reduz-se drasticamente a possibilidade de que, no futuro, eles enfrentem o drama vivido hoje pelos jovens viciados. Leia+.

Fonte: Veja

Essa "solidão coletiva" vai crescendo. E faz tempo que se debate o assunto, veja neste post algumas informações sobre essa "nova doença".

3 comentários:

Theo disse...

Os leftards, diriam: Isso é coisa do PIG... mentira! Anyway, Eu me considerava viciado nos meus 16-18 anos, tibia é fim de carreira, eu curtia coisa mais decente :P. (pinga do zé comparada à Westvleteren ;)) mas agente vai ficando "maduro" e ganhando auto-estima, coisa que poucos jovens conseguem hoje em dia, e então isso acaba.
Hoje se confunde auto-estima com ser grosseiro, ou parecer sério.

Diógenes SkauSURF disse...

Em outras palavras... NERD SÓ FAZ NERDICE! =)

RPGabriel disse...

Estive pensando acerca do texto, e o que vejo nos jovens que trabalho na comunidade em que participo é que os jogos de video game dão uma virtual sensação de "propósito de vida". Muitas vezes, por falta de maturidade dos próprios pais - que também não tem propósito algum em suas vidas - os filhos ficam sem noção de o que fazer com sua energia e disposição, e quando encontram algo feito um jogo online, acabam acreditando que acharam seu propósito.

Também observo que quanto mais "infinito" o jogo, mais isso fica nítido, porque o jogo toma gradativamente o lugar dos objetivos reais que o jovem poderia ter (como concluir estudos, lidar com responsabilidades da vida, trabalhar) e com o advento da interação online com outras pessoas na mesma busca, faz com que a sensação de "participar de algo maior" seja mais forte.

Tem comunidades cristãs que não tem a força de unir que um jogo online tem, simplesmente pelo fato de que essas comunidades não tem senso de propósito em sua existência e atuação na sociedade.

Até quando vamos ficar sendo espectadores que VÃO a igreja, como se a igreja fosse um cinema da fé, ao invés de entender que igreja É "PESSOAS UNIDAS NUM PROPÓSITO COMUM DE BUSCAR, LOUVAR E SERVIR A DEUS" ?


O jovem, que muitas vezes tem

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