27.4.10

Misericórdia, justiça e a comunidade GLBT (1)

Gostaria de apresentar a vocês Nathan Albert. Nathan é parte de um ministério único em Chicago chamado Fundação Marin. A Fundação Marin existe para construir pontes entre a igreja e a comunidade gay. Pode não parecer um ministério que gera diálogo sobre justiça… mas justiça, em seu âmago, é procurar corrigir o que está errado. Todos nós certamente concordamos que o relacionamento entre a igreja e a comunidade gay está muito longe do correto. A Fundação Marin está fazendo um importante trabalho construindo pontes e gerando diálogo sobre este assunto importante. Andrew Marin, presidente da fundação é autor do livro Amor é uma orientação: Aumentando o diálogo com a comunidade gay.

Em primeiro lugar, fale um pouco sobre você e por que decidiu se envolver com a Fundação Marin…

Até a vida adulta eu não conheci muitos homens ou mulheres gays. Contudo, quando entrei na faculdade cursei Interpretação de Teatro Musical, onde a maioria de meus professores, mentores, companheiros de quarto e colegas eram gays. Depois da faculdade, passei aproximadamente cinco anos trabalhando profissionalmente como ator/cantor em quase todo o país fazendo musicais em diversos teatros regionais. Em alguns desses teatros, fazíamos apresentações onde eu era o único heterossexual no elenco. Durante todo esse tempo estive imerso na comunidade GLBT (gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros) principalmente porque muitos de meus amigos do mundo do teatro musical eram gays. Mesmo sendo um cristão heterossexual me sentia confortável na comunidade de GLBT, visitei baladas, clubes e eventos gays e tinha muitos amigos gays.

Comecei a ouvir que um número muito elevado desses meus amigos gays teve experiências terríveis dentro da igreja. Parece que esse tipo de experiência era a regra. A maioria deles foi expulsa de suas igrejas quando saíram do armário, alguns foram humilhados por membros da própria família. Um rapaz inclusive foi cuspido na cara por seus amigos cristãos quando disse que era gay! Encontrei uma desconexão entre a igreja que eu amava e os amigos que eu amava. Parecia que os amigos que eu amava tanto “eram proibidos” de ir à igreja, algo que eu igualmente amava. Doeu muito saber que tantos amigos gays tinham sido “queimados” pela comunidade cristã. Como cristão isso era algo doloroso. Agora desejo não apenas me desculpar com meus amigos, mas também trabalhar pela reconciliação entre essas duas comunidades. Para ser completamente honesto, meu desejo egoísta é ver meus muitos amigos gays um dia poderem sentar ao meu lado em uma igreja e juntos adorarmos o nosso Senhor ressurreto.

Eventualmente, fui para o seminário fazer meu mestrado em Divindade. Eu supunha que outros cristãos tiveram tantos amigos gays quanto eu. Minhas suposições estavam completamente erradas. Muitos cristãos não têm nenhum tipo de amizade com os membros da comunidade GLBT. Este é um problema grave, especialmente quando aqueles que falam sobre alcançar a comunidade GLBT não têm nenhuma ligação pessoal com ela.

Fiquei interessado na Fundação Marin porque eles tinham um ministério diferenciado. Não estavam tentando mudar qualquer teologia das pessoas sobre o homossexualismo, nem falam na perspectiva de alguém “de fora”. Não tentavam “mudar” indivíduos gays, mas queriam que todos conhecessem a Cristo. Procuravam maneiras de gerar uma reconciliação palpável, educar os demais para que, como cristãos, não desumanizássemos qualquer outra pessoa, e procuram elevar o diálogo para que haja diálogo e ações construtivas. Atualmente, sou o diretor de cuidado pastoral da Fundação Marin. (continua)

fonte: Tim Schraeder
tradução: Jarbas Aragão

4 comentários:

Marielen Cordeiro disse...

Cuspir numa pessoa...
O único momento na Bíblia em que vejo Jesus cuspindo foi no barro, pra curar a visão de um cego...
Querido irmão que acabou de ler esse texto: se você não sente tristeza pelos "queimados" pela igreja, pode ter certeza de que há grande chance de você estar "carregando uma caixa de fósforo no bolso..."

Diógenes SkauSURF disse...

Marielen, há um outro momento também... quando cuspiram em Nosso Senhor, durante seu suplício.

Uma tristeza sem fim.

Cuspo - com nojo - dessa falta de amor que contamina a humanidade, da qual eu faço parte, para vergonha minha...

E te digo que carregamos fósforos, e galões de gasolina - e, alguns, um lança-chamas verbal, literário, em verdade e de fato.

Leandro Elias disse...

Como fui criado numa igreja super rígida, hoje com 34 anos minha visão é completamente diferente. Incito muitos irmãos de como ele receberia uma pessoa gay, tatuado com 1000 piercings no corpo etc. Temos sim que receber estas pessoas pois nunca iremos convencer ou mudar seu estilo de vida. Devemos sim orar e deixar o Espírito Santo trabalhar com elas. Pessoas "brecam" a ação do Espírito Santo se colocando no lugar de DEUS para julgar suas açoes. Terrível. A Deus todo louvor e honra

Anônimo disse...

Muito interessante o trabalho da fundação Marin.
Legal o blog publicar estes artigos.Precisamos encarar a Igreja como ela é ! E não ficarmos fingindo que nao existem homossexuais em nosso meio , ou até mesmo excluí-los como se fossemos melhores que eles.
Postem mais artigos , precisamos discutir sobre o assunto.
Paz do Senhor

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