29.8.09

Não quero o direito de ser homofóbica

Em um momento como o que estamos vivendo no Brasil temos que saber pesar nossas palavras como Igreja. Não é nosso papel legislar moral. Deus criou a lei moral a partir de seu próprio coração refletindo seu amor e cuidado com aqueles que Ele mesmo criou e que conhece muito bem.

É sua intenção que nossa sexualidade refletisse a profundidade e intimidade do relacionamento que Ele mesmo quer ter conosco. É sua intenção que nossa sexualidade seja responsável, monogâmica, comprometida por toda a vida, gerando o núcleo da família, filhos que vão encher a terra e conhecer parte de seu amor através do amor que seus pais em família são capazes de gerar. É sua intenção que nossa sexualidade seja hetero-sexual, para poder cumprir as duas outras intenções acima: um amor que se encontra nas diferenças e não na igualdade e um amor capaz de gerar biológicamente, fisicamente completo nas palavras de Roberto Carlos pelo côncavo e o convexo.

Deus é o criador do sexo e do prazer sexual. No entanto apesar de todos estes projetos maravilhosos para a família ele não se ilude à respeito do mal uso que podia ser feito deste sexo inventado por ele. Há páginas e páginas na Bíblia sobre com que e com quem não devemos praticar sexo. Não pratique com sua irmã, com seu irmão, com seu pai, com sua mãe, com outro homem se você for homem, com outra mulher se você for mulher, com o bode, com animais, etc., etc. Deus não presumiu que por haver um ideal, estaríamos todos compelidos a ele. Ele estabeleceu sanções claras para que Israel como toda sociedade sadia tivesse como reforçar o padrão social estabelecido por ele, senão com certeza como acontece em qualquer sociedade este padrão se perderia completamente em poucas gerações.

Como Igreja vivemos hoje no Brasil uma encruzilhada moral e cultural. É nosso dever e nosso ideal cristão viver os princípios de Deus para a família. Infelizmente vivemos estes valores de uma forma pífia. A Bíblia dá mais ênfase ao adultério, do que às perversões, defendendo os limites da família com veemência. Nós cristãos não damos ao adultério a mesma importância, justificamos, entendemos, e até “defendemos” adultérios em nome da felicidade pessoal e em nome do mero hedonismo que tempera nossa religião com o mesmo sabor do mundo.

Mas a homossexualidade? Ah, este sim é um pecado gravíssimo e numa hora como esta nos desesperamos para ter uma voz. Infelizmente não sabemos nem pelo que lutar. Que tipo de voz queremos? Uma voz moral? Queremos que as leis brasileiras reflitam as leis morais de Deus? Que os homossexuais sejam apedrejados? Acho que o bom senso nos diz que não. Queremos então que o Estado brasileiro se conforme mais aos padrões de Deus e não permita a união legal homossexual? Seria um clamor mais razoável e teríamos que trabalhar um tempo com a sociedade para verificar se este é o desejo da maioria da sociedade. Mas também não teríamos tratado com o problema principal.

Como disse a estudiosa da Bíblia professora Landa Cope, que tive o privilégio de ouvir recentemente, de acordo com a palavra de Deus a responsabilidade de legitimar casamentos não é do Estado. O Estado pode casar dois homens, um homem com duas mulheres, três homens com uma mulher, dois porcos com uma galinha, que pra Deus não faz diferença. Esta responsabilidade também não foi dada à Igreja. Numa sociedade que vive princípios bíblicos esta responsabilidade é da família. É no dominío das famílias que se legitima, e fortalece a união de dois jovens, a formação de uma nova família. Vemos casamentos na Bíblia mas nem um casamento feito ou legitimado pela igreja ou pelo estado. Como acontece até hoje nas sociedades tribais, e muçulmanas, as famílias dos noivos se juntam entram em acordo e se comprometem em nutrir e abençoar a constituição de uma nova família.

Se o Estado acha por bem legitimar a união homossexual e a população do país concorda, não há nada que podemos fazer como cristãos. Não é o ideal para sociedade nenhuma, como cristãos se nos for dado o direito de voto, diremos não, mas será que vai fazer muita diferença? Infelizmente nos dias de hoje até os casamento heterossexuais estão se desfazendo em mais de 40%. Será que os pseudo-casamentos gays tem chance de durar mais? Eu duvido.

Como cristã tenho que dar a mão à palmatória e também reconhecer que a confusão entre moralidade e leis governamentais também não é de Deus. Misturar Deus e estado foi um erro na época de Constantino e continua sendo um erro hoje.

Um estado justo e que reflete os valores de Deus vai afirmar para cada indivíduo o direito às suas escolhas individuais desde que estas escolhas não firam o direito de outros. Muitos evangélicos estão numa expectativa de uma espécie de “sharia” cristã onde a moralidade cristã seria reforçada pelo estado. Além de ser injusta e absurda esta “sharia” não mudaria o coração dos homens que só é definitivamente mudado de dentro pra fora.

Como discutir então a questão homossexual no Brazil hoje?

Temos o dever cristão de lutar contra a homofobia. A discriminação de pessoas com base na sua preferência sexual é tão ruim como a discriminação com base na sua crença religiosa. A voz anti-homofobia deveria ter sido ouvida primeiro da nossa boca, um grito de amor em favor do aflito. O homossexual é gente. Tem direito à emprego, tem direito à tratamento médico, tem direito a ter o seu espaço. Se tivéssemos liderado esta luta é provavel que não teríamos que viver hoje o desconforto da imposição da agenda homossexual como estamos vivendo. Teríamos nos aliado a eles pelo amor de Cristo, e não nos levantado contra eles numa cruzada de ódio e preconceito. O amor faz toda a diferença. O reino de Deus se ganha perdendo...

Mas agora é quase tarde demais. O pacote gay está no congresso e está pesado. Agora quem está sendo roubado de direitos somos nós. Se o pacote for aprovado como está não teremos mais o direito de expressar nossos valores morais, e teremos que engolir uma educação homossexualizante imposta nas escolas à pretexto de “prevenção anti-homofobia”. O que fazer??

Imagino que se erguemos nossa voz agora de maneira racional, cordata se nos uníssemo pelo verdadeiro desejo de que o direito de todos sejam respeitados, os nossos, e os deles, quem sabe ainda poderíamos mandar uma delegação para o “Grupo de Trabalho” da senadora Fátima Cleide, e ser ouvidos. Se nossa voz for amor, for respeito, seremos também respeitados.

Bráulia Inês Ribeiro [via Eclésia]
está na Amazônia há 25 anos como missionária, é presidente nacional da JOCUM(Jovens Com Uma Missão) e autora do livro Chamado Radical (Editora Atos)

15 comentários:

Éverton Vidal Azevedo disse...

Nao concordo exatamente com a opiniao da autora sobre a homossexualidade, mas devo admitir que o texto é, conforme penso, um grande avanço. Espero que a igreja evangélica ouça o chamado que ela faz. E espero também, que a igreja, nao somente a evangélica, mas de forma geral, comece a se debruçar sobre o tema, levando em consideraçao tudo o que já se tem escrito, para além da maneira biblicista literal em voga.

Abraço.

Moisés Lourenço Gomes disse...

Sexo santo e sexo demoníaco...


Até quando vamos cair no erro de fazer uma má interpretação do que Paulo disse e depreciando a mensagem do Evangelho que diz que Jesus veio para os perdidos e que eles receberiam a vida dEle para andar de modo semelhante a Ele?

Até quando vamos pensar que Deus veio alterar a identidade natural de quem quer que seja?

Deus criou o homem e a mulher, mas depois, coisas que antes nunca existiu, passou a existir: homem, mulher, anão, negro, branco, amarelo, cego, pavarini [(;)], coxo, mudo, hermafrodita, gay, mulher com bigode e etc.

Deus veio trabalhar a consciência, o caráter, o meu jeito de lidar com o pecado (ou seja, comigo mesmo), o meu jeito de viver. Deus não transforma preto em branco. Deus não transforma homem em mulher. Deus não transforma homo em hétero.
Deus nos transforma em serem humanos melhores, em seres humanos - assim, do jeito que somos - semelhantes a ele.

Para muitos, seria bom se a bíblia contivesse só os quatro primeiros livros do NT.

“E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede. Mas já vos disse que também vós me vistes, e contudo não credes. Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora. Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. E a vontade do Pai que me enviou é esta: Que nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia. Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: Que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.”


Ninguém condena ao inferno um ser humano que possui uma disfunção ou anomalia física ou psíquica, agora por que só tratamos com diferença uma anomalia na sexualidade?

Por que uma versão de sexualidade diferente da nossa é perversidade?

Anônimo disse...

Se não existissem relações entre heteros os proprios gays não teria nascidos

Jesus quando tinha mais de 5 mil seguidores

falou coisas que só ficassem 12 seguidores

e aí vai enfrentar o modelo que o Mestre JEsus colocou????????

Lucas 12.51
51 Cuidais vós que vim trazer paz à terra? Não, vos digo, mas antes dissensão;

o papael da igreja além de conduzir a salvação em Deuys e Cristo Jesus Yeshua é colocar moral

nós somos o sal da terra se o sal se tornar insípido com o que se há de salgar para nada mais prestar o sal quando se tornar insipido a não ser para ser jogado fora e pisar

Anônimo disse...

Ninguém comenta o fato de Paulo ter consentido com a escravidão, ninguém se assusta da Bíblia legitimar genocídios, ninguém se contorce quando o Novo Testamento mandar as mulheres se calarem.

Que horror pegar a ética de dois, cinco, sete mil anos e dizer que ela é absoluta para os dias de hoje.

A preferência sexual das pessoas não determina caráter. Os evangélicos, que posam de "continuadores do ministério de Jesus",aceitam espertalhões em seus púlpitos. Enquanto esbravejam contra certos comportamentos que não significam desvios éticos, encobertam práticas inacreditáveis.

Por favor, parem com esses discursos estúpidos. O texto da Bráulia é um esforço de confeitar posicionamentos anacrônicos com certa pitada de intelectualidade. Ruim, muito ruim.

Anônimo disse...

Comentei sobre o texto dela com a polêmica aqui: http://wp.me/pBP5O-re

Eu acredito que ela acertou bem mais do que errou nesse texto.. nenhum evangélico é homofóbico, tampouco o que o GLBT chama de homofobia é homofobia.

Mas não sei se devo culpá-los, o Brasil é um paraíso para homossexuais, como bem falou a trans Rogéria.

Talvez eles não se importaram porque o problema não existia, como muitos outros o governo tenta criar para fazer leis, como o racismo. Brasileiro racista? Só se for com brasileiro ahahah, nós não somos um país, somos o resumo de uma civilização, a globalização é aqui.

Charles

CHICCO SAL disse...

Talvez seja interessante fazer algumas leituras, neste contexto, a respeito do que seja 'religião civil'...

http://en.wikipedia.org/wiki/Civil_religion

http://www.robertbellah.com/articles_5.htm

Charles A. Müller disse...

Ops, já há um Charles que comentou acima. Com todo respeito ao xará, discordo em parte. Creio que Bráulia errou mais do que acertou em seu texto, ela parece querer que se façam concessões, que se "negocie com Fátima Cleide". Concessões me trazem à memória o rei Acabe, repreendido por Elias (um "radical" da época na visão "braulista"). Não há como "ignorar uma parte da Bíblia", para sermos respeitados.
Moisés, não há como fazer má interpretação do que Paulo disse. Os textos de Romanos 1:26-27 e I Coríntios 6:9-10 são claros. Assim como é claro que Cristo veio para salvar o que estava perdido: Lucas 19:10. Lembrei daquele velho hino "porque Cristo por mim morreu, eu venho como estou". Deus transforma água em vinho. Deus transforma condutas (Isaías 1:18). Transformou a conduta do ignorante rude Pedro. Transformou a conduta do ignorante letrado Paulo. Transformou a conduta do corrupto Zaqueu.
Ninguém deve ser forçado a nenhuma transformação. Mas aquele que assim deseja, deve ter este direito. Para quem duvida que até a conduta homossexual possa ser transformada leia o livro "O Dia em que Nasci de Novo", relato de João Carlos Xavier, publicado pela CPAD.
Não devemos querer o direito de ser homofóbicos. O problema é responder a questão "o que é homofobia". Agredir, matar, perseguir alguém somente por sua conduta sexual é algo errado, e deve ser punido pela lei (não precisa de específica, já existem leis para isto). Ver uma pessoa como gente por quem Cristo derramou Seu sangue, acima de qualquer que seja sua conduta, é dever cristão. Agora, o simples ato de discordar da conduta, de expressar opinião contrária, de ler a Bíblia (já nos tempos de Elias, a Palavra de Deus incomodava) não é crime, é direito constitucional.
.
Para os leitores que quiserem reler o texto de Bráulia sob outra ótica, sugiro ver a resposta de Júlio Severo, a cada um de seus argumentos:
http://juliosevero.blogspot.com/2009/08/diretora-da-jocum-no-brasil-ataca.html

Moisés Lourenço Gomes disse...

Charles

O sacrifício de Jesus cumpre a nossa pena e a sua vida ressurgida em nós, vem para nos dar uma vida nova e que se desemboca num modo de viver, de se relacionar, de se grato em todo tempo e o tempo todo.

Esse modo de vida não é outra coisa além de uma vida, que uma vez inspirada em Cristo, faz com que andemos desvencilhando do pecado e de tudo aquilo que nos confina numa espécie de sentença da alma.

Quem foge deste espírito acaba interpretando mal quando Paulo diz sobre a homossexualidade e Paulo não fala nada que contraria o mestre Jesus. Paulo apenas fala da perversão sexual que hora acontece com o homossexual, ora acontece com o heterossexual.

Romanos 1 – Paulo diz abertamente que homens e mulheres inflamaram em suas paixões infames em homossexualidade, porém existem outros capítulos que ele relata que homens e mulheres se perverteram em paixões infames em heterossexualidade.
Via de regra, deveríamos condenar todos os heterossexuais ao inferno também?

1 Coríntios 6 – Não é novidade para nós que na época de Paulo, orgia cultura e religião andavam juntas. Muitas personalidades da época eram homens casados com mulheres e que mesmo assim possuir um “bonito menino” que servia como escravo sexual. Filho transava com mãe, filha com pai e etc.
Ora, aqui a perversão era desde a heterossexualidade a homossexualidade e então ele termina dizendo para que fujamos da imoralidade sexual e não para deixar de ser homossexual ou heterossexual a fim de se tornar um ser assexuado.

1 Timóteo 1 – Fala-se dos sodomitas. Sodoma era um lugar só de Homossexual? Não seria lá um lugar de heterossexuais, bissexuais que se prostituiam?

Moisés Lourenço Gomes disse...

O que dizer de Filipe e o Eunuco?

Essa história é a menos citadas pelos evangélicos...rsrsrsrsrs

O Eunuco diz:
o que me impede que eu seja batizado agora, neste exato momento por você?

Um evangélico responderia:
Você precisa deixar sua homossexualidade, freqüentar uma igreja e casar com uma mulher.

Mas Filipe, como já tinha encarnado o espírito do Evangelho, respondeu:
Meu amigo, apenas creia de todo o seu coração, de toda a sua alma. E o eunuco foi batizado na hora.

Filipe disse ainda:
Mano, continue o teu caminho. Vaza! O amor e a vida de Cristo estão até em seus poros!rsrs

......

Muitos evangélicos tentam amenizar o eunuquismo, mas a história não deixa-nos mentir. Eunucos eram homens emasculados, hijra, um intersexual, um transgênero e que era súditos sexuais.

O Evangelho se contradiz?

Não. Só se contradiz quando pervertemos o espírito do evangelho com a versiculatria!


AbraÇOS!

Claudinha F. disse...

O que tem o Eunuco com a história?

Moisés Lourenço Gomes disse...

Claudinha quer que eu desenhe? ;)

Rodney Eloy disse...

e eu ""Não quero o direito de ser pavafóbico"

falei&disse

Anônimo disse...

Quanta bobagem!

Vinícius de Aquino disse...

Não entendo alguns religiosos. Dizem que os e as homossexuais vão acabar com a família, quando eles e elas só querem, justamente, poder casar, ser monogâmicos, ter filhos (e, no futuro, podem ter certeza de que terão filhos biológicos, a tecnologia já se aproxima disso). Onde está o fim da família nisso tudo? As crianças virarão homosseuxais, diriam; mas se os casais hétero criam seus filhos como hétero e, mesmo assim, eles são gays, por que o contrário não aconteceria? Então nós temos alguma fórmula secreta de tornar todos gays? Alguém me informe, porque eu não a conheço.

Várias questões anacrônicas da Bíblia já foram revistas por todas as religiões, sem exceção, pra que as palavras fossem postas de lado e as lições verdadeiras ficassem. Por que não fazem isso também com as passagens que, supostamente, falam da homossexualidade? Alguém consegue encontrar um motivo racional pra essa proibição, algum motivo além do próprio dogma sem porquê?

Outra: o PL 122 (o projeto de lei contra a homofobia) não planeja impedir as pregações anti-homossexualidade de alguns religiosos (se bem que eles deveriam rever isso). Apenas pretende impedir excessos de padres e pastores mal-preparados. Se um pastor diz a um jovem homossexual que ele pode mudar sua conduta se e somente se ele quiser, muito bem, isso é com eles. Mas, se um pastor diz aos seguidores que os e as homossexuais são todos pedófilos, promíscuos, egoístas, ou se diz aos pais desse jovem homossexual que eles podem trancar o filho (contra sua vontade) numa clínica que não "cura" nada nem ninguém, isso é sério, é caso de polícia e é previsto como crime no Estatuto da Criança e do Adolescente. Isso sim deve ser proibido.

E, aos que dizem que já há leis que prevêem crimes de ódio contra homossexuais, isso não é verdade por um motivo simples: quem deu um soco em alguém só deu um soco e vai responder por isso, com cadeia ou não; quem deu um soco porque o outro é homossexual VAI COM CERTEZA socar outros no futuro pelo mesmo motivo, e o Estado deve prever isso (como não faz hoje) e impedi-lo até que não seja mais homofóbico (no sentido de querer fazer violências). É o mesmo sentido da Lei Maria da Penha (porque há homens que gostam de maltratar TODAS as mulheres) e do Estatuto da Igualdade Racial (porque há brancos que gostam de maltratar TODOS os negros). Por isso o PL 122 é fundamental em nosso país, seja ele laico, seja ele cristão.

Vinícius de Aquino disse...

Não entendo alguns religiosos. Dizem que os e as homossexuais vão acabar com a família, quando eles e elas só querem, justamente, poder casar, ser monogâmicos, ter filhos (e, no futuro, podem ter certeza de que terão filhos biológicos, a tecnologia já se aproxima disso). Onde está o fim da família nisso tudo? As crianças virarão homosseuxais, diriam; mas se os casais hétero criam seus filhos como hétero e, mesmo assim, eles são gays, por que o contrário não aconteceria? Então nós temos alguma fórmula secreta de tornar todos gays? Alguém me informe, porque eu não a conheço.

Várias questões anacrônicas da Bíblia já foram revistas por todas as religiões, sem exceção, pra que as palavras fossem postas de lado e as lições verdadeiras ficassem. Por que não fazem isso também com as passagens que, supostamente, falam da homossexualidade? Alguém consegue encontrar um motivo racional pra essa proibição, algum motivo além do próprio dogma sem porquê?

Outra: o PL 122 (o projeto de lei contra a homofobia) não planeja impedir as pregações anti-homossexualidade de alguns religiosos (se bem que eles deveriam rever isso). Apenas pretende impedir excessos de padres e pastores mal-preparados. Se um pastor diz a um jovem homossexual que ele pode mudar sua conduta se e somente se ele quiser, muito bem, isso é com eles. Mas, se um pastor diz aos seguidores que os e as homossexuais são todos pedófilos, promíscuos, egoístas, ou se diz aos pais desse jovem homossexual que eles podem trancar o filho (contra sua vontade) numa clínica que não "cura" nada nem ninguém, isso é sério, é caso de polícia e é previsto como crime no Estatuto da Criança e do Adolescente. Isso sim deve ser proibido.

E, aos que dizem que já há leis que prevêem crimes de ódio contra homossexuais, isso não é verdade por um motivo simples: quem deu um soco em alguém só deu um soco e vai responder por isso, com cadeia ou não; quem deu um soco porque o outro é homossexual VAI COM CERTEZA socar outros no futuro pelo mesmo motivo, e o Estado deve prever isso (como não faz hoje) e impedi-lo até que não seja mais homofóbico (no sentido de querer fazer violências). É o mesmo sentido da Lei Maria da Penha (porque há homens que gostam de maltratar TODAS as mulheres) e do Estatuto da Igualdade Racial (porque há brancos que gostam de maltratar TODOS os negros). Por isso o PL 122 é fundamental em nosso país, seja ele laico, seja ele cristão.

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