21.9.09

O império de (P)Edir Macedo (81)

Como conheceu o bispo Edir Macedo
“Eu nasci no Rio de Janeiro, mas quando tinha 12 anos fui morar com uma tia em Londres. Uma tarde eu estava passeando com minha tia pelas ruas de Finsbury Park e vi um teatro. Resolvemos entrar. Na porta estava escrito apenas Teatro Arco-Íris. Aí eu vi um piano e, como sempre tive paixão pela música, pedi para tocar um pouco. Quem veio até mim foi o Edir Macedo. Ele me pediu para que eu tocasse “Yesterday”, dos Beatles. Ele elogiou e me perguntou: ‘Você sabe tocar música gospel?’. Eu respondi que não, mas consegui acompanhar no piano quando ele colocou umas músicas gospel para tocar no rádio. Ele disse que precisavam de um tecladista e eu, que tinha 16 anos, aceitei tocar todos os domingos em troca de algo em torno de R$ 50. Depois de uns quatro meses, minha tia procurou Edir Macedo para dizer que eu voltaria ao Brasil. Daí Edir veio com uma proposta: ‘Não, a gente vai ajudá-lo. Se você permitir, nós queremos investir nele. A igreja se propõe a pagar uma escola para ele aqui na Inglaterra’. A igreja pagou para mim por dois anos uma escola de idiomas, a London Capital College. Eu passei a morar na igreja e não tinha salário.”

A preparação para ser pastor
“Quando fui morar na igreja, eu dividia um quarto com outros obreiros. Passei a tocar todos os dias, fazia a limpeza do templo, a evangelização, distribuía jornal da igreja de porta em porta. Eu não tinha dinheiro para ligar para minha família no Brasil, nem no Natal. Fiquei praticamente confinado. Minha tia deixou de me visitar, achou que eu estava fanático. Eles fizeram comigo um processo de preparação para ser um futuro pastor. Quando chegava alguém à igreja para pedir um conselho, o bispo Macedo me chamava: ‘Senta aqui do meu lado para você conhecer os problemas do povo e aprender a orientar as pessoas’. Foram dois anos sentado ao lado dele. Quando o fiel ia embora, ele perguntava: ‘Entendeu? Essa moça está com problema financeiro e está tão fragilizada que, se você disser Faça isso!, ela vai fazer. Você tem de despertar essa fé que está nela para que ela venha e traga uma oferta para a igreja’. Oferta significava dinheiro, mas no começo ele não falava muito a palavra ‘dinheiro’, para não me assustar. Dependia dele para ter roupas e comida. Aqueles que eram bispos tinham muito privilégio. Queria ter a vida que o bispo Macedo e outros bispos tinham, então eu me submetia a tudo o que mandavam. Cheguei a fazer um jejum e só beber água durante sete dias. Nesses dois anos não fui sequer uma vez ao médico. O bispo Macedo me dizia que eu tinha de usar minha fé para curar a gripe, a dor de cabeça. Fazia parte do processo de sacrifício.”

Como a Universal se expande
“Eu e Edir Macedo saíamos pelo menos duas vezes por semana para procurar um teatro, um galpão onde desse para abrir uma nova igreja. A gente olhava primeiro a vizinhança. Se tivesse outra igreja na região, não valia a pena investir. E olhávamos se o povo era pobre ou de classe média. Se a área fosse pobre, era mais interessante, a igreja cresce mais. O bispo Macedo dizia que gente pobre tem todo tipo de problema. Então, é fácil ter argumento para atrair essas pessoas. Se fosse um pessoal com mais dinheiro, ele já pensava duas ou três vezes se valia a pena investir, porque apenas uma minoria frequentaria a igreja. Quando o bairro era de classe média, o pastor tinha de falar bom inglês e ter cultura, porque colocar um pastor escandaloso, ignorante, não dava certo. Em Londres, presenciei a criação de duas igrejas. Uma foi em Brixton e a outra em Peckham. Os cultos eram em inglês, 2% ou 3% dos fiéis da igreja eram brasileiros, 2% ou 3 % eram britânicos, e o restante eram africanos e jamaicanos. Havia uma preferência por colocar um pastor negro, para que os fiéis se identificassem mais.”

A escala em Portugal e a promoção
“Depois de dois anos na Universal em Londres, meu visto de estudante venceu e não conseguimos renovar. Eu já estava com 18 anos. O bispo Macedo conversou comigo e disse que Deus estava me enviando para Portugal. Fiquei lá um mês e meio, morando em Lisboa, até que o bispo Macedo me avisou que ele iria me registrar como pastor da Universal e em 15 dias eu estaria em Nova York. Ele disse que não me deixaria em Portugal porque ele precisava de um pastor com bom inglês nos Estados Unidos. No dia 13 de maio de 1999, eu cheguei a Nova York. Eu passei a tocar piano na igreja principal, no Brooklyn. Depois de uns 15 dias, o bispo Macedo chegou a Nova York e me disse que eu não deveria ficar só tocando, passaria a pregar. Foi a primeira vez em que fui responsável por uma igreja, a igreja de Utica, no Brooklyn. E, como eu era um pastor registrado pela Universal, passei a ter um salário. Ganhava US$ 600 brutos por mês. Era pouco, mas não tinha despesa com água, luz, aluguel porque eu morava na igreja.”

As metas e o método de arrecadação
“Em Utica, em dois meses, a igreja encheu. Cabiam 70 pessoas. O bispo Macedo achou que tinha valido a pena investir em mim. Comecei a fazer programas de TV e de rádio para a igreja e a participar das reuniões de pastores e bispos. Nessas reuniões, Edir Macedo nos ensinava a atingir as metas que ele criava para cada igreja. E a meta era financeira. Não era de fiéis. No primeiro mês, a minha igreja rendeu US$ 3 mil. Daí o bispo Macedo me falou: ‘Olha, Gustavo, este mês fez US$ 3 mil. Então, se no mês que vem você conseguir arrecadar só US$ 2.900, eu tiro a igreja de você. Você vai se virar para fazer US$ 3.500, senão eu vou descontar do seu salário, você não vai mais participar das reuniões e vai voltar para o piano’.”

“Fiquei tranquilo porque eu já tinha aprendido o trabalho. Ele me ensinou o seguinte: como era uma igreja pequena, primeiro eu tinha de fazer um atendimento corpo a corpo, conversar com cada um dos membros da igreja, visitar a casa, participar da vida. Eu levantava toda a vida da pessoa e determinava o dízimo. E eu ia colocando isso na cabeça das pessoas. Elas chegavam para me contar alguma coisa: ‘Pastor, fui viajar e bati meu carro’. Eu dizia: ‘A senhora está sendo fiel no seu dízimo?’. Ela dizia que não. Então eu falava que era por isso que ela tinha batido o carro. Óbvio que não tinha nada a ver, mas era uma questão de mexer com o psicológico, para que ela pensasse que as coisas ruins aconteciam por causa de um erro dela, e não por um erro da igreja ou um erro de Deus. Eu tinha de fazer aquela pessoa acreditar que o dízimo dela era uma coisa sagrada. Noventa e nove por cento das pessoas que vão à igreja, e isso eu ouvi do bispo Macedo, não vão para adorar a Deus. Vão para pedir, porque têm problemas no casamento, nas finanças, de saúde. Então o bispo falava: ‘Você chega para a pessoa e diz: Você está com problema financeiro, não está? Eu sei, eu estou vendo que sua vida financeira não está boa’. É muito fácil. Por serem pessoas humildes, elas estão mais propensas a certos problemas.”

O sucesso
“As minhas metas sempre eram alcançadas. Edir me dizia: ‘Agora a meta é US$ 4 mil’, eu fazia 4 mil. ‘Agora é US$ 5 mil’, eu fazia US$ 5 mil. E, a cada mês que eu alcançava minha meta, eu ganhava mais crédito, até o ponto de o bispo Macedo falar: ‘Você não é pastor para essa igreja, você é pastor para uma igreja melhor. Vou te colocar numa igreja maior, onde a meta já não é US$ 5 mil, a meta é US$ 30 mil’. Fiquei seis meses em Utica e fui para a igreja de Bedford. Vinham umas 400 pessoas, e a meta mensal era de US$ 25 mil. Alcancei todas as metas outra vez. Peguei a igreja com US$ 25 mil e deixei com quase US$ 40 mil de doações mensais. Aprendi a extorquir o povo, tenho até vergonha de falar. Uma vez coloquei uma piscina de plástico no altar por 15 dias, cheia de água. Disse que aquela era uma água do Rio Jordão, onde Jesus foi batizado. Eu dizia que as pessoas iam ser batizadas na mesma água que Jesus, desde que dessem uma oferta. E era água de torneira. Uma vez consegui fazer os fiéis doar três carros. Eles iam embora e me deixavam as chaves e o documento. A igreja vendia para fazer dinheiro. Entre os pastores, a conversa sempre era: ‘E aí, já pegou o mês?’. ‘Pegar o mês’ significava cumprir a meta. Eu chegava para um pastor que tinha uma igreja melhor que a minha e perguntava: ‘Já pegou o mês?’. ‘Já, fiz US$ 80 mil’, ele dizia. Eu respondia: ‘Olha, meu mês está em US$ 50 mil, mas vou fazer uma loucura, vou passar o teu mês e vou pegar tua igreja, hein?!’.” Leia +.

trecho de reportagem na Época.
dica do Fernando Passarelli

recomendo a leitura de todo o texto, inclusive os comentários.

10 comentários:

nubia disse...

Queria por um momento acreditar que esse império fosse realmente movido por compaixão e amor às vidas... que o pregar fosse movido no coração pelo ES.

Aff... Torço para que um dia, como na torre de Babel, eles sejam confundidos.

Núbia

Abçs

Anônimo disse...

É errado pedir (sem trocadilho) maldição? Tenho vontade de cuspir na cara desses espertalhões maldosos. Tenho vontade de apontar o dedo e falar um monte de maldição. Por favor, diga que não é errado. Preciso soltar minha indignação...

Ruy Cavalcante disse...

Isso tudo é muito triste e humilhante para o povo do Deus da Bíblia.

Percebo também que todos os ex-pastores que denunciam as irregularidades da IURD, mesmo acreditando eu ser a mais pura verdade, só o fazem depois de perder a sua fatia da pizza... aconteceu com esse cidadão, tbm com o autor do livro "Nos bastidores do Reino", com o portugues que denunciou a IURD a alguns anos e com tantos outros...

Gostaria muito de ver uma denuncia realizada por alguem que, estando comendo da pizza, se arrependeu e resolveu denunciar, pois esse sim teria provas premeditadamente captadas...

Como cristão protestante que sou, tenho vergonha do que estão fazendo com a igreja...

Tininha disse...

Uma vez, ouvi um seminarista, um cara muito simples, dizer algo que me impactou profundamente. Quando Cristo diz ao discípulos que os enviava para o meio dos lobos, na minha ignorância, eu entendia que era o mundo; porém, aquele seminarista disse que os lobos eram os "crentes" que se infiltravam no meio do povo que busca sinceramente à Deus, pra derrubar a fé de cada um deles. Infelizmente, isso já nem me assusta mais... tudo que eu peço à Deus, é pra que em meio à tudo isso, a minha fé não desfaleça e eu não perca o amor que tenho em ser cristã e seguidora de Cristo!
Que a graça de Deus me alcance todos os dias. Só quero afirmar, que ser cristã é um privilégio e ter intimidade com Deus é um tesouro incalculável!

patricia disse...

Mateus 13 25,40.
25 mas, enquanto os homens dormiam, veio o inimigo dele, semeou joio no meio do trigo, e retirou-se.
26 Quando, porém, a erva cresceu e começou a espigar, então apareceu também o joio
27 Chegaram, pois, os servos do proprietário, e disseram-lhe: Senhor, não semeaste no teu campo boa semente? Donde, pois, vem o joio?
29 Ele, porém, disse: Não; para que, ao colher o joio, não arranqueis com ele também o trigo.
30 Deixai crescer ambos juntos até a ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: Ajuntai primeiro o joio, e atai-o em molhos para o queimar; o trigo, porém, recolhei-o no meu celeiro.
36 Então Jesus, deixando as multidões, entrou em casa. E chegaram-se a ele os seus discípulos, dizendo: Explica-nos a parábola do joio do campo.
38 o campo é o mundo; a boa semente são os filhos do reino; o joio são os filhos do maligno;
40 Pois assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será no fim do mundo.
somente DEUS saberá o que fazer.

Bea disse...

O ex-"pastor" torrou o dinheiro amaldiçoado que roubou de Deus, perdeu a boquinha, e aparece com cara de coitadinho enganado na reportagem da Época.
Enquanto ele repartia o lucro do roubo ficou quieto. Agora que foi excluído da quadrilha denuncia os antigos comparsas.
Sob certo aspecto, ele traiu aqueles que, não vem ao caso a intenção, lhe extenderam a mão quando ele não tinha nada.

Ninguém é inocente nessa história...

Leonardo Pratas disse...

Diante de mais uma denúncia gravíssima como essa da qual acabei de ler, fiquei sem palavras... minha mente travou juntamente com minhas mãos tamanho a indignação minha! É lamentável, é revoltante... O triste é saber que essa é mais uma entre milhões de outras denúncias reveladoras contra a IURD e, como de custume, naum resulta em justiça e o fechamento total e definitivo desse império do homem, do dinheiro e da cafagestagem! Que Deus tenha misericóridia daqueles humildes e sinceros na busca por Deus que infelizmente ainda estão procurando sua real salavação dentro dessa máfia.

Paz a todos!

Anônimo disse...

eh de matar. o livro FERIDOS EM NOME DE DEUS, deveria ser maior.
e outra, queridos: ouviu idiotice no culto, levante e saia.

eu jah ouvi varias coisas bizarras.

Marcelo disse...

Po, tinha que ser carioca né....a cultura de tirar vantagem em tudo no RJ, ta fogo.
eu nunca aceitaria uma coisa destas.
PRA MIN VC E LOUCO!

Carlos Rizzon disse...

A única coisa boa nesta capetologia da prosperidade é que ela expõe a motivação das pessoas. Como diz a palavra: "Eles são engodados pela própria concupiscencia" Tiago 1:14
Como disse nosso irmão num comentário acima que não tem ninguém inocente nesta história.
Fiquem na paz
www.igrejaurbana.org

Carlos Rizzon

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