7.3.10

Crianças e livros - seria a Bíblia uma boa opção?

Um usuário do Twitter está fazendo uma "vaquinha" para comprar Bíblias e doá-las a adolescentes pobres do Rio de Janeiro. Ele afirma no site Vakinha que as Bíblias servirão para mostrar aos jovens tão suscetíveis à tentação das drogas e do crime que "pode haver outros caminhos com recompensas para o espírito que superam qualquer recompensa para o corpo".

Acabei desafiando-o a não doar Bíblias, mas livros de outros autores, clássicos ou não, da literatura brasileira. Porque afinal, acredito que a iniciativa de ensinar retidão aos jovens é louvável, mas não acho que a Bíblia seja o melhor livro para isso. É preciso incutir nas crianças honestidade, amor, compaixão, força de vontade, enfim, bons valores, mas não através de doutrinas que as ensinem a fazer o bem em troca de recompensas vindouras ou a não fazer o mal porque há um Deus que pune o pecador.

Diante disso, acabei lançando a seguinte questão no meu Twitter:

Que livros poderíamos doar às crianças carentes, que ensinem moral e ética e as afastem do caminho das drogas e do crime?

Então, aí estão algumas das respostas que obtive:

@kamiquase livros não salvam a pátria. Justiça social, sim, mas isso requer dar escola boa, emprego bom, pra que cada um escolha o q ler.

@Brasil_da_Silva Ensinar com o exemplo funciona mais.

@tavarestattoo de preferência algo que tenha sido considerado subversivo por algum órgão público.

@vmambrini Na dúvida eu iria de Pequeno Príncipe. Mas fidelidade nesse caso é ruim. Pra isso, só lendo mtos livros.

@edumarcondes Qualquer um do Monteiro Lobato. Não falam sobre esses temas, mas têm o mesmo efeito.

@guimello o dicionário 8=D

@Day_Possoli Olha, não precisa nem ter nada escrito, sendo os personagens (ilustrados) de raças variadas já ajuda muito. =DDD

@leoluz Qualquer livro, ;)

@manicomio Alice No Pais Das Maravilhas.

@VanderAbreu Vários. Os do Monteiro Lobato pra mim são os melhores.

@Milho Livro pra afastar crianças do crime? Carandiru?

No fim das contas, o próprio autor da vaquinha para a doação de Bíblias afirma que quem tiver livros desses ou de outros autores, ele também aceita e encaminhará às crianças e famílias carentes que pretende ajudar.
Portanto quem estiver interessado em doar, é só entrar em contato com Leanderson Silva. Quem sabe esses jovens não recebem um pouco de cultura e não só um amontoado de dogmas e mitos?

Obs.: Pedi o endereço a ele, para o envio dos livros, mas ele ainda não me passou. Estou no aguardo. Quem sabe ele deixa aí nos comentários.

A imagem que ilustra o post é do blog Tapete de Sonhos.

Juliana Dacoregio, no Heresia loira.

recomendo a leitura dos comentários.

10 comentários:

Theo disse...

Livro não tira ninguem das drogas ou faz alguem bonzinho. Serial killer é tudo estudado e universitario. A frase de C.S. Lewis vem bem à calhar:
"Education without values, as useful as it is, seems rather to make man a more clever devil. "

O problema aqui é familia. não vejo nada além disso. Culpam governo, escola, professor, mas o problema ta na familia...

Manah disse...

Que respostinhas, heim... rsrs... A melhorzinha foi a do Brasil [da?] Silva.

Uma ótima idéia essa ;)

Cristina Danuta disse...

Achei interessante a iniciativa dele. E vou ter de concordar, ao menos em parte, com a Juliana Dacoregio. Não é uma boa idéia dar Bíblias às crianças como forma de ensinar-las moral e bons costumes (pelo menos não somente dar). Explico: a juventude está precisando de exemplos concretos a serem seguidos. Pessoas de carne e osso em quem elas possam se espelhar. Esse é o tipo de lição que mais funciona. O do exemplo.

Concordo que livros de outros autores ajudem a abrir caminho para uma nova visão de mundo (e como ajuda!), para o despertamento de sonhos, afinal, a grande maioria desses jovens não deve ter acesso nem a sonhos e nem a livros.

O ideal, a meu ver, seria juntar tudo isso. O exemplo de pessoas próximas a elas e os livros de bons autores. E até mesmo a Bíblia, contanto que haja alguém que as explique. Por que isso? Pode ser só uma péssima impressão que eu tenho, mas do jeito que a coisa anda para o lado dos "crentes", somente dar as bíblias sem ensinar as crianças os princípios cristão (que não tem nada a ver com pode e não pode), ao invés de ajudar, pode acabar atrapalhando.

Recentemente vi o filme Preciosa, que acabou de ganhar o Oscar de atriz coadjuvante. Fala também disso. Como mudar a realidade de alguém que não vê perspectiva de futuro? A escola é péssima, a família muitas vezes está desestruturada e a sociedade vira as costas para elas. É preciso investir nelas. Com livros sim, mas principalmente com tempo. Quem ainda não viu o filme, recomendo.

Resumindo: bons livros + pessoas que estejam dispostas a doar um pouco do seu tempo = um ótimo resultado.

Eliézer disse...

Dar bíblias por dar é besteira. As igrejas fazem isso há tempos e vemos a decadência já nem batendo à porta, mas sentada na sala de estar tomando um cafezinho aguardando o momento de tudo ruir.

Tampouco classicos da literatura ou não poderão incutir padrões morais de comportamento. Como disse o Theo, os piores assassinos possuem vasto conhecimento acadêmico.

O exemplo é a chave da mudança. Se o poder do testemunho não fosse digno de crédito, respaldo e eficiência para o que se ensina, Jesus Cristo não teria deixado como modelo de propagação das boas-novas o testemunho pessoal de cada um.

Se cada cristão se tornar um voluntário em testemunhar com sua vida para a sociedade, os livros servirão de instrumento de expansão de horizontes.

Roger disse...

Apesar de não ser amigo do 'evangelizar por evangelizar', não acho ruim a ideia da bíblia de presente... pois a mim, quando criança, teve um efeito muito positivo...

Viajei nas histórias, chorei, ri, fiquei confuso, não entendi... ou seja, tudo que os livros podem proporcionar...

Não disse alguém que "tudo vale a pena, se a alma nao for pequena"?

Talvez um único addendum, seria a de fornecer bíblias numa linguagem mais atual, tipo a Bíblia Viva, ou quem sabe, uma versão focada no Novo Testamento... fora isso, toda boa semente (de iniciativa), é bem vinda...

Discordo um pouco daqueles que apresentaram 'várias' outras coisas que devem e/ou podem ser feitas...

Por pensarem 'demais' em tudo o que deve ser feito, muitos desanimam, e acabam por não fazer nada, nem o básico...

Os problemas são muitos e complexos, mas cada um faz o que pode!

Nada 'tira' ninguém de coisa nenhuma... cada um sai (ou entra) quando quer (ou pode)...

E Deus faz poder, aos que querem.

Charles A. Müller disse...

Concordo com o Theo, livros não resolvem problemas da família.
Mas acredito também que a leitura do que edifica ajuda na formação.
Não posso concordar com a Ju Dagoregio, ela já foi cristã, é a atéia e seus textos revelam seu firme propósito de propaganda ateísta (ou anticristã, como queiram). O "desafio" que ela lançou via Twitter não tem outro objetivo senão promover uma desvalorização da Bíblia, livro que ela abomina.
Pior é muito cristão por aí apoiá-la, sem perceber (ou até percebendo) o evidente objetivo.
Se estivessem doando às crianças livros de J.K. Rowling, Maharishi Yogui ou até Karl Marx não haveria este tipo de reação. Mas, se for para distribuir Bíblias, daí não pode.
Por gente assim Gutenberg não teria popularizado a imprensa (cujo primeiro grande uso foi para produção em série de Bíblias).
Diante de tanta literatura e entretenimento (inclusive destinado às crianças) recheada de valores deturpados (idolatria, egoísmo, desvalorização dos pais e da família, sexualidade precoce, feitiçaria etc.) fica difícil sobrar algo realmente bom.
A Bíblia é sim um rico material pedagógico, história real e ao mesmo tempo fantástica.
Tive aula de ensino religioso cristão na infância, sempre gostava daquelas aulas, embora minha conversão tenha vindo muito tempo depois.
Recortávamos os peixinhos da multiplicação (para fazer um mensageiro de ventos), coloríamos o desenho da estátua do sonho de Nabucodosor, riscávamos no mapa as viagens de Paulo. E assim íamos conhecendo a Bíblia.
Mas, não adianta apenas entregar uma Bíblia a uma criança. É preciso contar as histórias. Usar o lúdico para trazê-la ao imaginário da criança. Não adianta apresentar um texto em português arcaico ("cousas, inescrutáveis, publicanos"), é necessário fazer como Cristo, que usava linguagem de fácil assimilação pelo povo, como as parábolas.
Já vi uma excelente adaptação da Bíblia King James para as crianças, em quadrinhos.
A Betânia, se não me falhem as memórias de criança, editou um série de gibis narrando as cartas de Paulo.
E mesmo fora dos textos bíblicos temos boas opções, como as Crônicas de Nárnia (do já citado aqui, C.S. Lewis).
Para os mais crescidos (adolescentes) já dá pra levar a adaptação de Gênesis para os quadrinhos, de Robert Crumb (ilustrador ateu que trabalhou sobre a obra bíblica por julgá-la um texto "historicamente poderoso") e claro, Tolkien (O Hobbit e O Senhor dos Anéis), cujos textos não são bíblicos, mas carregados de mensagens cristãs.

Diógenes SkauSURF disse...

Dar uma Bíblia para uma criança e nada mais é algo temerário.
Vai confundir mais do que edificar.
Imagine um adolescente que ouve (só) NX Zero, mal consegue articular duas ou três frases e fala miguxês pelo MSN e Orkut. Imagine agora esse adolescente com uma Bíblia na mão lendo Ezequiel...

Eu aconselharia Novos Testamentos para essas crianças, e, se ficarem mais interesadas, naturalmente procurarão o "restante" das Sagradas Escrituras.

Maurilo e Vivian disse...

Seria estranho mesmo entregar Bíblia para as crianças se não fossem cristãos que estão nesse empreitada. Mas me parece estranho o desprezo pelas Sagradas Escrituras para substituí-la por outras literaturas. Não é a Bíblia um dos grandes livros da humanidade? Por que ele é tão danoso? As crianças não podem aprender com ele? O evangelho não pode chegar até elas? Quanto não foram salvos pela simples leitura das Escrituras.
É um tempo estranho, quando cristãos ficam com medo de indicar a mensagem que o próprio Deus deixou em forma escrita para a humanidade.
"Guardei no coração a tua palavra, para não pecar contra ti" Salmo 119:11.
Como uma criança vai saber qual é a palavra de Deus sem a palavra de Deus? Lendo Monteiro Lobato?
Se queremos que essas crianças tenham alguma chance, devemos garantir com a Bíblia chegue até as mãos deles e orar para que o Espírito Santo faça o trabalho de conversão, para que elas amem a Deus acima de qualquer coisa. Moral sem Deus não tem fundamento.

Gustavo K-fé disse...

Erra a autora em subestimar a bíblia como contendo "apenas" dogmas e mitos. A bíblia é um livro de vida. E por que a leitura da bíblia excluiria outras leituras?

Luís Fernando disse...

Nossa, que surpresa me causou o tom no comentário do autor ao referir-se à Bíblia daquela forma... sinceramente, são tais expressões que indicam o relacionamento que certas pessoas tem com o santo livro e em especial sEu Autor. Mas... pasciência, cada um dá o que tem é verdade, mas quem nada possui pode ainda buscar, se quiser, claro.

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