24.3.10

Cristo é o Caminho, o Cristianismo é o desvio

A passagem do Novo Testamento que me levou a pensar no que escrevi nesta reflexão foi aquela em que o Mestre curou o criado de um centurião romano.

O texto é fantástico como tantos outros apresentados nos evangelhos!

Mas dois versículos que sempre passam despercebidos são centrais em todo o contexto daquele momento vivido pelo Senhor Jesus.

Refiro-me aos versículos 11 e 12, nos quais Ele diz: “... muitos virão do Oriente e do Ocidente e tomarão lugares à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no reino dos céus. Ao passo que os filhos do reino serão lançados para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes”.

Um fundamentalista imediatamente diria: claro, muitos virão e se assentarão à mesa com os patriarcas se se converterem a Jesus Cristo. Contudo há uma observação simples para ser feita. O Mestre não diz que muitos virão e se converterão; Ele apenas diz que muitos virão e tomarão lugares.

Mais simples ainda fica essa leitura, quando se observa com cuidado a importância do centurião nessa história. Ele é a chave de tudo e a sua fé é o ponto de partida.

É importante lembrar que o centurião não era nem judeu nem discípulo de Jesus, logo não era membro do Judaísmo, muito menos do Cristianismo que ainda nem existia. Possivelmente, aquele centurião, como todo bom e autêntico soldado romano, era adorador de vários deuses e provavelmente do imperador romano. Numa linguagem cristã, ele era pagão, numa linguagem mais coerente, ele era um religioso politeísta.

Há ainda a hipótese de que nem religioso politeísta ele era, mas apenas um homem que de judeu e de seguidor de Jesus não tinha nada.

Uma segunda observação: ele não se torna cristão após a cura de seu criado. O texto nem relata isso, pois se ele tivesse se convertido, certamente estaria relatado. Mas não, ele permanece na condição (a) religiosa em que se encontrava quando foi procurar ao Mestre.

Portanto, o que um texto deste, se lido a olho nu, sem as lentes da religião cristã, sem os óculos da teologia sistemática ortodoxa e sem os pré-conceitos do fundamentalismo, poderá significar a não ser que Jesus Cristo é o Caminho, a religião – e aqui entra o Cristianismo também – o desvio, e a Graça o meio através do qual Deus salva o ser humano, seja ele alguém que se converterá em algum momento ao Evangelho ou não?

Neste sentido, não dá mais para afirmar que um ser humano que passa a sua vida inteira sem freqüentar uma “igreja de crentes”, irá para o inferno só porque não teve tal experiência. Graças a Deus, em muitos casos, pois há pessoas que quando resolvem freqüentar uma denominação evangélica se tornam loucas, manipuladas, bitoladas, cegas espiritualmente, enganadas, alienadas, bestializadas, e tudo o que for possível entrar nesta lista, menos alguém que de fato conheceu e compreendeu o Evangelho da Graça.

Com isso, quando muitos se convertem às “igrejas de crentes”, acreditam que estão no Caminho, quando na verdade estão no desvio. Têm uma facilidade enorme para apontar quem vai e quem não vai para o Céu, contudo, não se percebem como pessoas que carecem da Graça de Deus ainda mais, pelo simples fato de serem pessoas que não sabem fazer outra coisa, a não ser julgar o próximo.

Nisto creio e afirmo com todas as letras: Cristo é o Caminho, pois é capaz de salvar e ver fé genuína em um centurião romano, adorador de deuses estranhos, pagão e adorador do imperador, mas o Cristianismo é o desvio, pois consegue maquiar-se com as belezas sublimes do Evangelho, mas vive uma religião semelhante à dos fariseus dos tempos de Jesus, que eram zelosos e ortodoxos no que se refere à obediência ao texto, mas cegos na prática, sobretudo, por julgarem com facilidade, seres humanos que eram tão imperfeitos quanto eles.

Cristo é o Caminho, o Cristianismo é o desvio, pois este pratica as maiores e mais terríveis atrocidades em nome de Deus; Cristo é o Caminho, o Cristianismo é o desvio, pois este ensina as pessoas, a ingênua e inocentemente negociarem com Deus a fim de conseguirem prosperidade financeira, como se Ele tivesse interesse em enriquecer materialmente os seus filhos; Cristo é o Caminho, o Cristianismo é o desvio, pois burra e admiravelmente se tornou a religião que menos entendeu os ensinamentos de seu próprio fundador – se é que Jesus foi o fundador desse negócio – ; Cristo é o Caminho, o Cristianismo é o desvio, pois consegue levar as pessoas a acreditarem que os não-cristãos irão para o inferno só porque não se tornaram cristãos, como se Deus só pudesse salvar pessoas por meio de experiências religiosas dentro das “paredes” da religião cristã; Cristo é o Caminho, o Cristianismo é o desvio, pois este em vez de tornar a caminhada cristã uma caminhada de liberdade e descanso, torna-a ainda mais penosa, turbulenta, repleta de regras e cargas a serem carregadas; Cristo é o Caminho, o Cristianismo é o desvio, pois em vez de manter as pessoas que acreditam estarem servindo ao Jesus apresentado nos evangelhos, consegue desviá-las a qualquer outro caminho que não é o Caminho da Graça de Deus em Cristo.

Cristo é o Caminho, o Cristianismo é o desvio, por tantos outros e infindáveis motivos! Cabe agora a criatividade de cada um para continuar nesta reflexão, se é que para enxergar as discrepâncias existentes entre Cristo e o Cristianismo, seja uma tarefa que exija muita criatividade. Penso que não.

na Graça,

Jefferson Ramalho
dica do Marcos Florentino

13 comentários:

ALDO VIEIRA disse...

Ah, meu DEUS...O Espírito Santo está agindo fortemente hoje em muitos corações. Muitos estão enxergando o que não viam há pouco tempo. Este texto é importantíssimo nesse contexto, ao que me lembro é o melhor que já li em blog algum. Não digo isso para adular ninguém, mas para me congratular com o autor e exorta-lo a não desanimar, pois as pedras sempre vem sobre a verdadeira voz profética. Fiquei emocionado por que o presente texto devolve ao SENHOR aquilo que lhe é de direito como está escrito em Jonas 2.9: "Ao SENHOR pertence a salvação!" Esse é o DEUS que cura Naamã, que chama Ciro de Seu ungido, que demonstra Sua Graça a Nabucodonozor e que vai a Samaria para salvar uma mulher dissoluta. Nesse DEUS eu creio. Que Ele tenha misericórdia de nós, cristãos, servos menos que inúteis.
Ah...me lembrei de uma passagem das Cronicas de Narnia onde se diz que Aslam, o Leão, continua selvagem porque é impossível domestica-lo.

Michel Torres disse...

Agora você foi fundo. Se estivéssemos na igreja primitiva, sua tese seria taxada de controvérsia judaizante, mas felizmente estamos numa esfera de entendimento menos "definidora" de coisas.

Concordo com você: Cristo é muito mais do que o Cristianismo que vemos por aí. A mensagem da cruz e do amor de Deus não pode ser confundida com essa religião institucionalizada e com propósitos bastante questionáveis.

Anônimo disse...

Caio Fábio continua influenciando mentes e corações! Essa tese vem sendo defendida por ele faz tempo e de forma contundente. Muito bom!

Rogério disse...

É isso mesmo Vin Diesel, digo, Aldo Vieira!
Concordo contigo, o vento sopra aonde quer. E o crente de hoje pensa que Deus está preso.

ps.: desculpe a brincadeira, mas foi inevitável, rs.

Walter Cruz disse...

uau, o texto original é de 2008 :)

Edgar disse...

Quanta acidez meu caro Jefferson Ramalho. Você picha a Igreja de uma maneira que tudo que ela faz é não tem valor? Jesus não disse que iria edificar a Sua Igreja? Apesar dos pesares, Ele acreditou em seu povo a ponto de morrer. Existe de fato uma Igreja pura, sal e luz. Ela é real, tão real quanto o seu fundador.
Abraço,
Edgar Rodrigues Donato - São Paulo

Anônimo disse...

O verdadeiro fundador do cristianismo foi Constantino imperador romano do sec.IV. Jesus jamais teve coisa alguma a ver com isso; ao contrário, Constantino e seus filhotes, edificam precisamente o que Cristo denunciou como arruinado para sempre.
Paz e bem!
Carlos Alberto-Pr.

Anônimo disse...

Concordo com o Edgar, e além do mais, não podemos confundir a Igreja com cristianismo, você em parte tem razão no que diz respeito aos exageros cometidos em nome do Senhor e de sua igreja,e também porque quando um discípulo pela primeira vez foi chamado de cristão foi por um incrédulo apenas por reconhecer Cristo nele, mas de fato há nos dias de hoje pessoas quer sejam chamadas de crentes de cristãos, discípulos de jesus, ou qualquer jargão legítimo ou não, que vivem vida santa e que com pureza tentam expressar e experimentar a "verdadeira religião" ou seja lá como vc preferir, JESUS CRISTO, POIS ELE É A ESPERANÇA DA GLÓRIA.
Aliás, acho que você deve cuidar com o que diz, pois muitas pessoas podem ser tão generalizadores quanto você e serem impedidos de enxergar as virtudes de Cristo em muitos lugares e pessoas...Abraço, continue na graça e aproveita para usá-la quando você estiver escrevendo algo, valeu? Em Cristo, Ricardo Zagui

Anônimo disse...

Aliás esquecí de dizer algo no outro comentário, "aqueles que vierem do oriente ou seja lá de onde for, só virão por terem se convertido á JESUS".Eles só podem vir por terem passado por esta experiência amado.

Rosilene Lopes disse...

A religiosidade é perniciosa, receba ela qualquer nome, possua ela qualquer rito. As idéias e filosofias, entendimentos e interpretações que fujam dos princípios bíblicos também o são. Ficamos preocupados com a má influência da religiosidade, e realmente temos que ficar. Mas, e quanto à má influência e distorção da Palavra, como “achismos” e interpretações do tipo que vemos no texto “a Bíblia nem fala disso...” e em muitos outros espalhados pela internet? Muitas atrocidades já foram praticadas em nome da religiosidade. E em nome de filosofias e “achismos” também. Hitler é um clássico exemplo.
Todo mundo resolveu ser o dono da verdade. Mas só um, e apenas um, de fato o É. E quanto a estes, que assim procedem, o próprio texto já declara seu destino: não terão parte no Reino de Deus. Os que promovem vãs contendas, aprisionando em sofismas (enganos) a muitos, arrastando-os para longe do conhecimento da Verdade, que é Jesus Cristo de Nazaré.
Não sejamos tão vorazes para destituir da igreja aquilo que o próprio Jesus morreu para entregá-la: sua autoridade para desfazer as obras do diabo. E uma delas que sempre tem se levantado é a tentativa de negar, retirar, duvidar da autenticidade e da autoridade da igreja.
Jesus não veio inaugurar nenhuma religião, mas um modo de vida, contido numa agência do reino chamada igreja, e demonstrada na vida daqueles que aceitaram seus ensinos - se converteram a Ele - e que, pasmem: por terem caminhado conforme seu Mestre, receberam o nome de cristãos, que significa, pequenos cristos!
Vamos exortar o povo de Deus sim. Falar daquelas práticas das quais devemos fugir, e daquelas que devemos buscar como mais excelentes, para nos assemelharmos mais e mais ao autor e consumador da nossa fé. Mas não vamos começar uma generalização perniciosa para afastar as pessoas da igreja. Você sabe quanto pessoas sérias tem investido sua vida na salvação dos ímpios?
Muitos ao lerem o seu texto, podem concordar, e com isso, se afastarem cada vez mais da Verdade, que indo de encontro ao que você escreveu, na maior parte dos casos é encontrada onde o povo de Deus se reúne, ou seja, na IGREJA. Para ficar bem claro, é na igreja que ouvimos falar do amor de Deus, de seu plano redentor em Cristo para a salvação de nossa alma. É na igreja que conhecemos a Verdade, e aprendemos o Caminho.
O que você descreveu como o “cristianismo” em seu texto, só ataca na verdade a igreja. E seu texto é mentiroso, porque você atribui desvios dos princípios aplicados por Cristo a todos os crentes em Jesus e a todas as igrejas do mundo. Há lobos no meio do rebanho. E é necessário que o joio cresça no meio no trigo, pra ser identificado e retirado. Seja autentico. Se você quer atacar a igreja, não se esconda em outros nomes. Sua filosofia interpretativa do texto bíblico pode enganar a alguns, mas não a muitos. Para sermos salvos, temos que ser cristãos sim. Não há salvação fora de Cristo.
Não queira inventar a nova ordem, pois ela já foi inaugurada, por Cristo, e se chama igreja.
Em tempo: procure saber o significado de bestialidade, a palavra foi muito mal empregada.
Rosilene Lopes Lima

Rosilene Lopes disse...

Por ter vindo a Jesus, o Centurião creu que Ele tinha poder, ou seja, reconheceu-o como alguém a quem devia se submeter (e ele era um homem que tinha autoridade!). Logo, podemos entender que para "assentar-se à mesa" ou “receber as migalhas destinadas aos filhos” temos que reconhecer a Jesus como autoridade em nossa vida. “Ninguém vem ao Pai, senão por Mim” (Jesus). “O que é necessário fazer para me salvar? Creia em Jesus Cristo, e serás salvo, tu e a tua família.” (Atos 16:31). E poderia citar muitos outros textos da Palavra da Verdade. Logo, esclarecido está o fato de que precisamos nos converter a Jesus, para tomar parte em sua mesa.
O texto realmente não diz se ele se converteu, nem o contrário. Mas basta usarmos a nossa inteligência pra deduzir que, sendo ele (provavelmente) politeísta, e nenhum de seus deuses tendo resolvido o seu problema, se ele foi a Jesus, a quem ele reconheceu com poder para resolver sua questão – e que de fato a resolveu, a quem você acha que ele passou a servir? Aos deuses a quem servia antes, e que nada fizeram, ou àquele que se chamava de Filho do Altíssimo, e que resolveu a sua causa? E se é pra “viajar”, que tal lermos o texto de Atos 10:22? Tem um centurião lá, chamado Cornélio, varão temente a Deus. Não seria ele? Convertido a Jesus?
No Amor do Eterno,
Rosilene Lopes

Sergio Giorgini Junior disse...

Pô Rosilene! Escreve um blog vai... terá conteúdo interessante, tenho certeza

Waina Miranda disse...

Uau Rosilene!!! Me deu orgulho de ser mulher agora...parabéns pelo comentário!!! Eu gosto de ler o pavablog é um contraponto para minha fé, mas eles realmente "viajam" em alguns textos, e tb parecem uns eternos revoltados com a igreja (instituição,é claro), qdo fico lendo começo a ficar revoltada tb...rsrs...mas já sou "grandinha" para reter só o que é bom do blog..rsrs...mesmo assim acredito ser salutar termos opiniôes diversas no Reino de Deus, sinal de somos um povo pensante. Beijos carinhosos a toda a igreja de Cristo, incluindo o Autor do texto. Fuiii

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