5.8.09

E você, o que está fazendo?

Toda vez que um texto de crítica à igreja é feito em algum blog morre uma estrelinha no céu. Bem, só pode ser esse o motivo pelo qual muitos ficam indignados ao lerem um texto e afirmarem que os autores que devem fazer uma mudança. A indignação parte do pressuposto de que os críticos nada fazem, ficam simplesmente de pernas para o ar coçando algum lugar escuso.

Tenho uma novidade: o fato de se criticar um texto não vincula necessariamente uma pessoa ao total ócio. Não podemos negar que podem haver blogueiros que são duas caras, falam uma coisa e na prática agem totalmente diferente. Assim é dentro de uma igreja, no trabalho e em toda relação social - essa última frase poderia ser suprimida, no entanto, o óbvio ululante nem sempre é tão percebido assim.

Escrever um texto pode não parecer grande coisa na tentativa de se mudar a situação da igreja atual, mas palavras, sejam orais ou escritas, refletem necessariamente uma opinião, fato esse que não eleva a opinião à condição de sincera. Apesar disso, falar e escrever continuam sendo ações.

Reformas, revoluções ou até mesmo a ampliação do banheiro da sua faculdade só começam quando alguém comunica a vontade de mudança. O Evangelho é comunicação, não importa o meio, se através de gestos, fala ou leitura o que importa é que as ações práticas e efetivas se manifestem.

Ações práticas e efetivas também envolvem a crítica. Se perguntarem mais uma vez "e você, o que está fazendo para melhorar a igreja?" Oras, a critico. O que faço? O oposto daquilo que não acredito. O que critica a crítica, somente com o argumento falho de que o autor nada faz para mudar a situação está, no fim, se igualando a quem condena.

Raphael Rap, no blog Rapensando.

6 comentários:

Claudinha F. disse...

Não comentei lá, mas comentei com um amigo e penso o seguinte:

Concordo com o texto todo, o problema é q a igreja não muda com críticas e na verdade nem com ações, simplesmente pq a instituição está tão sob controle do homem que o interesse do povo e até o de Deus (pq não?) ficam à mercê dos que obtem o poder sobre os membros, sobre o número de dizimistas, batizados e que mantem sob cabresto o pensamento do povo ignorante.

Vide renascer em cristo, os bispos voltaram sob gritos de jubilo pelo povo comandado por eles

RuYcKeR disse...

Bom, o marco da ação de lutero foi justamente o que ele escreveu (suas 95 teses) e pregou na porta da igreja...
Outrossim, temos um grave problema em nossa sociedade cristã. As pessoas estão mais preocupadas com a pessoa que fala (escreve) e não com o que se fala (se escreve), ora, a palavra de Deus não se torna inválida quando eu prego aquilo que não vivo, antes se torna a minha propria condenação...
Portanto, quer o blogueiro viva o que escreve, quer ele não viva, no fim o que importa é se o que ele escreve reflete a verdadeira vontade de Deus... isso já é muito significativo para que hajam mudanças...

Ruy Cavalcante (intervalocristao.blogspot.com)

CHICCO SAL disse...

Estimular a discussão é estimular o diálogo. Somente quando entendermos isso conheceremos o quanto é possível evoluirmos e sermos os agentes da mudança, os atores da história eclesiástica em nosso tempo, nossa época.

Imaginar que seja possível quaisquer mudanças sem que elas sejam discutidas e desconhecer o que é ser igreja. A igreja de Cristo sempre se caracterizou pelo confronto, pela noutese, o conflito aparente que conduziu mentes ao exercício crítico de pensar, de não aceitar o status quo e/ou a praxis prevalente, criando novos enredos em lugares diferentes, possibilitando desenvolver ações inovadoras e transformadoras da sociedade.

Criticar, no sentido estrito da palavra, é o verdadeiro ato profético, o verdadeiro profetizar no sentido bíblico da palavra. Não existe profeta acrítico, haja vista que ser profeta é ler a realidade e, a partir dessa leitura, criticar propondo mudanças. Aliás, ao próprio ato de mudar costumava-se dar o nome de arrependimento e o arrependimento só vem pela confrontação, pela crítica.

É próprio do profeta criticar porque o profeta é a consciência moral de uma nação, de um povo, da igreja.

Não sendo assim temos, não profetas mas agoureiros, não profecias mas "profetadas". E, profetadas, penso eu, nesse momento negro da história eclesiástica é o que mais estamos tendo. Pseudo-profetas que ficam tentando adivinhar o futuro ao invés de propor o arrependimento.

Precisamos sim de profetas! Precisamos sim de críticas! Precisamos nos arrepender e retornar ao caminho verdadeiro, caminho da fé, caminho que passa longe da supersticiosidade pusilanimemente ensinada e pregada ad nauseam hoje em dia de muitos púlpitos tido como cristãos e que, na verdade, nada mais são que a expressão do paganismo aquariano permeando o tecido religioso.

Vida longa aos profetas! Que venham as críticas! E com elas as tão necessárias mudanças!

Quanto aos pseudo-profetas, pedra neles!

Jarbas disse...

Ingenuidade achar que a simples crítica produz algo. Sabemos que o próprio Jesus fez críticas a igrejas em Apocalipse. Mas qual é o referencial desse pessoal que escreve esse tipoo de artigo?
Desconheço na história da igreja críticas que geraram mudança sem serem acompanhadas de ação. Alguém poderia me dar um exemplo relevante? Ok, protestantes protestam, faz parte. Mas desde o tempo das 95 teses uma ação coerente acompanhou os escritos protestantes.
Pra mim, o problema não está na crítica em si, mas na postura de quem critica. O discurso é quase sempre o mesmo, mas a pergunta que não quer calar é: Ok, e você que critica o que tem feito?
só crítica na maioria das vezes.
Se os textos desse pessoal viesse com arrazoados calcados na Bíblia dava pra entender, mas em geral é apenas o "eu acho", "eu penso" ou o "eu sinto". Dizem que querem uma igreja que se envolva que evangelize os marginalizados e que aja como Jesus.
Se eles evangelizam os marginalizados e agem como Jesus então merecem ser ouvidos. Se não o fazem é só retórica estéril. Dá pena ver que cada vez mais ocupem espaço nos blogs chamados cristãos que não recvelam em seu conteúdo o Cristo da Bíblia. Ele criticava os fariseus, mas também pregava o evangelho e dava comida pra quem tinha fome. Vamos falar menos e fazer mais?

Rogério disse...

Discordo de você Jarbas, é inegável que a crítica produz reflexão, que é o início de qualquer mudança.
Quanto ao fazer, é claro que é fundamental, mas se você não conhece a vida dos blogueiros em questão, como você pode afirmar que eles apenas falam e nada fazem?
Você quer arrazoados calcados na Bíblia? Pois eu te falo que a Bíblia foi usada até como justificativa para guerras com intenções reais nada cristãs.

CHICCO SAL disse...

Alguém já disse que "velas não são acesas para serem admiradas; elas são acesas para que pessoas possam ver outras coisas".

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