8.11.09

De homens e chimpanzés

Eu estou começando a ficar com um certo receio da tal Uniban. Pode ser que se esteja desenvolvendo por lá uma nova civilização, temor que já expressei aqui outras vezes. Sim, claro, não se deve generalizar, não é? Certamente, entre os 12 mil estudantes, há os que não estão aptos a encarar os nossos ancestrais e não endossam aquela estupidez. Mas expresso o receio de que alguns já tenham chegado lá.

Por incrível que possa parecer, nesta terça-feira, boa parte dos, como direi?, estudantes parou suas atividades para aguardar o prometido retorno da jovem Geysi Arruda, aquela do vestido vermelho, o que acabou não acontecendo. Muitos deles posaram para fotos com nariz de palhaço e organizaram um protesto. Contra quem? A maioria estava mesmo contra Geysi. Uma das alunas filosofou: “Ela provocou. Se ela apenas sentasse na cadeira, isso não ia acontecer. Por que justamente nesse dia ela subiu pela rampa?” Como se nota, subir a rampa de vestido curto, e vermelho!!!, pode resultar em linchamento na Uniban.

Um dos organizadores do protesto exibe assim o seu pragmatismo: “Eu quero limpar o nome da universidade em que estudo. Eu não fiquei três anos sentado para conseguir meu diploma e ver ele manchado por causa de uma palhaçada”. Ele acredita que essa nova manifestação limpa o nome da faculdade… Que diabo se passa na universidade que conferiu o diploma de direito a Vicentinho e a Luiz Marinho, que já foram até garotos-propaganda da instituição, uma universidade privada, mesmo exercendo cargo público? Eu não sei. E é preciso ver até onde esse mesmo “diabo” não se passa em outras instituições do gênero.

Içami Tiba
Antes que continue, quero aqui lastimar uma entrevista do “psiquiatra e educador” Içami Tiba, colunista do UOL, que afirmou, numa entrevista em vídeo, que a roupa da Geysi era mesmo inadequada, sugerindo que ela despertou, digamos, os instintos sexuais primitivos da rapaziada, que então reagiu. No dia em que morre o antropólogo Claude Lévi-Strauss, Içami parece não ver muita diferença entre um bando de homens e um bando de chimpanzés, que costumam estuprar as macacas de outras comunidades em grupo. Quem fala demais, é o caso dele, acaba dando bom-dia a cavalo! Leia +.

Reinaldo Azevedo
dica do Chicco Sal

anúncio da Uniban veiculado em vários jornais hj (domingo) informa que a aluna foi expulsa da instituição. No comunicado, o Conselho Superior da Universidade afirma ter decidido desligar a aluna do quadro de alunos da instituição em razão do flagrante desrespeito aos princípios éticos da dignidade acadêmica e à moralidade.

A decisão corrobora a afirmação de um dos alunos da universidade: "Parecia uma igreja evangélica cheia de fanáticos. A hipocrisia era igual". Pobres publicitários que cuidam da imagem de uma facul tão retrógrada e míope.

8 comentários:

Anônimo disse...

Não entendi o porque? Quem disse que a UNIBAN é uma universidade? A moça estava desfilando num shopping. Um shopping center de cursos, mas que não deixa de ser como um shopping center qualquer.

CHICCO SAL disse...

Proponho que aqueles que não concordam com essa decisão imbecil, como no caso das campanhas para AIDS e outras, passe a utilizar um pequeno laço, neste caso vermelho.

Seria um pequeno símbolo contra a ditadura cretina das mentalidades animalescas, pequenas e retrógradas, destes que pusilamemente agem, em nome de uma falsa ética, contra a vítima de um sistema falido.

Só falta a UNIBAN, em nome sei-lá-de-quem, organizar uma nova "Marcha da Família com Deus pela Liberdade"...

Se a sugestão do laço não for apropriada, talvez a de pedras pintadas de vermelho venha a calhar.

As pedras qualquer pode encontrar ali no campus da UNIBAN.

Chicco Sal

P.S. UNIBAN seria o acrônimo de 'unidos baniremos'?

Pavarini disse...

um trecho de post novo do reinaldo azevedo:

Como se a Uniban não tivesse percorrido já toda a trilha da abjeção, a direção da universidade resolveu dar um passo a mais. Não bastasse o anúncio em jornal, que sataniza a estudante,Décio Lencioni Machado, assessor jurídico da instituição, concedeu a seguinte entrevista à Folha:

FOLHA - Por que a decisão?

DÉCIO LENCIONI MACHADO - Por meio dos depoimentos dos alunos, professores, funcionários e mesmo dela, constatou-se que a postura dela não era adequada há algum tempo. O foco não é o vestido. Tem menina que usa roupas até mais curtas. O foco é a postura, os gestos, o jeito de ela se portar. Ela tinha atitudes insinuantes.

FOLHA - Como assim?

MACHADO - Ela extrapolava, rebolando na rampa, usando roupas que os colegas pudessem verificar suas partes íntimas. Isso tudo foi dito em vários depoimentos e culminou no que ocorreu no dia 22 de outubro. Foi o estopim de uma postura recorrente da aluna.

FOLHA - Por que o anúncio? Não acham que estão expondo a aluna?

MACHADO - A exposição dela vem ocorrendo desde a semana seguinte a 22 de outubro. Ela se utilizou de todos os veículos de comunicação para divulgar [o que aconteceu] e vem declarando que, inclusive, tem interesse em ser atriz. Estamos querendo usar os mesmos veículos, não para expô-la, porque exposta ela já está, mas porque tenho compromisso com 60 mil alunos. Recebemos 4.000 e-mails de alunos, pais, pessoas da comunidade, se queixando da exposição da instituição, em especial do curso de turismo, porque as meninas estavam sendo chamadas de “putas”.

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/geisy-expulsa-da-uniban-barbarie-fascistoide-mulheres-do-brasil-unam-se-contra-o-%E2%80%9Cdireito-ao-estupro%E2%80%9D/

Pavarini disse...

a opinião do augusto nunes:

O monumento ao primitivismo que começou a ser erguido na noite de 22 de outubro, quando centenas de alunos do campus de São Bernardo protagonizaram a tentativa de linchamento da moça do vestido curto, foi inaugurado com a expulsão de Geisy Arruda e a aprovação, com louvor, dos agressores. A nota divulgada pela direção da Uniban, com o título A educação se faz com atitude e não com complacência, faz sentido nestes tempos estranhos. Num Brasil pelo avesso, o certo virou errado e o errado virou certo.

Como o culpado é inocente, Antonio Palocci pode estuprar a conta do caseiro, o MST pode invadir o que vier pela frente, José Sarney pode continuar engordando o prontuário de matar de inveja um general do PCC. Como o inocente é culpado, Francenildo Costa não pode queixar-se da condenação ao desemprego, os fazendeiros não podem invocar o direito de propriedade nem alegar que as terras são produtivas. Por divulgarem verdades sobre um homem incomum, o Estadão merece censura e merecem pancadas jornalistas que escrevem livros contando um pouco do muitíssimo que fez o dono do Maranhão.

Como o que era já não é, diplomas de universidades estrangeiras agora equivalem a atestados de elitismo. Devem ser transferidos da parede para o porão, antes que os diplomados sejam considerados inimigos do Grande Ignorante e, portanto, da pátria. Falar e escrever direito é coisa de preconceituoso, miudezas desprezíveis para um enviado da Divina Providência. O brasileiro tem de aprender a desaprender, porque é de linguagem chula que o povo gosta, é palavrório grosseiro o que o povo quer.

A minissaia foi inventada em 1960, os trajes das universitárias hoje sessentonas eram bem mais ousados. Mas um microvestido ficou moderno demais, porque o país está avançando para trás. A sindicância interna concluiu que Geisy teve “uma postura incompatível com o ambiente da universidade, frequentando as dependências da unidade em trajes inadequados”.

A sorte é que jovens de boa família estavam lá para defender “os princípios éticos, a dignidade acadêmica e a moralidade” desrespeitados pela moça desvestida de vermelho. “A atitude provocativa da aluna resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar”, descobriu a Uniban.

Vinte anos depois da queda do Muro de Berlim, a Uniban transformou o campus de São Bernardo no muro da boçalidade. A expulsão do vestido curto riscou a fronteira que separa o país moderno do Brasil primitivo. A turma das cavernas está do lado de lá.

http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/

Lívia de Feo disse...

além de todo a incompetência manifestada pela universidade em todo o caso e da incrível hipocresia declarada em anúncios na televisão (em um país como o Brasil, realmente o vestido da moça é injustiça contra alguém?) me pergunto também a enorme dose de machismo que permeia todo o caso.

Ora, a moça é expulsa por ser sexualmente insinuante, como se fosse a única culpada pela reação de marmanjos sexualmente desesperados?

É realmente possível defender que homens adultos possam agir como animais a qualquer rabo de saia.

Me lembra algumas decisões judiciais em que se não se condenou o abuso de menores por entender que as menores já possuiam corpo e malícia de mulher.

Percebe-se claramente que tipo de cidadão esta universade está formando.

fabio.seattle disse...

Por que vcs criticam aqueles que pensam diferentes de vcs.? Ao meu ver ela está errada sim. Qual a finalidade de vestir daquela maneira. Era conveniente ela se desfilar daquela maneira? Me desculpe vcs fazem parte de uma ditadura de idéias que não dá para dialogar mesmo, né?

CHICCO SAL disse...

Caríssimo Fábio,

Agradeço pelo 'pito' no que me concerne e, confesso, fiquei extremamente pasmo com o nível de díalogo mantido pela UNIBAN com a aluna Geisi.

O princípio da 'mais ampla defesa' foi simplesmente lançado pelos canos de esgoto da UNIBAN diretamente no Tamanduateí.

Ah! Você me fez lembrar uma velha máxima - "estimular a discussão é estimular o diálogo". Por favor, sinta-se desafiado a discutir.

Abs,

Chicco Sal

Anônimo disse...

é verdade, fabio...também não não acho certo o que a moça fêz, e pergunto porque só mostram o video que foi feito de cima para baixo?
dando a impressão que o vestido é normal, porque não mostram outro ângulo? a jovem provocou e agora todos mundo está aproveitando para ganhar um dinheirinho(advogado, tv, jornais revista etc...) e no final vai possar nua na playboy, aqui no Brasil é assim, mostrou a ????? vai para midia e faz um pé de meia.
Agora eu pergunto: e se fosse um jovem que estivesse se insinuando, mostrando sua cueca, sim um homem,
não estariam todos gritando CADEEEIAAA.
É isto é a nossa sociedade...
O certo parece ser errado e o errado certo.

jorgeluiz

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