17.9.08

Quando os crentes davam certo (final)

Minha aproximação com o protestantismo histórico de missão se deu entre 1958 e 1962, quando o congregacionalismo acabava de completar cem anos (1955) e o presbiterianismo se preparava para comemorar o seu centenário (1959).

Neste último caso, tivemos um momento histórico e simbólico: no Culto de Ação de Graças, na Catedral Presbiteriana, da Rua Silva Jardim, Rio de Janeiro, RJ, um presidente da República, no exercício do cargo, comparece a um ato dessa natureza: o presidente Kubitscheck (JK), com a mais ampla repercussão.

No ano seguinte (1960) o estádio do Maracanã se enche pela segunda vez (a outra fora na Copa de 1950) para o encerramento da assembléia da Aliança Batista Mundial, tendo como pregador o evangelista Billy Graham.

Fui de uma geração que conviveu com muitos homens e mulheres de Deus, dos mais simples aos mais eruditos, com histórias de vida e memórias que eu, um adolescente, bebia como ensinamentos existenciais. Se já tenho meio século de vivência com o protestantismo histórico, ouvi o outro meio século dos mais velhos, que por sua vez tinham ouvido dos seus mestres o meio século anterior.

Preocupa-me o desconhecimento histórico da presente geração, em relação à História Geral da Igreja, particularmente a Reforma Protestante, e em relação ao passado do protestantismo brasileiro.

O futuro está no passado, porque o presente é, por demais, preocupante!

Nessa série procurei resgatar alguns feitos e alguns heróis da fé dessa saga, dessa epopéia, que foi a implantação do protestantismo em nosso País, sob as circunstâncias mais adversas. Há um legado perdido; há lições a serem resgatadas.

Concentrei-me no protestantismo histórico de missão, sem desmerecer a presença (mesmo que isolada do protestantismo de migração), hegemônico de 1855 a 1965. O Pentecostalismo chega em 1909. Depois aparece por aqui o Liberalismo, o Fundamentalismo, o Neo/Pós-Pentecostalismo e por aí a fora.

Mas, deixarei para comentar em outra série, que intitularei: “Quando os Crentes às Vezes, Ainda, Dão Certo”.

Que o Senhor nos abençoe!

Robinson Cavalcanti, bispo anglicano.

Leia +

9 comentários:

Thiago Mendanha disse...

Ufa, enfim... The End! Hehe

Mastigando cinzas disse...

Será que este bispo anglicano (Robinson Cavalcanti)
não se apercebeu no seu depoimento que está demonstrando por escrito que a [SUA] igreja falhou (ou está falhando)? Pois se os “bons tempos” da sua igreja [e outras] já lá vão, isso significa uma equação cristã com resultado negativo! Por isso, caros amigos, mais uma prova claríssima do que venho dizendo: que Jesus NUNCA recebeu o que ele disse ser “TODO O PODER NO CÉU E NA TERRA”. Todo o poder no céu e na terra para quê?!
A Igreja Anglicana é das que perde mais membros pelo mundo fora, especialmente onde nasceu: na Inglaterra!! Muitos dos seus templos dão abrigo a cultos com meia dúzia de teimosos. Enquanto que outros se transformaram em mosques!...
Caro bispo, lamento que a sua igreja ainda não tenha desaparecido do mapa... sem querer ofendê-lo pessoalmente, claro. É uma Igreja Oficial com um passado vergonhoso, considerando que CRIME foi cometido em nome de Jesus e dos monarcas Ingleses. Igreja que comete crime para exaltar os atributos santos de Deus torna-se criminosa. Pergunte a John Bunyan e outros “liberais” como John Wesley que foram perseguidos pelo Anglicanismo [High Church].

Anônimo disse...

O Robinson Cavalcanti representa um lado evangélico da igreja anglicana. Acontece que ele repete o mesmo triunfalismo dos neopentecostais, só que no inverso. Os neopentecostais olham prospectivamente com ufanismo, o bispo olha retrospectivamente. Mas o ufanismo é semelhante.

Aline Pereira.

Alberto Costa disse...

"O nosso passado é onde podemos buscar o nosso futuro."
Pois eu imaginava, em minha ingenuidade cristã, que nosso futuro repousava nas promessas da Palavra de Deus.
Toda esta série de D. Robinson me fez repensar as bases de minha fé: "errais não conhecendo a história da igreja, especialmente as páginas sobre esportes coletivos e olímpicos" é o que deveria ter dito Jesus.
Ou talvez Paulo devera ter escrito "não se amoldem ao padrão desta década, mas procurem renovar sua mente, resgatando os padrões das gerações anteriores, para que vocês experimentem aquele tempo maravilhoso em que os crentes davam certo”.
Pensei e consultei minhas bases de fé e cheguei à conclusão brilhante de que saudosismo não é um bom fundamento. Peço ao bispo que nos poupe de sua "síndrome de vovô" e nos pregue a Palavra de Deus - se ainda se lembra dela.
A minha fé continua naquele velho Livro que conta a história de quando os crentes nunca deram certo e, por isso, viveram com base na graça de Deus em Cristo, e não iludidos com "antigamente, as coisas eram melhores", essa conversa de velhos.
Fico com John Knox, que um amigo citou ainda hoje: "Na mocidade, na meia-idade, e agora depois de muitas batalhas, nada encontro em mim, a não ser vaidade e corrupção." Vale o mesmo para as décadas e séculos passados, assim como para todas as gerações que nos precederam.

Mastigando cinzas disse...

Gostei muito do comentário do Alberto Costa. A Igreja Anglicana NÃO tem mais lugar na sociedade contemporânea, e quanto mais cedo os seus membros EMIGRAREM dela melhor para o saneamento espiritual de cada um.
"Nada encontro em mim, a não ser vaidade e corrupção" é a fórmula emocional que a igreja explora com muito sucesso, sem NUNCA admitir que a culpa da nossa situação se deveria, naturalmente, à má gerência divina tempos atrás, quando tudo seria muito mais simples de resolver. Este é o meu “Argumento Indestrutível” com o qual desafio a “Igreja” e sua rudíssima atitude de nos culpar – os seres humanos – de toda a “vaidade e corrupção” da nossa natureza.
O evangelho ortodoxo é um DINOSSAURO de há dois mil anos que precisa ir para o museu.
Deus é Luz onde não existem trevas (1 João 1:5); um “Deus” IMPESSOAL, feito de Energia Viva, na qual vivemos, e na qual estamos EVOLUINDO. Esse é o evangelho do futuro.
Assim, Anglicanismos e outras OFENSAS e males religiosos serão relegados ao passado da deusa “Trevas”, onde não há nem nunca houve Luz!
Júlio. Joanesburgo.

Alberto Costa disse...

Para evitar identificações indevidas, a concordância do comentarista Júlio ("mastigando cinzas") com meu comment não encontra reciprocidade. Eu sou cristão, evangélico, reformado, batista. Não encontro qualquer espaço para uma concepção de um deus impessoal em minha fé - creio no Deus revelado em Jesus Cristo, conforme o testemunho bíblico (pessoal e historicamente manifestado). E qualquer crítica ao pensamento e expressões de pessoas ligadas ou não à igreja, faço-a com o temor que decorre de sabê-la a "noiva" do Senhor Jesus, Rei eterno (não é muito prudente falar mal da futura primeira dama, pelo menos sob as vistas e ao alcance do "noivo", plenipotenciário, como é o caso).
Então, qualquer identidade é responsabilidade exclusiva do outro comentarista. E não compartilho do julgamento a respeito da igreja anglicana, em geral. Quando comento um post, comento só o post.

Volney Faustini disse...

Respeitosamente, e mantendo a minha franqueza de sempre, quero dizer que erramos ao querer desmerecer o articulista, sem discutir suas idéias.

Creio que Knox é um pouco mais velho que Dom Robinson - ou seja estamos sim (sempre) olhando para o passado e tirando lições e procurando ser mais sábios. Então tenhamos cuidado ao chamá-lo de vovô.

Mais justiça - para quem o conhece e o acompanha, seriam apelidos tais como Luta e Compromisso.

No campo das idéias - temos que pegar onde é que ele não está sendo coerente, ou mesmo com outros argumentos mostrar que suas ênfases são fracas ou mesmo falsas.

Falar que ele (Dom Robinson) está sendo ufanista é julgar o filme pelo barulho do som enquanto comprando pipoca (lá fora no carrinho da calçada).

Ainda bem que ele está tomando o tempo (obrigado Robinson)para nos relatar como eram as coisas - até porque na superficialidade de nossas compreensões (Igreja como um todo) continuamos a cometer erros e deixar de abraçar o verdadeiro propósito do Evangelho.

E hoje estamos no que estamos.

Alberto Costa disse...

Prezado Volnei,
com 48 anos e 3 filhos adultos, mas ainda sem netos, tenho sido, mais de uma vez, flagrado falando "no meu tempo", a respeito de várias coisas, esse jeito velhusco de comparar tempos, em geral para desmerecer o momento atual. Quando isso acontece, agüento a repreensão de meus rebentos estoicamente, sem dar-me por ofendido, mas reconhecendo a injustiça desse tipo de comparações - nenhuma dor dói como a atual, mas isso não torna mais sábio idealizar o passado favoravelmente.
Então, não chamei o bispo de vovô, meu caro. Mas disse exatamente o que eu identifiquei como um comportamento típico do processo de envelhecer, ao qual ele, como eu, devemos estar atentos.
Também, em nenhum momento, desmereci qualquer parte da história do bispo. Não sendo seu amigo pessoal, "conheço-o" por seus escritos desde a minha adolescência e reconheço seu valor no combate à injustiça em nosso país. Exatamente por isso, questionei, sim, o fato de, sendo pastor da igreja, dar-se ao trabalho pouco edificante de ficar alimentando saudosismos não muito justificáveis (olhar para trás com olhos cor-de-rosa é ilusionismo tão bom quanto fazê-lo em relação ao futuro ou ao presente), ao invés de expor o caráter, vontade e obra de Deus, revelados em Sua Palavra e eternamente bons. Fora ele um ilustre desconhecido, sem qualquer contribuição relevante a ser lembrada, nem me daria ao trabalho de ler suas postagens, quanto mais comentá-las.
Por último, ao citar John Knox, pouco importava a mim que ele houvera vivido no antigo Egito de Ramsés ou que ainda estivesse vivo: não tenho saudades dele ou de seu tempo. Apenas reconheço a sabedoria da frase a ele atribuída, que poderia ter sido dita por Davi ou Salomão, por Paulo, por meu pai ou por D. Robinson - a verdade é atemporal, ao contrário do saudosismo, tão pobre como são os tempos.
Abraços.
Alberto

Anônimo disse...

Sou cristão-anglicano praticante(procuro obedecer a biblía e as ordenanças da igreja que o SENHOR me colocou)e se os negativistas religiosos acham pelas suas lógicas racionais(ou irracionais?)que a Igreja Anglicana é uma igreja que fracassou ou está fracassando como uma verdadeira igreja cristã,só porque isto,porque aquilo,a história nos mostrará quais as igrejas serão Triunfantes na volta do SENHOR.Quanto a Igreja estar contaminada e cheia de falsos mestres(lobos em pele de cordeiros) isto infelizmente é uma verdade.Quanto aos que acham o que aprenderam no ensino fundamental que o rei Henrique VIII é o fundador da Igreja Anglicana,aconselho aos dito cujo, pesquizarem melhor fontes históricas e documentos.Da Igreja Episcopal-Anglicana é a origem da maioria dos ganhadores do Premio Nobel e da maioria dos presidentes dos EUA.Cito isso por causa que geralmente os que atacam a Igreja Anglicana usam como base a lógica humana,só que desconheço alguém que tenha ganho o premio Nobel ou tenha sido presidente da nação mais poderosa do planeta(AINDA!)nunca atacaram a Igreja Episcopal-Anglicana como esse bando de pessoas desinformadas no assunto espiritual das coisas.Religião não é Espiritualidade,Espiritualidade é JESUS CRISTO-VIVO agindo em liberdade na sua vida,para que voce renasça do velho homem e tenha daí em diante uma vida transformada,curada e liberta das armadilhas e prisões que o inimigo,o mundo ou voce mesmo criaram em torno de si mesmo.O que salva o homem não é religião nem igreja, mas JESUS CRISTO através de sua fé e prática.Infelizmente para muitos,a fé é um Dom,e não vem de nós mesmo,vem de DEUS.Por isso meu amigo(a)aí de ti se não tiveres esse Dom.O que cito não são idéia minhas,mas baseados em textos biblícos,se fossem minhas idéias, todo ser humano bonzinho,justo,compreesivo e atuante iria para o céu,para um lugar melhor.Não entendo patavina de teologia,mas tenho consciencia que fui agraciado com um Dom que não se adquire com estudos:a FÉ.Porisso creio que a Igreja Episcopal-Anglicana(e muitas outras)são Igrejas onde o DEUS-VIVO está.Pelos frutos se conhece a Árvore.DEUS abençõe a todos.

Blog Widget by LinkWithin